O que a Igreja ensina e os televangelistas negam
Inúmeros pastores têm compartilhado as suas preocupações com os ensinamentos ministrados por alguns dos tele-evangelistas. Há pouco, um pastor amigo me disse: “A gente dá um duro absurdo ensinando aos membros de nossas igrejas a sã doutrina para que esses lobos vorazes desconstruam tudo que ministramos, através de seus programas televisivos.”
Isto posto, afirmo sem a menor sombra de dúvidas que aquilo que a igreja ensina, os tele-evangelistas negam, senão vejamos:
1º - A igreja ensina que em Cristo o escrito de dívida que constava contra nós foi cancelado; já os tele-evangelistas ensinam que os crentes precisam se libertar das maldições hereditárias.
2º - A Igreja ensina que Jesus é o Senhor; os tele-evangelistas que Deus é o gênio da lâmpada mágica.
3º - A igreja ensina que as Escrituras nos bastam; já os tele-evangelistas de que o mais importante são as experiências.
4º - A igreja ensina que devemos orar segundo a vontade de Deus; os tele-evangelistas que devemos decretar a bênção.
5º - A igreja ensina que aqueles que buscam o reino de Deus, todas as coisas lhes serão acrescentadas; os tele-evangelistas de que em Cristo seremos ricos.
6º - A igreja ensina que Jesus Cristo é Deus; os tele-evangelistas de que ele é fonte de vitória.
7º - A igreja ensina sobre a trindade; os tele-evangelistas o unitarismo.
8 º -A igreja ensina sobre a mordomia cristã; os tele-evangelistas de como extorquir dinheiro do povo.
9º - A igreja ensina sobre um Deus soberano que governa sobre todas as coisas; os tele-evangelistas de que Deus pode ser surpreendido por catástrofes e tragédias.
10º - A igreja ensina que os nossos cultos devem ser cristocêntricos; os tele-evangelistas de que devem ser antropocêntricos.
11 º A igreja ensina que adorar a Deus é humilhar-se pedindo perdão pelos pecados; os tele-evangelistas de que adorar é saltar de alegria nos famigerados shows gospel.
12º - A igreja ensina de que não devemos perder tempo com o diabo; os tele-evangelistas de que devemos entrevistá-los.
13º - A igreja ensina a simplicidade do evangelho; os tele-evangelistas a zooteologia, onde cães, leões, águias e outros bichos mais se fazem presentes nas manifestações de louvor a Deus.
14º - A igreja ensina que os ritos sacrificiais e as festas judaicas foram abolidos definitivamente por Cristo na cruz do calvário; Os tele-evangelistas judaizaram a fé.
15º - A igreja ensina que o maligno não nos toca; os tele-evangelistas de que basta dar legalidade que o diabo faz um inferno na vida do crente.
16º - A igreja ensina sobre discipulado; os tele-evangelistas sobre coronelismo e cobertura espiritual.
17º - A igreja ensina que avivamento se faz presente através do choro e arrependimento; os tele-evangelistas que avivamento é barulho.
18º - A igreja ensina o perdão, os tele-evangelistas o ódio.
Pois é cara pálida, dias difíceis os nossos! Que Deus tenha misericórdia da sua grei!
Pense nisso!
sábado, 21 de novembro de 2009
“Discipulado”, Bonhoeffer
“A graça barata é a graça que nós dispensamos a nós próprios. A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão dos pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado.
A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o homem sai e vende com alegria tudo quando tem; a pérola preciosa, a qual o comerciante se desfaz de todos os seus bens para adquiri-la; o governo régio de Cristo, por amor do qual o homem arranca o olho que o escandaliza; o chamado de Jesus Cristo, o qual, ao ouvi-lo, o discípulo larga as suas redes e o segue.
A graça preciosa é o evangelho que há que se procurar sempre de novo, o dom pelo qual se tem que orar, a porta à qual se tem que bater. A graça é preciosa porque chama ao discipulado, e é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo; é preciosa por custar a vida ao homem, e é graça por, assim, dar-lhe a vida; é preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador.
Essa graça é sobretudo preciosa por tê-la sido para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho – “fostes comprados por preço” – e porque não pode ser barato para nós aquilo que para Deus custou caro. A graça é graça sobretudo por Deus não ter achado que seu Filho fosse preço demasiado caro a pagar pela nossa vida, antes o deu por nós. A graça preciosa é a encarnação de Deus.
A graça preciosa é a graça considerada santuário de Deus, que tem que ser preservado do mundo, não lançado aos cães; e é graça como palavra viva, a palavra de Deus que ele próprio pronuncia de acordo com seu beneplácito. Chega até nós como gracioso chamado ao discipulado de Jesus; vem como palavra de perdão ao espírito angustiado e ao coração esmagado.
A graça é preciosa por obrigar o indivíduo a sujeitar-se ao jugo do discipulado de Jesus Cristo. As palavras de Jesus: ‘O meu jugo é suave e o meu fardo é leve’ são expressão da graça [...] A graça e o discipulado permanecem indissoluvelmente ligados”.
A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o homem sai e vende com alegria tudo quando tem; a pérola preciosa, a qual o comerciante se desfaz de todos os seus bens para adquiri-la; o governo régio de Cristo, por amor do qual o homem arranca o olho que o escandaliza; o chamado de Jesus Cristo, o qual, ao ouvi-lo, o discípulo larga as suas redes e o segue.
A graça preciosa é o evangelho que há que se procurar sempre de novo, o dom pelo qual se tem que orar, a porta à qual se tem que bater. A graça é preciosa porque chama ao discipulado, e é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo; é preciosa por custar a vida ao homem, e é graça por, assim, dar-lhe a vida; é preciosa por condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador.
Essa graça é sobretudo preciosa por tê-la sido para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho – “fostes comprados por preço” – e porque não pode ser barato para nós aquilo que para Deus custou caro. A graça é graça sobretudo por Deus não ter achado que seu Filho fosse preço demasiado caro a pagar pela nossa vida, antes o deu por nós. A graça preciosa é a encarnação de Deus.
A graça preciosa é a graça considerada santuário de Deus, que tem que ser preservado do mundo, não lançado aos cães; e é graça como palavra viva, a palavra de Deus que ele próprio pronuncia de acordo com seu beneplácito. Chega até nós como gracioso chamado ao discipulado de Jesus; vem como palavra de perdão ao espírito angustiado e ao coração esmagado.
A graça é preciosa por obrigar o indivíduo a sujeitar-se ao jugo do discipulado de Jesus Cristo. As palavras de Jesus: ‘O meu jugo é suave e o meu fardo é leve’ são expressão da graça [...] A graça e o discipulado permanecem indissoluvelmente ligados”.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Cristãos ricos em tempo de fome
“Ficamos insensíveis”
Autor de Cristãos ricos em tempo de fome e de O escândalo do comportamento evangélico, Ronald Sider faz suas críticas com amor
Ronald Sider não é um cristão comum. Não por ser PhD em história da Reforma por Yale, uma das mais prestigiadas universidades dos Estados Unidos, ou por ter escrito um livro que é considerado referência cristã no século 20, Cristãos ricos em tempo de fome, que já vendeu mais de 400 mil cópias. É que, aos setenta anos de idade, ele é testemunha de uma mudança de comportamento da Igreja Evangélica, que, no seu entender, fez dela uma instituição mais insensível em relação ao mundo que a cerca. “Ficamos maiores, mais ricos e mais famosos”, sintetiza. Tal conclusão é a base do inquietante trabalho de Sider. Teólogo, professor, palestrante, fundador e presidente do ESA (Evangelicals for Social Action – “Evangélicos por Ação Social”), ele é um ativista da igualdade. E o faz pelo viés do convencimento dos cristãos acerca da justiça social.
Nascido numa área rural de Ontário, no Canadá, Sider é filho de pastor, e hoje vive com a mulher numa casa de um bairro majoritariamente negro na Filadélfia. Membro de uma comunidade menonita, é um homem de sorriso aberto e voz suave, características que, no entanto, não amenizam seu duro discurso contra o materialismo que, na sua ótica, tomou conta de grande parte da Igreja Evangélica contemporânea, como diz em outra obra, O escândalo do comportamento evangélico (Editora Ultimato). Contudo, não é simplesmente um franco atirador e tempera suas críticas com palavras de misericórdia e esperança na Igreja e no futuro.
Ronald Sider esteve no Brasil pela primeira vez no fim de agosto, a fim de participar do encontro nacional da Rede Evangélica Nacional de Ação Social, a Renas, no Rio de Janeiro. Na ocasião, conversou com a reportagem de CRISTIANISMO HOJE:
CRISTIANISMO HOJE – Em seu livro, o senhor defende que a Igreja precisa se arrepender. De quê?
RONALD SIDER – Quando eu era jovem, quase todos os líderes cristãos diziam que a missão da Igreja era o evangelismo, mas eram muito pouco preocupados com ministérios sociais ou com a luta por justiça econômica. Nós negligenciamos isso por muito tempo, e é algo de que precisaríamos nos arrepender. Outro ponto sobre o qual a Igreja precisa pedir perdão é por séculos e séculos de esquecimento em relação a tantos versículos bíblicos que nos mandam olhar pelos pobres. Por muito tempo, esse tem sido um tema esquecido em nossas igrejas. O pastor Rick Warren [dirigente da Igreja de Saddleback e autor do best-seller Uma vida com propósitos] confessou isso há uns sete anos. Nós precisamos nos arrepender por termos negligenciado os mandamentos bíblicos de compromisso com os pobres; parece que simplesmente não lemos uma boa parte da Bíblia.
E em relação ao papel da Igreja na sociedade?
Essa é justamente a terceira área em que, na minha opinião, precisamos, como cristãos, de arrependimento. Nossa ação política sempre foi biblicamente desequilibrada. Nossos representantes falam muito contra o aborto, ou sobre temas como família e sexualidade – que, evidentemente, são preocupações pertinentes –, mas quase nada sobre justiça social, combate à pobreza ou questões ambientais, que também são bíblicas. Ora, se são políticos e cristãos, é preciso que se importem com o que Deus se importa: com os pobres, com a prática da justiça e com o meio ambiente.
Um de seus livros mostra que a vida de um cristão praticamente não difere da de um não-cristão…
Não posso falar do Brasil, mas, nos Estados Unidos, certamente não difere. Existe em mim uma voz bastante otimista que me diz, com alegria, que estamos avançando, aproveitando as oportunidades para fazer diferença. Mas existe uma outra voz, pessimista, que me alerta que não fazemos diferença alguma. Entre os jovens, por exemplo, há uma pequena mudança no comportamento sexual dos crentes, mas não muito grande. Dentro das denominações evangélicas dos EUA, o número de casos de abuso físico e sexual entre membros de uma mesma família praticamente não difere do restante da sociedade. Em termos de racismo, nós, cristãos, somos piores que os outros – e não reconhecemos que o sistema da nossa sociedade, que tendemos a reproduzir, é discriminatório em relação aos latinos e outra minorias.
Por que isso acontece?
Em parte, porque crescemos, tornamo-nos grandes, conquistamos sucesso e fazemos parte dessa cultura do crescimento. Ficamos maiores, mais ricos e mais famosos… Não faz muito tempo, uma das marcas da Igreja era a de ser separada do mundo. Éramos muitas vezes legalistas e até tolos em nosso comportamento, mas éramos separados, diferentes do mundo. Hoje, não nos sentimos mais separados do mundo – ao contrário, fazemos parte dele.
Isso compromete o testemunho cristão?
Completamente. Esse tipo de comportamento mina dramaticamente a nossa credibilidade. Nosso discurso de mudança de vida a partir de um encontro com Cristo perde o sentido para as pessoas comuns.
E até que ponto compromete a salvação?
Bem, Paulo listou uma série de pecados: falou de ganância, adultério, imoralidades, e disse que quem fizesse essas coisas não herdaria o Reino dos céus. Jesus diz, em Mateus 25, que as pessoas que praticam tais atos iriam para o inferno. Então, precisamos estar atentos ao aviso bíblico. Mas, ao mesmo tempo, eu tenho de saber que não serei salvo pela minha boa vida ou meu bom comportamento. Não somos salvos baseados na nossa boa teologia, e sim, pelo que Cristo fez na cruz. Eu não sei o quanto viver de forma errada, sem observar o que o Senhor disse, afeta a nossa salvação. Isso é decisão dele, não nossa. Mas não dá para separar o Jesus Salvador do Jesus Senhor.
Os crentes, em geral, veem o pecado como algo individual. Mas a Bíblia fala, e o senhor tem dito em seus livros, que há um pecado social. Como é esse conceito?
No último meio século, os evangélicos têm dado muita ênfase aos pecados individuais, como adultério e imoralidades sexuais. Nessa época, eram os liberais que falavam do pecado social, como os sistemas econômicos injustos. O que eu disse no meu livro Cristãos em tempo de fome é que a Bíblia fala dos dois tipos de pecado, o individual e o social, mas que os evangélicos tendem a personalizar o pecado. É lógico que, teologicamente, somos valorizados enquanto indivíduos, que precisam tomar uma decisão pessoal e desenvolver um relacionamento individual, íntimo com Deus. Mas a sociologia nos ensina que o ambiente onde vivemos também determina quem somos. Afinal, nossas atitudes também são afetadas pelo que nos cerca. Tanto a sociologia quanto a Bíblia nos mostram a importância de mudarmos o indivíduo e também a sociedade.
O gigantismo das igrejas urbanas de classe média, cujos pastores são cada vez mais parecidos com executivos, é parte desse problema da cultura do crescimento?
Eu, pessoalmente, não sou entusiasta de igrejas enormes, mas não me oponho a elas. Temos grandes ministérios, que precisam ser gerenciados de maneira diferente – mas o problema não é este, especificamente. É uma questão de visão pessoal. Se a igreja está levando pessoas a serem como Cristo, a se tornarem obedientes a ele, preocupadas com o próximo e ativas no serviço social, não há problema se ela é grande ou pequena. Acho que até existe mesmo espaço para um papel de executivo dentro da liderança das congregações. O problema é o momento em que se direciona o ministério com técnicas do mundo executivo, visando a desenvolver estratégias para o crescimento da igreja, e esse processo tira nosso foco de Jesus e do que ele disse.
O senhor escreveu seu livro mais famoso há mais de trinta anos. Algo mudou de lá para cá?
Eu acho que os cristãos evangélicos, na média, são muito mais materialistas hoje do que quando escrevi o livro. Essa é a notícia ruim. A boa é que há um grande crescimento da preocupação evangélica com os pobres. O próprio livro é um exemplo disso – numa eleição dos livros cristãos mais importantes dos últimos 50 anos, minha obra ficou na sétima posição. Isso pode não dizer muito, mas mostra que ao menos há uma preocupação com o tema, um crescimento da ação evangélica nessa área. Basta ver a Visão Mundial, uma entidade cristã que tomava conta de alguns orfanatos no passado e que hoje tem um orçamento de dois bilhões de dólares por ano. No entanto, esses cristãos comprometidos com justiça social ainda são minoria. Hoje, o cristão médio – e volto a lembrar que refiro-me ao crente americano, pois não possuo tanta informação sobre a Igreja no Brasil – é mais rico e mais materialista do que o da geração anterior. Mas os dados mostram que estamos doando bem menos do que há tempos atrás. O crente de hoje doa apenas 40% do que os cristãos de algumas décadas atrás. E esse índice tem caído ano a ano.
Essa percepção é a mesma nos países do Terceiro Mundo?
É diferente, mas aqui já é possível começar a ver uma classe média evangélica. O que eu acho preocupante é que a teologia da prosperidade é tão ruim aqui como nos Estados Unidos.
Algumas estatísticas preveem que até a metade deste século o Brasil será uma nação de maioria evangélica. Isso faz diferença?
Num certo nível, é irrelevante quantas pessoas dizem ser evangélicas. O importante é saber quantas pessoas vivem como Jesus e acreditam nele como Senhor e Salvador. Que diferença faz se metade de um país se confessa evangélica, se a taxa de divórcios nessa comunidade é igual à do resto da sociedade? Por outro lado, ainda que sejamos minoria, se liderarmos o combate à pobreza, se defendermos a criação de Deus, combatermos o racismo e afirmarmos a dignidade de setores marginalizados, aí, sim, estaremos mudando a sociedade e sua cultura. Isso seria verdadeiramente significativo! Mas se tivermos uma maioria evangélica e ela viver como os outros, qual a importância?
O senhor fala abertamente em um diálogo entre evangélicos e católicos. Isso pode funcionar?
Veja o que acontece nos Estados Unidos. Por uns 200 anos, católicos e evangélicos disseram coisas horríveis uns dos outros, mas depois que a Corte Suprema legalizou o aborto, em 1973, os protestantes descobriram que os católicos haviam trabalhado duro contra a aprovação. Então, perceberam que era possível se unir a eles com relação à defesa da vida, porque algumas posições como essa eram comuns aos dois grupos. Ao mesmo tempo, os evangélicos perceberam que os liberais que não acreditavam na ressurreição de Jesus ou na sua divindade, por exemplo, eram protestantes. Ou seja, estavam no mesmo barco, mas eram muito mais distantes. Mesmo não concordando com os católicos acerca do papel do papa, da natureza de Maria ou a ação dos santos – que são pontos importantes de discordância –, descobrimos pontos em comum também muito importantes com eles, até mais do que com os liberais. O resultado é que o diálogo e a cooperação aumentaram, e há muito diálogo acontecendo, mesmo sem querer unificar todos em uma só Igreja.
Mas aqui no Brasil os liberais não têm muita força, ao contrário dos EUA. Essa agenda mútua, por si só, pode aproximar os dois grupos?
Eu penso que o forte secularismo da sociedade contemporânea e a hostilidade que hoje existe ao cristianismo vai poder unir católicos e evangélicos. Isso é um desafio.
O senhor foi um opositor do governo do presidente George W. Bush, que contou com forte apoio protestante. Sente-se parte de uma minoria dentro da Igreja Evangélica americana?
Temos de começar com a história americana. Na fundação do nosso país, existia uma imagem da nação como um “novo Israel”, e que esse novo país era especial para Deus. Havia uma ideia de que os EUA surgiram no plano divino com um propósito especial. Então, há uma conexão muito forte do nacionalismo americano com o evangelicalismo. E o evangélico americano, na média, não tem sido bom em perceber as virtudes e defeitos da América, especialmente em termos de política externa. Os evangélicos em meu país aceitam tudo sem criticar – resultado, em parte, do período anticomunista, em que o ato de criticar era visto como falta de patriotismo. Por isso que, quando Bush foi à guerra, a maioria ficou do seu lado. Hoje, nós somos a nação mais poderosa que o mundo já viu desde o Império Romano. Mas é imoral querer dizer para outros povos “vocês vão fazer isso, queiram ou não”, como temos feito.
Qual sua visão sobre o governo Obama?
O presidente Obama já tem demonstrado que quer trabalhar em cooperação com outros países. O governo tem dito coisas como “vamos conversar com os inimigos e trabalhar com os aliados”. Isso representa uma mudança de rumo muito grande. Agora, se você me perguntar se Obama é um cristão genuíno, eu diria que sim; mas ele é um evangélico? Não. Eu acho que ele tem as dúvidas típicas de quem esteve nas maiores universidades do país, onde eu também estive [risos].
Aos 70 anos de idade, o senhor se considera um cristão inconformado?
Olha, como eu gosto da história da Igreja, que é o meu campo de formação, ela me ensinou que a maior tentação do cristianismo durante todos esses séculos foi o de se conformar com a cultura vigente e deixar de seguir Jesus, vivendo de maneira bíblica. Os exemplos são muitos, desde a Igreja medieval. Nós temos sempre que nos perguntar onde essa cultura satisfaz a Deus e onde precisa ser modificada, à luz da Bíblia. Nós precisamos adotar uma posição de permanente crítica ao establishment. O problema é que os cristãos, ao longo da história, começaram a abraçar a cultura ocidental. Devagar, sem perceber, começamos a fazer parte dela. O problema que vejo hoje nessa cultura é o individualismo. Isso vai de encontro ao que a Bíblia define como comunidade. Quando as pessoas procuram a web, ou redes sociais, na verdade buscam uma comunidade – e a Igreja de Cristo tem a obrigação de adotar uma visão bíblica que valorize o indivíduo, mas também a de ser o lugar onde uma comunidade é oferecida. Ali, o amor dos irmãos e suas necessidades devem ser compartilhados, assim como os bens materiais, e os marginalizados precisam ser acolhidos. Onde existe solidão, a Igreja precisa oferecer uma solução.
No início da entrevista, o senhor falou que sua alma tem dois lados convivendo dentro dela – um otimista e outro pessimista. Qual é o mais forte?
Eu tenho, sim, uma grande esperança. Sei que Jesus está vivo e que Deus está no controle. Sei também que ele continua a sua obra com graça, mesmo nos momentos mais difíceis. E assim, sou esperançoso. Não no curto prazo, pois temos motivos para nos preocupar, mas a longo prazo. Sei aonde a história nos levará e que tudo será transformado e feito novo.
George Guilherme
Autor de Cristãos ricos em tempo de fome e de O escândalo do comportamento evangélico, Ronald Sider faz suas críticas com amor
Ronald Sider não é um cristão comum. Não por ser PhD em história da Reforma por Yale, uma das mais prestigiadas universidades dos Estados Unidos, ou por ter escrito um livro que é considerado referência cristã no século 20, Cristãos ricos em tempo de fome, que já vendeu mais de 400 mil cópias. É que, aos setenta anos de idade, ele é testemunha de uma mudança de comportamento da Igreja Evangélica, que, no seu entender, fez dela uma instituição mais insensível em relação ao mundo que a cerca. “Ficamos maiores, mais ricos e mais famosos”, sintetiza. Tal conclusão é a base do inquietante trabalho de Sider. Teólogo, professor, palestrante, fundador e presidente do ESA (Evangelicals for Social Action – “Evangélicos por Ação Social”), ele é um ativista da igualdade. E o faz pelo viés do convencimento dos cristãos acerca da justiça social.
Nascido numa área rural de Ontário, no Canadá, Sider é filho de pastor, e hoje vive com a mulher numa casa de um bairro majoritariamente negro na Filadélfia. Membro de uma comunidade menonita, é um homem de sorriso aberto e voz suave, características que, no entanto, não amenizam seu duro discurso contra o materialismo que, na sua ótica, tomou conta de grande parte da Igreja Evangélica contemporânea, como diz em outra obra, O escândalo do comportamento evangélico (Editora Ultimato). Contudo, não é simplesmente um franco atirador e tempera suas críticas com palavras de misericórdia e esperança na Igreja e no futuro.
Ronald Sider esteve no Brasil pela primeira vez no fim de agosto, a fim de participar do encontro nacional da Rede Evangélica Nacional de Ação Social, a Renas, no Rio de Janeiro. Na ocasião, conversou com a reportagem de CRISTIANISMO HOJE:
CRISTIANISMO HOJE – Em seu livro, o senhor defende que a Igreja precisa se arrepender. De quê?
RONALD SIDER – Quando eu era jovem, quase todos os líderes cristãos diziam que a missão da Igreja era o evangelismo, mas eram muito pouco preocupados com ministérios sociais ou com a luta por justiça econômica. Nós negligenciamos isso por muito tempo, e é algo de que precisaríamos nos arrepender. Outro ponto sobre o qual a Igreja precisa pedir perdão é por séculos e séculos de esquecimento em relação a tantos versículos bíblicos que nos mandam olhar pelos pobres. Por muito tempo, esse tem sido um tema esquecido em nossas igrejas. O pastor Rick Warren [dirigente da Igreja de Saddleback e autor do best-seller Uma vida com propósitos] confessou isso há uns sete anos. Nós precisamos nos arrepender por termos negligenciado os mandamentos bíblicos de compromisso com os pobres; parece que simplesmente não lemos uma boa parte da Bíblia.
E em relação ao papel da Igreja na sociedade?
Essa é justamente a terceira área em que, na minha opinião, precisamos, como cristãos, de arrependimento. Nossa ação política sempre foi biblicamente desequilibrada. Nossos representantes falam muito contra o aborto, ou sobre temas como família e sexualidade – que, evidentemente, são preocupações pertinentes –, mas quase nada sobre justiça social, combate à pobreza ou questões ambientais, que também são bíblicas. Ora, se são políticos e cristãos, é preciso que se importem com o que Deus se importa: com os pobres, com a prática da justiça e com o meio ambiente.
Um de seus livros mostra que a vida de um cristão praticamente não difere da de um não-cristão…
Não posso falar do Brasil, mas, nos Estados Unidos, certamente não difere. Existe em mim uma voz bastante otimista que me diz, com alegria, que estamos avançando, aproveitando as oportunidades para fazer diferença. Mas existe uma outra voz, pessimista, que me alerta que não fazemos diferença alguma. Entre os jovens, por exemplo, há uma pequena mudança no comportamento sexual dos crentes, mas não muito grande. Dentro das denominações evangélicas dos EUA, o número de casos de abuso físico e sexual entre membros de uma mesma família praticamente não difere do restante da sociedade. Em termos de racismo, nós, cristãos, somos piores que os outros – e não reconhecemos que o sistema da nossa sociedade, que tendemos a reproduzir, é discriminatório em relação aos latinos e outra minorias.
Por que isso acontece?
Em parte, porque crescemos, tornamo-nos grandes, conquistamos sucesso e fazemos parte dessa cultura do crescimento. Ficamos maiores, mais ricos e mais famosos… Não faz muito tempo, uma das marcas da Igreja era a de ser separada do mundo. Éramos muitas vezes legalistas e até tolos em nosso comportamento, mas éramos separados, diferentes do mundo. Hoje, não nos sentimos mais separados do mundo – ao contrário, fazemos parte dele.
Isso compromete o testemunho cristão?
Completamente. Esse tipo de comportamento mina dramaticamente a nossa credibilidade. Nosso discurso de mudança de vida a partir de um encontro com Cristo perde o sentido para as pessoas comuns.
E até que ponto compromete a salvação?
Bem, Paulo listou uma série de pecados: falou de ganância, adultério, imoralidades, e disse que quem fizesse essas coisas não herdaria o Reino dos céus. Jesus diz, em Mateus 25, que as pessoas que praticam tais atos iriam para o inferno. Então, precisamos estar atentos ao aviso bíblico. Mas, ao mesmo tempo, eu tenho de saber que não serei salvo pela minha boa vida ou meu bom comportamento. Não somos salvos baseados na nossa boa teologia, e sim, pelo que Cristo fez na cruz. Eu não sei o quanto viver de forma errada, sem observar o que o Senhor disse, afeta a nossa salvação. Isso é decisão dele, não nossa. Mas não dá para separar o Jesus Salvador do Jesus Senhor.
Os crentes, em geral, veem o pecado como algo individual. Mas a Bíblia fala, e o senhor tem dito em seus livros, que há um pecado social. Como é esse conceito?
No último meio século, os evangélicos têm dado muita ênfase aos pecados individuais, como adultério e imoralidades sexuais. Nessa época, eram os liberais que falavam do pecado social, como os sistemas econômicos injustos. O que eu disse no meu livro Cristãos em tempo de fome é que a Bíblia fala dos dois tipos de pecado, o individual e o social, mas que os evangélicos tendem a personalizar o pecado. É lógico que, teologicamente, somos valorizados enquanto indivíduos, que precisam tomar uma decisão pessoal e desenvolver um relacionamento individual, íntimo com Deus. Mas a sociologia nos ensina que o ambiente onde vivemos também determina quem somos. Afinal, nossas atitudes também são afetadas pelo que nos cerca. Tanto a sociologia quanto a Bíblia nos mostram a importância de mudarmos o indivíduo e também a sociedade.
O gigantismo das igrejas urbanas de classe média, cujos pastores são cada vez mais parecidos com executivos, é parte desse problema da cultura do crescimento?
Eu, pessoalmente, não sou entusiasta de igrejas enormes, mas não me oponho a elas. Temos grandes ministérios, que precisam ser gerenciados de maneira diferente – mas o problema não é este, especificamente. É uma questão de visão pessoal. Se a igreja está levando pessoas a serem como Cristo, a se tornarem obedientes a ele, preocupadas com o próximo e ativas no serviço social, não há problema se ela é grande ou pequena. Acho que até existe mesmo espaço para um papel de executivo dentro da liderança das congregações. O problema é o momento em que se direciona o ministério com técnicas do mundo executivo, visando a desenvolver estratégias para o crescimento da igreja, e esse processo tira nosso foco de Jesus e do que ele disse.
O senhor escreveu seu livro mais famoso há mais de trinta anos. Algo mudou de lá para cá?
Eu acho que os cristãos evangélicos, na média, são muito mais materialistas hoje do que quando escrevi o livro. Essa é a notícia ruim. A boa é que há um grande crescimento da preocupação evangélica com os pobres. O próprio livro é um exemplo disso – numa eleição dos livros cristãos mais importantes dos últimos 50 anos, minha obra ficou na sétima posição. Isso pode não dizer muito, mas mostra que ao menos há uma preocupação com o tema, um crescimento da ação evangélica nessa área. Basta ver a Visão Mundial, uma entidade cristã que tomava conta de alguns orfanatos no passado e que hoje tem um orçamento de dois bilhões de dólares por ano. No entanto, esses cristãos comprometidos com justiça social ainda são minoria. Hoje, o cristão médio – e volto a lembrar que refiro-me ao crente americano, pois não possuo tanta informação sobre a Igreja no Brasil – é mais rico e mais materialista do que o da geração anterior. Mas os dados mostram que estamos doando bem menos do que há tempos atrás. O crente de hoje doa apenas 40% do que os cristãos de algumas décadas atrás. E esse índice tem caído ano a ano.
Essa percepção é a mesma nos países do Terceiro Mundo?
É diferente, mas aqui já é possível começar a ver uma classe média evangélica. O que eu acho preocupante é que a teologia da prosperidade é tão ruim aqui como nos Estados Unidos.
Algumas estatísticas preveem que até a metade deste século o Brasil será uma nação de maioria evangélica. Isso faz diferença?
Num certo nível, é irrelevante quantas pessoas dizem ser evangélicas. O importante é saber quantas pessoas vivem como Jesus e acreditam nele como Senhor e Salvador. Que diferença faz se metade de um país se confessa evangélica, se a taxa de divórcios nessa comunidade é igual à do resto da sociedade? Por outro lado, ainda que sejamos minoria, se liderarmos o combate à pobreza, se defendermos a criação de Deus, combatermos o racismo e afirmarmos a dignidade de setores marginalizados, aí, sim, estaremos mudando a sociedade e sua cultura. Isso seria verdadeiramente significativo! Mas se tivermos uma maioria evangélica e ela viver como os outros, qual a importância?
O senhor fala abertamente em um diálogo entre evangélicos e católicos. Isso pode funcionar?
Veja o que acontece nos Estados Unidos. Por uns 200 anos, católicos e evangélicos disseram coisas horríveis uns dos outros, mas depois que a Corte Suprema legalizou o aborto, em 1973, os protestantes descobriram que os católicos haviam trabalhado duro contra a aprovação. Então, perceberam que era possível se unir a eles com relação à defesa da vida, porque algumas posições como essa eram comuns aos dois grupos. Ao mesmo tempo, os evangélicos perceberam que os liberais que não acreditavam na ressurreição de Jesus ou na sua divindade, por exemplo, eram protestantes. Ou seja, estavam no mesmo barco, mas eram muito mais distantes. Mesmo não concordando com os católicos acerca do papel do papa, da natureza de Maria ou a ação dos santos – que são pontos importantes de discordância –, descobrimos pontos em comum também muito importantes com eles, até mais do que com os liberais. O resultado é que o diálogo e a cooperação aumentaram, e há muito diálogo acontecendo, mesmo sem querer unificar todos em uma só Igreja.
Mas aqui no Brasil os liberais não têm muita força, ao contrário dos EUA. Essa agenda mútua, por si só, pode aproximar os dois grupos?
Eu penso que o forte secularismo da sociedade contemporânea e a hostilidade que hoje existe ao cristianismo vai poder unir católicos e evangélicos. Isso é um desafio.
O senhor foi um opositor do governo do presidente George W. Bush, que contou com forte apoio protestante. Sente-se parte de uma minoria dentro da Igreja Evangélica americana?
Temos de começar com a história americana. Na fundação do nosso país, existia uma imagem da nação como um “novo Israel”, e que esse novo país era especial para Deus. Havia uma ideia de que os EUA surgiram no plano divino com um propósito especial. Então, há uma conexão muito forte do nacionalismo americano com o evangelicalismo. E o evangélico americano, na média, não tem sido bom em perceber as virtudes e defeitos da América, especialmente em termos de política externa. Os evangélicos em meu país aceitam tudo sem criticar – resultado, em parte, do período anticomunista, em que o ato de criticar era visto como falta de patriotismo. Por isso que, quando Bush foi à guerra, a maioria ficou do seu lado. Hoje, nós somos a nação mais poderosa que o mundo já viu desde o Império Romano. Mas é imoral querer dizer para outros povos “vocês vão fazer isso, queiram ou não”, como temos feito.
Qual sua visão sobre o governo Obama?
O presidente Obama já tem demonstrado que quer trabalhar em cooperação com outros países. O governo tem dito coisas como “vamos conversar com os inimigos e trabalhar com os aliados”. Isso representa uma mudança de rumo muito grande. Agora, se você me perguntar se Obama é um cristão genuíno, eu diria que sim; mas ele é um evangélico? Não. Eu acho que ele tem as dúvidas típicas de quem esteve nas maiores universidades do país, onde eu também estive [risos].
Aos 70 anos de idade, o senhor se considera um cristão inconformado?
Olha, como eu gosto da história da Igreja, que é o meu campo de formação, ela me ensinou que a maior tentação do cristianismo durante todos esses séculos foi o de se conformar com a cultura vigente e deixar de seguir Jesus, vivendo de maneira bíblica. Os exemplos são muitos, desde a Igreja medieval. Nós temos sempre que nos perguntar onde essa cultura satisfaz a Deus e onde precisa ser modificada, à luz da Bíblia. Nós precisamos adotar uma posição de permanente crítica ao establishment. O problema é que os cristãos, ao longo da história, começaram a abraçar a cultura ocidental. Devagar, sem perceber, começamos a fazer parte dela. O problema que vejo hoje nessa cultura é o individualismo. Isso vai de encontro ao que a Bíblia define como comunidade. Quando as pessoas procuram a web, ou redes sociais, na verdade buscam uma comunidade – e a Igreja de Cristo tem a obrigação de adotar uma visão bíblica que valorize o indivíduo, mas também a de ser o lugar onde uma comunidade é oferecida. Ali, o amor dos irmãos e suas necessidades devem ser compartilhados, assim como os bens materiais, e os marginalizados precisam ser acolhidos. Onde existe solidão, a Igreja precisa oferecer uma solução.
No início da entrevista, o senhor falou que sua alma tem dois lados convivendo dentro dela – um otimista e outro pessimista. Qual é o mais forte?
Eu tenho, sim, uma grande esperança. Sei que Jesus está vivo e que Deus está no controle. Sei também que ele continua a sua obra com graça, mesmo nos momentos mais difíceis. E assim, sou esperançoso. Não no curto prazo, pois temos motivos para nos preocupar, mas a longo prazo. Sei aonde a história nos levará e que tudo será transformado e feito novo.
George Guilherme
Cristianismo e Responsabilidade Social
Cristianismo e Responsabilidade Social
Carlos Queiroz
As comunidades de Jesus Cristo são chamadas à obediência na luta
pela justiça e na prática da misericórdia
Sempre que se fala de espiritualidade, pressupõe-se uma experiência humana no campo
religioso e subjetivo da fé, alienada às demais experiências da vida. No cristianismo,
quando se aborda sobre responsabilidade social, a ênfase recai no ativismo enquanto serviço
prestado ao próximo, seja pela proclamação do Evangelho, seja pelas obras de misericórdia e
justiça. Contudo, espiritualidade e responsabilidade social são eixos paralelos do
mandamento principal das Escrituras: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo”
(Mateus 22.37-39).
Assim, amar a Deus é uma missão espiritual, do mesmo modo que amar ao próximo é o exercício
de uma espiritualidade missionária a serviço do outro. Estas duas manifestações cristãs
evidenciam-se de forma interativa e interdependente. Por conta dessa interação, a
espiritualidade cristã precisa sempre encontrar o seu caminho devocional em missão ao
próximo. A espiritualidade pode ser entendida como uma experiência humana no campo da fé e a
responsabilidade social e política, como uma resposta ética dessa mesma fé.
As relações sociais, políticas, econômicas e religiosas da sociedade em que estamos
inseridos anunciam ou denunciam a espiritualidade desta mesma sociedade. Espiritualidade e
responsabilidade social confluem-se na vida e natureza da Igreja de Jesus Cristo. De um modo
geral, na cristandade, tem havido muita contradição entre a mesa do pobre e o altar suntuoso
dos cristãos – e a falta de pão na primeira pode ser uma denúncia da ausência de
espiritualidade no segundo. Acontece que a responsabilidade social cristã não pode tornar-se
apenas um serviço voltado para o problema da falta de pão para os pobres, ao mesmo tempo que
a espiritualidade não deve ser uma tarefa exclusiva em torno do altar.
Mais grave do que esta dicotomia é a constatação de que o cristianismo brasileiro, mesmo que
numericamente significativo, não tenha conseguido responder, na mesma proporção de seu
avanço quantitativo, às demandas de nossa sociedade, especialmente no que diz respeito à
promoção da justiça. No contexto brasileiro, há várias práticas espirituais em diversas
comunidades cristãs que evidenciam distorções e limitações na atividade missionária da
Igreja. Se considerarmos a responsabilidade social e política da Igreja Evangélica como um
desdobramento das práticas espirituais expostas nas vitrines no cenário religioso
brasileiro, precisaremos rever com qual evangelho estamos comprometidos. Há uma
espiritualidade de fetiche, marcada pela magia e crença no poder de objetos e amuletos.
Nessa espiritualidade superficial e alienada do pão de cada dia para todos, a solução dos
problemas e demandas da vida tendem a ser individualizada. Assim, a responsabilidade social
da igreja tende a ser vista como uma interferência exclusiva pela via do milagre, e não como
desdobramento de uma práxis evangélica transformadora.
Já outros grupos exercitam uma espiritualidade marcada pela supervalorização da estética em
detrimento da ética. O serviço religioso é elaborado com todos os sinais externos de pompa e
espetáculo. A espiritualidade é meramente ritualista, superficial, predispondo seus
praticantes a uma missão que gira em torno do sucesso e popularidade de seus sacerdotes ou
do reconhecimento de suas obras cultuais. A manjedoura, o jumento e a cruz são, no máximo,
símbolos; mas os pobres recém-nascidos, os que possuem meios limitados de transportes e os
que continuam em processo de crucificação em nada desfrutam de uma espiritualidade
depreciadora da ética – isso quando a causa do pobre não é mera bandeira institucional e
publicitária a serviço da imagem pública da instituição.
As comunidades de Jesus Cristo devem ser motivadas pelo amor a Deus e às pessoas, e não pelo
amor ao dinheiro. Elas são chamadas à obediência na luta pela justiça e na prática da
misericórdia. Para vencer o mal que se manifesta nas estruturas e conjunturas sociais,
políticas, econômicas e culturais, elas buscam nos instrumentos estabelecidos pela sociedade
civil os mecanismos para tornar a justiça um rio permanente. Numa democracia, as autoridades
são todas as instâncias de poder para a prática do bem, conforme Romanos 13. Desse modo, uma
igreja socialmente responsável se utilizará dos instrumentos democráticos para que a sua
espiritualidade em missão tenha incidência nas políticas públicas, nos direitos do cidadão e
nos testemunhos de boas obras e prática da justiça.
No Evangelho ensinado por Jesus, oramos no quarto secreto (tameion) ao Pai nosso que está
nos céus, numa espiritualidade transcendente, pessoal e íntima que tem necessariamente
implicações nas vivências públicas – afinal, a Igreja é o sal da terra e a luz do mundo. A
oração ao Pai nosso é ao Pai da comunidade e na comunidade. Na Oração Dominical, quando se
pede o pão nosso de cada dia, pede-se num gesto espiritual de oração por um bem social que
pode ser acumulado ou socializado. Assim, espiritualidade e responsabilidade social são
manifestações transcendentes e ao mesmo tempo inseridas nas realidades que vão se tornando
história.
Fonte: Revista Cristianismo Hoje
http://cristianismohoje.com.br/ c
Carlos Queiroz
As comunidades de Jesus Cristo são chamadas à obediência na luta
pela justiça e na prática da misericórdia
Sempre que se fala de espiritualidade, pressupõe-se uma experiência humana no campo
religioso e subjetivo da fé, alienada às demais experiências da vida. No cristianismo,
quando se aborda sobre responsabilidade social, a ênfase recai no ativismo enquanto serviço
prestado ao próximo, seja pela proclamação do Evangelho, seja pelas obras de misericórdia e
justiça. Contudo, espiritualidade e responsabilidade social são eixos paralelos do
mandamento principal das Escrituras: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo”
(Mateus 22.37-39).
Assim, amar a Deus é uma missão espiritual, do mesmo modo que amar ao próximo é o exercício
de uma espiritualidade missionária a serviço do outro. Estas duas manifestações cristãs
evidenciam-se de forma interativa e interdependente. Por conta dessa interação, a
espiritualidade cristã precisa sempre encontrar o seu caminho devocional em missão ao
próximo. A espiritualidade pode ser entendida como uma experiência humana no campo da fé e a
responsabilidade social e política, como uma resposta ética dessa mesma fé.
As relações sociais, políticas, econômicas e religiosas da sociedade em que estamos
inseridos anunciam ou denunciam a espiritualidade desta mesma sociedade. Espiritualidade e
responsabilidade social confluem-se na vida e natureza da Igreja de Jesus Cristo. De um modo
geral, na cristandade, tem havido muita contradição entre a mesa do pobre e o altar suntuoso
dos cristãos – e a falta de pão na primeira pode ser uma denúncia da ausência de
espiritualidade no segundo. Acontece que a responsabilidade social cristã não pode tornar-se
apenas um serviço voltado para o problema da falta de pão para os pobres, ao mesmo tempo que
a espiritualidade não deve ser uma tarefa exclusiva em torno do altar.
Mais grave do que esta dicotomia é a constatação de que o cristianismo brasileiro, mesmo que
numericamente significativo, não tenha conseguido responder, na mesma proporção de seu
avanço quantitativo, às demandas de nossa sociedade, especialmente no que diz respeito à
promoção da justiça. No contexto brasileiro, há várias práticas espirituais em diversas
comunidades cristãs que evidenciam distorções e limitações na atividade missionária da
Igreja. Se considerarmos a responsabilidade social e política da Igreja Evangélica como um
desdobramento das práticas espirituais expostas nas vitrines no cenário religioso
brasileiro, precisaremos rever com qual evangelho estamos comprometidos. Há uma
espiritualidade de fetiche, marcada pela magia e crença no poder de objetos e amuletos.
Nessa espiritualidade superficial e alienada do pão de cada dia para todos, a solução dos
problemas e demandas da vida tendem a ser individualizada. Assim, a responsabilidade social
da igreja tende a ser vista como uma interferência exclusiva pela via do milagre, e não como
desdobramento de uma práxis evangélica transformadora.
Já outros grupos exercitam uma espiritualidade marcada pela supervalorização da estética em
detrimento da ética. O serviço religioso é elaborado com todos os sinais externos de pompa e
espetáculo. A espiritualidade é meramente ritualista, superficial, predispondo seus
praticantes a uma missão que gira em torno do sucesso e popularidade de seus sacerdotes ou
do reconhecimento de suas obras cultuais. A manjedoura, o jumento e a cruz são, no máximo,
símbolos; mas os pobres recém-nascidos, os que possuem meios limitados de transportes e os
que continuam em processo de crucificação em nada desfrutam de uma espiritualidade
depreciadora da ética – isso quando a causa do pobre não é mera bandeira institucional e
publicitária a serviço da imagem pública da instituição.
As comunidades de Jesus Cristo devem ser motivadas pelo amor a Deus e às pessoas, e não pelo
amor ao dinheiro. Elas são chamadas à obediência na luta pela justiça e na prática da
misericórdia. Para vencer o mal que se manifesta nas estruturas e conjunturas sociais,
políticas, econômicas e culturais, elas buscam nos instrumentos estabelecidos pela sociedade
civil os mecanismos para tornar a justiça um rio permanente. Numa democracia, as autoridades
são todas as instâncias de poder para a prática do bem, conforme Romanos 13. Desse modo, uma
igreja socialmente responsável se utilizará dos instrumentos democráticos para que a sua
espiritualidade em missão tenha incidência nas políticas públicas, nos direitos do cidadão e
nos testemunhos de boas obras e prática da justiça.
No Evangelho ensinado por Jesus, oramos no quarto secreto (tameion) ao Pai nosso que está
nos céus, numa espiritualidade transcendente, pessoal e íntima que tem necessariamente
implicações nas vivências públicas – afinal, a Igreja é o sal da terra e a luz do mundo. A
oração ao Pai nosso é ao Pai da comunidade e na comunidade. Na Oração Dominical, quando se
pede o pão nosso de cada dia, pede-se num gesto espiritual de oração por um bem social que
pode ser acumulado ou socializado. Assim, espiritualidade e responsabilidade social são
manifestações transcendentes e ao mesmo tempo inseridas nas realidades que vão se tornando
história.
Fonte: Revista Cristianismo Hoje
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009
“Naming the Names, a Biblical Approach”, de Kevin Reeves.
Kevin Reeves
Nos dias de hoje centenas de falsos ensinos assaltam tanto a igreja como a Escritura e, portanto, isso exige um minucioso exame de como devem ser tratados os que promovem as falsas doutrinas.
Embora pessoa alguma, com um sincero desejo de servir a Cristo, deseje ardentemente acusar outro irmão de estar cometendo erros em seu ministério, os profetas do Velho Testamento, o próprio Senhor Jesus Cristo e os apóstolos deixaram claro que muitos viriam em o nome do Senhor, professando segui-Lo e, contudo, pelos seus ensinos fraudulentos, negando-O ou apresentando uma imagem deturpada de Deus, bem diferente daquela que nos é apresentada na Escritura Sagrada. Paulo disse: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18-19).
Falsos mestres, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos irmãos podem danificar e até mesmo destruir a simplicidade da fé em Cristo: “... tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Jesus avisou que muitos seriam enganados por aqueles que afirmam falar em o nome de Deus (Mateus 24:5, 11, 24). Tendo sido um cristão que esteve à frente de falsos movimentos e que por ignorância promoveu o erro durante 12 anos, conheço de sobra o perigo que a nossa fé pode correr com a redefinição do Cristianismo e a apresentação de um “outro Jesus”. A heresia não é um brinquedo. Ela é uma mentira propalada com o objetivo de destruir o relacionamento entre o Salvador e o salvo, levando as confiantes ovelhas para um deserto repleto de predadores.
Nomear pessoas especificamente envolvidas na promoção de heresias ou doutrinas não bíblicas é, e deveria ser, a última e desconfortável atitude a ser tomada, e somente depois de muitas tentativas de reconciliação. Todo mundo pode cometer erros e somente diante de uma atitude de rebeldia, de falta de arrependimento e de mentalidade elitista demonstradas pelo irmão errado no sentido de raciocinar e de aceitar a verdade, é que nos dispomos a vir a público, numa hora de absoluta necessidade. Se um ladrão, um vândalo ou coisa pior residisse próximo à sua casa, será que você não gostaria de saber o seu nome e de onde ele veio, a fim de proteger sua família do perigo? Muito mais em se tratando de assuntos espirituais - itens de significação eterna - devemos proteger nossas almas e as almas das pessoas que nos foram confiadas pelo Senhor!
O perigo inerente de coabitar com a heresia jamais pode ser exageradamente exposto. O erro desconsiderado sempre tende a “corroer como gangrena” o Corpo de Cristo, a igreja (2 Timóteo 2:17-18). A heresia se especializa em negar a verdade e em desacreditar a exata história da antiga nação de Israel, cujas renovadas simpatias pelos falsos deuses e pelos falsos profetas levaram a nação a colher uma completa destruição de sua fé em Deus e, conseqüentemente, o julgamento do Senhor. Parece que nos esquecemos da admoestação contida em Romanos 15:4: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”.
Embora os fracassos de Israel fossem registrados para nos servirem de admoestação, muitos cristãos acreditam estar isentos do mesmo tipo de engodo. Os falsos profetas têm sido sempre os heróis do povo, tornando tortuoso o caminho do Senhor e conduzindo as pessoas à depravação. Eles: “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Romanos 1:23).
Conquanto a atual sofisticação entre os nossos falsos profetas e falsos mestres [evangélicos] já não possa incluir o uso de ídolos de pedra e madeira, mesmo assim eles pintam suas imagens de Deus com palavras que excitam a imaginação humana, redefinindo o objeto da adoração. Mesmo os que inadvertidamente ensinam o contrário do Evangelho de Cristo, acreditando que os seus ensinos são a verdadeira revelação, estão conduzindo multidões por um tenebroso caminho que as afasta cada dia mais da verdade. Apesar da sua sinceridade, eles se tornaram inimigos da fé e, a não ser que cheguem a um sincero arrependimento, abandonando o erro, irão naufragar na fé, levando muitos outros com eles: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (1 Timóteo 1:29).
Nesta época de “tolerância”, muitos cristãos têm se inclinado a praticar o mal, minimizando o seu dano. Aspergida com um ensino bíblico misto de honestidade e bondade, a heresia logo se torna agradável ao paladar, principalmente quando alimenta a auto-imagem e o desejo de possuir poder da parte de quem a escuta. A “comichão nos ouvidos” (2 Timóteo 4:3-4) tem se tornado o passatempo religioso nacional. Muitos têm preferido escutar fantásticas fábulas (verso 4), com uma ligeira camada de verniz cristão, em vez de escutar a dura verdade que exige a morte do ego.
Mesmo assim, o nosso Deus não está dormindo e o cristão sincero e humilde ainda consegue escutar a voz do seu Pastor e os de coração sensível ainda podem sentir a tristeza do Espírito Santo, quando o falso evangelho é apresentado como genuíno. Mas, infelizmente, a rota mais fácil é manter o “status quo”, mesmo diante da violência feita às Sagradas Escrituras. Os cristãos são anulados pelas constantes ameaças vindas dos púlpitos locais e nacionais, com a frase: “Não toqueis nos ungidos do Senhor!” e o medo de apedrejar o barco pode silenciar até mesmo o mais sincero crente em Cristo. Contudo, ao mesmo tempo em que existe um caminho mais fácil para quem se torna um ditador, suplantando o conhecimento de Deus com uma falsa piedade que ameniza o pecado, por outro lado o seu pecado deve ser amenizado, quando cometido na presença de alguém. Quando se dobram os joelhos tornando-se compromissados com o erro, eles ficarão dobrados até que aconteça o verdadeiro arrependimento e se volte para a única verdade que liberta do engodo.
O fato é que mesmo com todo o polimento da falsa teologia com eufemismos açucarados, ela não consegue esconder o seu veneno. A moda agora é dizer que um falso mestre foi “mal interpretado”, passando-se por cima do óbvio erro doutrinário que ele cometeu. Porém é bíblico chamar de falso o que é falso, tanto o homem como o seu ensino, dando nomes aos bois. E nenhuma das nomeações colocadas sobre os ombros dos falsos mestres pode ser considerada boa. E nem poderia ser. Um homem que deliberadamente refuta os outros com a sua própria lepra consumidora deve ser confrontado com o fato de sua moléstia e de sua necessidade de quarentena, para o seu próprio bem e dos seus seguidores. O mínimo que ele deveria fazer seria evitar o contágio a quem assiste a difusão do seu erro doutrinário.
Com fervoroso vigor apologético, a igreja primitiva fez guerra contra os que pervertiam a fé em Cristo. Qualquer um que se recusasse a agir assim, seria considerado um mercenário e culpado de grosseira covardia (João 10:12).
Os que são fiéis ao bom Pastor jamais hesitarão em usar o seu pessoal para afugentar os lobos do rebanho que precisa de proteção.
Na arena pessoal, é o caso de indagar: por que perturbar as crenças de um irmão que não é líder na comunidade cristã? Enquanto ele não estiver ensinando os outros, a mania teológica do “não julgue” nos leva a deixá-lo em paz. Ironicamente, a Bíblia narra esse tipo de pensamento na boca do primeiro assassino: “sou eu guardador do meu irmão?” (Gênesis 4:9). A resposta sarcástica de Caim nos diz que ele já conhecia a resposta: De fato, somos todos “guardadores do nosso irmão”. Se nós o amamos “não apenas de língua, mas por obra e em verdade” (1 João 3:18), precisamos informá-lo sobre o seu erro. De suas crenças vai depender o caminho no qual ele vai andar, caminho que poderá conduzi-lo a um precipício e atirá-lo ao abismo da heresia. O mesmo é verdade para todos nós. Conforme a crença que guardamos no coração, por ela viveremos e isso poderá determinar o nosso destino eterno.
Mesmo que a exposição do erro de um irmão não seja necessária, enquanto ele não se tornar um líder na congregação da igreja, a separação bíblica continua sendo aconselhada como uma resposta aos que se autodenominam cristãos e, contudo, vivem da mesma maneira ímpia como vivem os não regenerados: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1 Coríntios 5:9-11).
Aos olhos de Deus
Poderia ser útil observar pessoalmente como os falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são retratados na Escritura. O Deus da Bíblia faz certas referências específicas, escritas para todas as gerações, e nenhuma dúvida há na seriedade com que Ele vê os que pervertem o Seu caráter, Seus caminhos e Sua Palavra:
Pastores brutais - Ezequiel 34:1-22.
Lobos - Mateus 7:15.
Joio - Mateus 13:25.
Raça de víboras - Mateus 23:33.
Ladrão e salteador - João 10:1.
Mercenário - João 10:12.
Ministros de satanás 2 Coríntios 11:15.
Animais irracionais - 2 Pedro 2:12.
Ímpios - Judas 4
Ondas impetuosas do mar - (Judas 13).
Contaminadores - (Judas 8).
Manchas em festas de amor - (Judas 12).
Duas vezes mortos - (Judas 12).
Velho Testamento
Referências feitas aos falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são por demais abundantes nas páginas do Velho Testamento. Vamos nos concentrar em apenas algumas, tentando especificar indivíduos tratados e nomeados pelo Senhor:
Números 16 - Datã, Abirão e Coré foram publicamente censurados por Moisés (verso 26) e engolidos pela terra em julgamento divino (versos 31-32).
1 Reis 22:11, 24, 25 - O falso profeta Zedequias foi censurado e julgado por Micaías.
Jeremias 29:31-32 - O falso profeta Semaías morreu, após a censura do Senhor, feita através de Jeremias.
Grande parte do Livro de Jeremias é gasto na censura aos falsos profetas que desviaram Israel do caminho do Senhor, tendo levado o povo a adorar os ídolos - Jeremias 2:8 e 5:30-31.
Ezequiel 8:8-11 - Falsos anciãos de Israel expostos, inclusive Jahazanias.
Ezequiel 11: 1-13 - Falsos irmãos expostos e um deles, Penatias, morreu. Além destes, grande parte do tempo de Ezequiel foi gasto em profetizar contra:
Os falsos irmãos (Ez. 11:4).
Os falsos profetas (Ez. 13:16-17).
Os falsos pastores (Ez. Capítulo 34).
Grande parte do Livro de Isaías também é devotado às censuras feitas pelo Senhor contra os falsos profetas que estavam levando Israel à apostasia contra Deus, adorando os ídolos (Isaías 9:15 e 28:7).
Novo Testamento
Mateus 23 - Jesus censurou publicamente os fariseus pela sua hipocrisia e adoração a Deus, conforme a maneira dos homens, e pela distorção das Escrituras.
Romanos 16:17 - Paulo condena os que promoviam divisões contrárias à doutrina cristã, mandando evitá-los.
1 Coríntios 4:18 - Também todo o capítulo 5 - Paulo condena os orgulhosos que eram muitos, inclusive censurando um membro da congregação que havia cometido pecado público, o qual ele manda que seja expulso da igreja e entregue a Satanás.
2 Coríntios 10:8-11; 11:1-4; 12-15 e 20-23 - Falsos apóstolos denunciados por estarem pregando “outro Jesus” na congregação.
Gálatas 1: 1-8 - Falsos irmãos trazendo a circuncisão às igrejas da Galácia.
Gálatas 2:11-13 - Mesmo não se tratando de falsos irmãos, Paulo censurou publicamente Pedro e Barnabé por causa de sua hipocrisia.
1 Timóteo 1:3-4 - Paulo ordena a Timóteo que ele detenha os que estão pregando falsas doutrinas.
1 Timóteo 1:19-20 - Himineu e Alexandre foram entregues pelo apóstolo Paulo a Satanás por causa de sua blasfêmia.
1 Timóteo 5:19-20 - Censurados publicamente os que cometiam pecados grosseiros.
2 Timóteo 4:14 - Paulo admoesta Timóteo para se acautelar contra Alexandre, o latoeiro, que muito se opunha ao Evangelho.
Tito 1:9-16 - Recomendação a Timóteo para que censure os falsos mestres, os quais deveriam ser interrompidos por estarem causando graves danos ao Corpo de Cristo.
3 João: 9-10 - Diótrefes se opondo a João e controlando os membros da igreja.
Apocalipse 2:14 - Em Pérgamo, alguns aderem aos ensinos de Balaão e outros mantêm os ensinos dos nicolaítas, os quais Jesus odeia.
Apocalipse 2:20 - Jezabel, a falsa profetisa na congregação de Tiatira, era conhecida de todos, por ser ativa na igreja.
Existem muitas outras Escrituras, as quais mesmo não nomeando indivíduos culpados de ensinar falsas doutrinas ou de viver em ostensivo pecado, esses eram bem conhecidos dentro da congregação. Nesse caso era nomeada a igreja em determinada área, e todos ficavam sabendo quem estava sendo apontado pelas cartas de Paulo.
A igreja de hoje está quase devastada pelos que afirmam trazer novas revelações, uma “palavra nova” do Senhor, o que não pode ser respaldado nas Escrituras. Entre esses homens estão Rick Joyner, cujas visões de anjos, de demônios vomitando e de um “Jesus” contradizendo as Escrituras têm conduzido multidões pelo caminho da falsa sabedoria e autoridade; Kenneth Copeland, que nega a suficiência do sangue de Cristo e cujo “Jesus” precisou nascer de novo no inferno, após ter assumido a natureza de Satanás; Benny Hinn, cuja apresentação nos palcos leva tantas pessoas a crer que ele é um legítimo mensageiro de Deus, até mesmo quando ele, sob uma falsa unção, se enfurece e profere, publicamente, maldições contra os seus adversários, numa voz gutural e sibilante.
Estes são apenas alguns exemplos dos ministros de elevado perfil, que estão pervertendo os registros bíblicos. Suas doutrinas e demonstrações de falsos sinais e maravilhas têm produzido um verdadeiro enxame de imitadores, desde o pastor local, imitando fielmente os seus ídolos, até as mais confusas ovelhas, que se assentam nos bancos, sendo obrigadas pela liderança da igreja a proclamar um “outro evangelho”, contrário ao que Cristo ensinou, o qual elas haviam aprendido e no qual creram e tanto amaram [antes de descambar no erro doutrinário].
O tempo de silenciar já passou há muito. A ameaça de Ananias e Safira já não pode mais ser usada para bestificar os verdadeiros crentes na cruz de Cristo. Mas a intimidação tão usada e abusada do “não toqueis nos meus ungidos” tem crescido ao extremo. Se o preço de falar a verdade for a condenação da nossa comunidade religiosa, que assim seja. A perda da influência, do status e do respeito significa uma ninharia quando comparada à glória de sofrer pelo nosso Senhor. As palavras que Cristo tem falado através das eras continuam tão fortes agora como eram, quando foram impressas pela primeira vez nas páginas da Bíblia: “Por que estais ociosos todo o dia?” (Mateus 20:6). Conhecer a verdade e não agir em favor da mesma é o mesmo que se tornar cúmplice do pecado.
Muito mais tem sido patrocinado às assim chamadas “vozes proféticas” de hoje. Gritos de “paz, paz”, quando não há paz, ecoam nos corações vazios daqueles que anseiam pela reconfortante Palavra da Verdade, a qual não conseguem encontrar entre os vendilhões do Templo. O tilintar das moedas vai comprando o silêncio, à custa do engodo das multidões. Os legítimos profetas de Deus censuraram a heresia, com as suas palavras cortando a carunchosa madeira da falsa doutrina. Reis, sacerdotes e falsos profetas sentiram os golpes do machado. Os “ungidos do Senhor” (os verdadeiros profetas do VT) puderam tocar os outros “ungidos do Senhor” (Reis e sacerdotes) e também tocaram aqueles [falsos profetas] que haviam conseguido o respeito dos crentes com a sua fingida lealdade ao Senhor.
Uma plenitude de passagens, tanto do Velho como do Novo Testamento, ensina como trazer luz ao que é falso, a fim de que a falsidade seja desmantelada. Efésios 5:11 diz: “E não vos comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as”. A escolha é nossa em obedecer, mesmo sofrendo as conseqüências, pois o resultado do erro doutrinário é a destruição da vida espiritual do povo de Deus, o qual é levado à prostituição espiritual. Efésios 5:11 não é uma sugestão ou desafio, mas uma ordem. Se obedecermos corretamente essa ordem, poderemos contar com a integridade e a coragem bíblica da próxima geração de cristãos.
Artigo “Naming the Names, a Biblical Approach”, de Kevin Reeves.
kreeves@aptalaska.net
Traduzido por Mary Schultze, em 16/08/2007.
http://www.cpr.org.br/Mary.htm
Dando nomes aos bois
(uma proposta bíblica)
Kevin Reeves
Nos dias de hoje centenas de falsos ensinos assaltam tanto a igreja como a Escritura e, portanto, isso exige um minucioso exame de como devem ser tratados os que promovem as falsas doutrinas.
Embora pessoa alguma, com um sincero desejo de servir a Cristo, deseje ardentemente acusar outro irmão de estar cometendo erros em seu ministério, os profetas do Velho Testamento, o próprio Senhor Jesus Cristo e os apóstolos deixaram claro que muitos viriam em o nome do Senhor, professando segui-Lo e, contudo, pelos seus ensinos fraudulentos, negando-O ou apresentando uma imagem deturpada de Deus, bem diferente daquela que nos é apresentada na Escritura Sagrada. Paulo disse: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18-19).
Falsos mestres, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos irmãos podem danificar e até mesmo destruir a simplicidade da fé em Cristo: “... tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Jesus avisou que muitos seriam enganados por aqueles que afirmam falar em o nome de Deus (Mateus 24:5, 11, 24). Tendo sido um cristão que esteve à frente de falsos movimentos e que por ignorância promoveu o erro durante 12 anos, conheço de sobra o perigo que a nossa fé pode correr com a redefinição do Cristianismo e a apresentação de um “outro Jesus”. A heresia não é um brinquedo. Ela é uma mentira propalada com o objetivo de destruir o relacionamento entre o Salvador e o salvo, levando as confiantes ovelhas para um deserto repleto de predadores.
Nomear pessoas especificamente envolvidas na promoção de heresias ou doutrinas não bíblicas é, e deveria ser, a última e desconfortável atitude a ser tomada, e somente depois de muitas tentativas de reconciliação. Todo mundo pode cometer erros e somente diante de uma atitude de rebeldia, de falta de arrependimento e de mentalidade elitista demonstradas pelo irmão errado no sentido de raciocinar e de aceitar a verdade, é que nos dispomos a vir a público, numa hora de absoluta necessidade. Se um ladrão, um vândalo ou coisa pior residisse próximo à sua casa, será que você não gostaria de saber o seu nome e de onde ele veio, a fim de proteger sua família do perigo? Muito mais em se tratando de assuntos espirituais - itens de significação eterna - devemos proteger nossas almas e as almas das pessoas que nos foram confiadas pelo Senhor!
O perigo inerente de coabitar com a heresia jamais pode ser exageradamente exposto. O erro desconsiderado sempre tende a “corroer como gangrena” o Corpo de Cristo, a igreja (2 Timóteo 2:17-18). A heresia se especializa em negar a verdade e em desacreditar a exata história da antiga nação de Israel, cujas renovadas simpatias pelos falsos deuses e pelos falsos profetas levaram a nação a colher uma completa destruição de sua fé em Deus e, conseqüentemente, o julgamento do Senhor. Parece que nos esquecemos da admoestação contida em Romanos 15:4: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”.
Embora os fracassos de Israel fossem registrados para nos servirem de admoestação, muitos cristãos acreditam estar isentos do mesmo tipo de engodo. Os falsos profetas têm sido sempre os heróis do povo, tornando tortuoso o caminho do Senhor e conduzindo as pessoas à depravação. Eles: “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Romanos 1:23).
Conquanto a atual sofisticação entre os nossos falsos profetas e falsos mestres [evangélicos] já não possa incluir o uso de ídolos de pedra e madeira, mesmo assim eles pintam suas imagens de Deus com palavras que excitam a imaginação humana, redefinindo o objeto da adoração. Mesmo os que inadvertidamente ensinam o contrário do Evangelho de Cristo, acreditando que os seus ensinos são a verdadeira revelação, estão conduzindo multidões por um tenebroso caminho que as afasta cada dia mais da verdade. Apesar da sua sinceridade, eles se tornaram inimigos da fé e, a não ser que cheguem a um sincero arrependimento, abandonando o erro, irão naufragar na fé, levando muitos outros com eles: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (1 Timóteo 1:29).
Nesta época de “tolerância”, muitos cristãos têm se inclinado a praticar o mal, minimizando o seu dano. Aspergida com um ensino bíblico misto de honestidade e bondade, a heresia logo se torna agradável ao paladar, principalmente quando alimenta a auto-imagem e o desejo de possuir poder da parte de quem a escuta. A “comichão nos ouvidos” (2 Timóteo 4:3-4) tem se tornado o passatempo religioso nacional. Muitos têm preferido escutar fantásticas fábulas (verso 4), com uma ligeira camada de verniz cristão, em vez de escutar a dura verdade que exige a morte do ego.
Mesmo assim, o nosso Deus não está dormindo e o cristão sincero e humilde ainda consegue escutar a voz do seu Pastor e os de coração sensível ainda podem sentir a tristeza do Espírito Santo, quando o falso evangelho é apresentado como genuíno. Mas, infelizmente, a rota mais fácil é manter o “status quo”, mesmo diante da violência feita às Sagradas Escrituras. Os cristãos são anulados pelas constantes ameaças vindas dos púlpitos locais e nacionais, com a frase: “Não toqueis nos ungidos do Senhor!” e o medo de apedrejar o barco pode silenciar até mesmo o mais sincero crente em Cristo. Contudo, ao mesmo tempo em que existe um caminho mais fácil para quem se torna um ditador, suplantando o conhecimento de Deus com uma falsa piedade que ameniza o pecado, por outro lado o seu pecado deve ser amenizado, quando cometido na presença de alguém. Quando se dobram os joelhos tornando-se compromissados com o erro, eles ficarão dobrados até que aconteça o verdadeiro arrependimento e se volte para a única verdade que liberta do engodo.
O fato é que mesmo com todo o polimento da falsa teologia com eufemismos açucarados, ela não consegue esconder o seu veneno. A moda agora é dizer que um falso mestre foi “mal interpretado”, passando-se por cima do óbvio erro doutrinário que ele cometeu. Porém é bíblico chamar de falso o que é falso, tanto o homem como o seu ensino, dando nomes aos bois. E nenhuma das nomeações colocadas sobre os ombros dos falsos mestres pode ser considerada boa. E nem poderia ser. Um homem que deliberadamente refuta os outros com a sua própria lepra consumidora deve ser confrontado com o fato de sua moléstia e de sua necessidade de quarentena, para o seu próprio bem e dos seus seguidores. O mínimo que ele deveria fazer seria evitar o contágio a quem assiste a difusão do seu erro doutrinário.
Com fervoroso vigor apologético, a igreja primitiva fez guerra contra os que pervertiam a fé em Cristo. Qualquer um que se recusasse a agir assim, seria considerado um mercenário e culpado de grosseira covardia (João 10:12).
Os que são fiéis ao bom Pastor jamais hesitarão em usar o seu pessoal para afugentar os lobos do rebanho que precisa de proteção.
Na arena pessoal, é o caso de indagar: por que perturbar as crenças de um irmão que não é líder na comunidade cristã? Enquanto ele não estiver ensinando os outros, a mania teológica do “não julgue” nos leva a deixá-lo em paz. Ironicamente, a Bíblia narra esse tipo de pensamento na boca do primeiro assassino: “sou eu guardador do meu irmão?” (Gênesis 4:9). A resposta sarcástica de Caim nos diz que ele já conhecia a resposta: De fato, somos todos “guardadores do nosso irmão”. Se nós o amamos “não apenas de língua, mas por obra e em verdade” (1 João 3:18), precisamos informá-lo sobre o seu erro. De suas crenças vai depender o caminho no qual ele vai andar, caminho que poderá conduzi-lo a um precipício e atirá-lo ao abismo da heresia. O mesmo é verdade para todos nós. Conforme a crença que guardamos no coração, por ela viveremos e isso poderá determinar o nosso destino eterno.
Mesmo que a exposição do erro de um irmão não seja necessária, enquanto ele não se tornar um líder na congregação da igreja, a separação bíblica continua sendo aconselhada como uma resposta aos que se autodenominam cristãos e, contudo, vivem da mesma maneira ímpia como vivem os não regenerados: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1 Coríntios 5:9-11).
Aos olhos de Deus
Poderia ser útil observar pessoalmente como os falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são retratados na Escritura. O Deus da Bíblia faz certas referências específicas, escritas para todas as gerações, e nenhuma dúvida há na seriedade com que Ele vê os que pervertem o Seu caráter, Seus caminhos e Sua Palavra:
Pastores brutais - Ezequiel 34:1-22.
Lobos - Mateus 7:15.
Joio - Mateus 13:25.
Raça de víboras - Mateus 23:33.
Ladrão e salteador - João 10:1.
Mercenário - João 10:12.
Ministros de satanás 2 Coríntios 11:15.
Animais irracionais - 2 Pedro 2:12.
Ímpios - Judas 4
Ondas impetuosas do mar - (Judas 13).
Contaminadores - (Judas 8).
Manchas em festas de amor - (Judas 12).
Duas vezes mortos - (Judas 12).
Velho Testamento
Referências feitas aos falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são por demais abundantes nas páginas do Velho Testamento. Vamos nos concentrar em apenas algumas, tentando especificar indivíduos tratados e nomeados pelo Senhor:
Números 16 - Datã, Abirão e Coré foram publicamente censurados por Moisés (verso 26) e engolidos pela terra em julgamento divino (versos 31-32).
1 Reis 22:11, 24, 25 - O falso profeta Zedequias foi censurado e julgado por Micaías.
Jeremias 29:31-32 - O falso profeta Semaías morreu, após a censura do Senhor, feita através de Jeremias.
Grande parte do Livro de Jeremias é gasto na censura aos falsos profetas que desviaram Israel do caminho do Senhor, tendo levado o povo a adorar os ídolos - Jeremias 2:8 e 5:30-31.
Ezequiel 8:8-11 - Falsos anciãos de Israel expostos, inclusive Jahazanias.
Ezequiel 11: 1-13 - Falsos irmãos expostos e um deles, Penatias, morreu. Além destes, grande parte do tempo de Ezequiel foi gasto em profetizar contra:
Os falsos irmãos (Ez. 11:4).
Os falsos profetas (Ez. 13:16-17).
Os falsos pastores (Ez. Capítulo 34).
Grande parte do Livro de Isaías também é devotado às censuras feitas pelo Senhor contra os falsos profetas que estavam levando Israel à apostasia contra Deus, adorando os ídolos (Isaías 9:15 e 28:7).
Novo Testamento
Mateus 23 - Jesus censurou publicamente os fariseus pela sua hipocrisia e adoração a Deus, conforme a maneira dos homens, e pela distorção das Escrituras.
Romanos 16:17 - Paulo condena os que promoviam divisões contrárias à doutrina cristã, mandando evitá-los.
1 Coríntios 4:18 - Também todo o capítulo 5 - Paulo condena os orgulhosos que eram muitos, inclusive censurando um membro da congregação que havia cometido pecado público, o qual ele manda que seja expulso da igreja e entregue a Satanás.
2 Coríntios 10:8-11; 11:1-4; 12-15 e 20-23 - Falsos apóstolos denunciados por estarem pregando “outro Jesus” na congregação.
Gálatas 1: 1-8 - Falsos irmãos trazendo a circuncisão às igrejas da Galácia.
Gálatas 2:11-13 - Mesmo não se tratando de falsos irmãos, Paulo censurou publicamente Pedro e Barnabé por causa de sua hipocrisia.
1 Timóteo 1:3-4 - Paulo ordena a Timóteo que ele detenha os que estão pregando falsas doutrinas.
1 Timóteo 1:19-20 - Himineu e Alexandre foram entregues pelo apóstolo Paulo a Satanás por causa de sua blasfêmia.
1 Timóteo 5:19-20 - Censurados publicamente os que cometiam pecados grosseiros.
2 Timóteo 4:14 - Paulo admoesta Timóteo para se acautelar contra Alexandre, o latoeiro, que muito se opunha ao Evangelho.
Tito 1:9-16 - Recomendação a Timóteo para que censure os falsos mestres, os quais deveriam ser interrompidos por estarem causando graves danos ao Corpo de Cristo.
3 João: 9-10 - Diótrefes se opondo a João e controlando os membros da igreja.
Apocalipse 2:14 - Em Pérgamo, alguns aderem aos ensinos de Balaão e outros mantêm os ensinos dos nicolaítas, os quais Jesus odeia.
Apocalipse 2:20 - Jezabel, a falsa profetisa na congregação de Tiatira, era conhecida de todos, por ser ativa na igreja.
Existem muitas outras Escrituras, as quais mesmo não nomeando indivíduos culpados de ensinar falsas doutrinas ou de viver em ostensivo pecado, esses eram bem conhecidos dentro da congregação. Nesse caso era nomeada a igreja em determinada área, e todos ficavam sabendo quem estava sendo apontado pelas cartas de Paulo.
A igreja de hoje está quase devastada pelos que afirmam trazer novas revelações, uma “palavra nova” do Senhor, o que não pode ser respaldado nas Escrituras. Entre esses homens estão Rick Joyner, cujas visões de anjos, de demônios vomitando e de um “Jesus” contradizendo as Escrituras têm conduzido multidões pelo caminho da falsa sabedoria e autoridade; Kenneth Copeland, que nega a suficiência do sangue de Cristo e cujo “Jesus” precisou nascer de novo no inferno, após ter assumido a natureza de Satanás; Benny Hinn, cuja apresentação nos palcos leva tantas pessoas a crer que ele é um legítimo mensageiro de Deus, até mesmo quando ele, sob uma falsa unção, se enfurece e profere, publicamente, maldições contra os seus adversários, numa voz gutural e sibilante.
Estes são apenas alguns exemplos dos ministros de elevado perfil, que estão pervertendo os registros bíblicos. Suas doutrinas e demonstrações de falsos sinais e maravilhas têm produzido um verdadeiro enxame de imitadores, desde o pastor local, imitando fielmente os seus ídolos, até as mais confusas ovelhas, que se assentam nos bancos, sendo obrigadas pela liderança da igreja a proclamar um “outro evangelho”, contrário ao que Cristo ensinou, o qual elas haviam aprendido e no qual creram e tanto amaram [antes de descambar no erro doutrinário].
O tempo de silenciar já passou há muito. A ameaça de Ananias e Safira já não pode mais ser usada para bestificar os verdadeiros crentes na cruz de Cristo. Mas a intimidação tão usada e abusada do “não toqueis nos meus ungidos” tem crescido ao extremo. Se o preço de falar a verdade for a condenação da nossa comunidade religiosa, que assim seja. A perda da influência, do status e do respeito significa uma ninharia quando comparada à glória de sofrer pelo nosso Senhor. As palavras que Cristo tem falado através das eras continuam tão fortes agora como eram, quando foram impressas pela primeira vez nas páginas da Bíblia: “Por que estais ociosos todo o dia?” (Mateus 20:6). Conhecer a verdade e não agir em favor da mesma é o mesmo que se tornar cúmplice do pecado.
Muito mais tem sido patrocinado às assim chamadas “vozes proféticas” de hoje. Gritos de “paz, paz”, quando não há paz, ecoam nos corações vazios daqueles que anseiam pela reconfortante Palavra da Verdade, a qual não conseguem encontrar entre os vendilhões do Templo. O tilintar das moedas vai comprando o silêncio, à custa do engodo das multidões. Os legítimos profetas de Deus censuraram a heresia, com as suas palavras cortando a carunchosa madeira da falsa doutrina. Reis, sacerdotes e falsos profetas sentiram os golpes do machado. Os “ungidos do Senhor” (os verdadeiros profetas do VT) puderam tocar os outros “ungidos do Senhor” (Reis e sacerdotes) e também tocaram aqueles [falsos profetas] que haviam conseguido o respeito dos crentes com a sua fingida lealdade ao Senhor.
Uma plenitude de passagens, tanto do Velho como do Novo Testamento, ensina como trazer luz ao que é falso, a fim de que a falsidade seja desmantelada. Efésios 5:11 diz: “E não vos comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as”. A escolha é nossa em obedecer, mesmo sofrendo as conseqüências, pois o resultado do erro doutrinário é a destruição da vida espiritual do povo de Deus, o qual é levado à prostituição espiritual. Efésios 5:11 não é uma sugestão ou desafio, mas uma ordem. Se obedecermos corretamente essa ordem, poderemos contar com a integridade e a coragem bíblica da próxima geração de cristãos.
Artigo “Naming the Names, a Biblical Approach”, de Kevin Reeves.
kreeves@aptalaska.net
Traduzido por Mary Schultze, em 16/08/2007.
http://www.cpr.org.br/Mary.htm
Dando nomes aos bois
(uma proposta bíblica)
Kevin Reeves
Nos dias de hoje centenas de falsos ensinos assaltam tanto a igreja como a Escritura e, portanto, isso exige um minucioso exame de como devem ser tratados os que promovem as falsas doutrinas.
Embora pessoa alguma, com um sincero desejo de servir a Cristo, deseje ardentemente acusar outro irmão de estar cometendo erros em seu ministério, os profetas do Velho Testamento, o próprio Senhor Jesus Cristo e os apóstolos deixaram claro que muitos viriam em o nome do Senhor, professando segui-Lo e, contudo, pelos seus ensinos fraudulentos, negando-O ou apresentando uma imagem deturpada de Deus, bem diferente daquela que nos é apresentada na Escritura Sagrada. Paulo disse: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18-19).
Falsos mestres, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos irmãos podem danificar e até mesmo destruir a simplicidade da fé em Cristo: “... tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Jesus avisou que muitos seriam enganados por aqueles que afirmam falar em o nome de Deus (Mateus 24:5, 11, 24). Tendo sido um cristão que esteve à frente de falsos movimentos e que por ignorância promoveu o erro durante 12 anos, conheço de sobra o perigo que a nossa fé pode correr com a redefinição do Cristianismo e a apresentação de um “outro Jesus”. A heresia não é um brinquedo. Ela é uma mentira propalada com o objetivo de destruir o relacionamento entre o Salvador e o salvo, levando as confiantes ovelhas para um deserto repleto de predadores.
Nomear pessoas especificamente envolvidas na promoção de heresias ou doutrinas não bíblicas é, e deveria ser, a última e desconfortável atitude a ser tomada, e somente depois de muitas tentativas de reconciliação. Todo mundo pode cometer erros e somente diante de uma atitude de rebeldia, de falta de arrependimento e de mentalidade elitista demonstradas pelo irmão errado no sentido de raciocinar e de aceitar a verdade, é que nos dispomos a vir a público, numa hora de absoluta necessidade. Se um ladrão, um vândalo ou coisa pior residisse próximo à sua casa, será que você não gostaria de saber o seu nome e de onde ele veio, a fim de proteger sua família do perigo? Muito mais em se tratando de assuntos espirituais - itens de significação eterna - devemos proteger nossas almas e as almas das pessoas que nos foram confiadas pelo Senhor!
O perigo inerente de coabitar com a heresia jamais pode ser exageradamente exposto. O erro desconsiderado sempre tende a “corroer como gangrena” o Corpo de Cristo, a igreja (2 Timóteo 2:17-18). A heresia se especializa em negar a verdade e em desacreditar a exata história da antiga nação de Israel, cujas renovadas simpatias pelos falsos deuses e pelos falsos profetas levaram a nação a colher uma completa destruição de sua fé em Deus e, conseqüentemente, o julgamento do Senhor. Parece que nos esquecemos da admoestação contida em Romanos 15:4: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”.
Embora os fracassos de Israel fossem registrados para nos servirem de admoestação, muitos cristãos acreditam estar isentos do mesmo tipo de engodo. Os falsos profetas têm sido sempre os heróis do povo, tornando tortuoso o caminho do Senhor e conduzindo as pessoas à depravação. Eles: “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Romanos 1:23).
Conquanto a atual sofisticação entre os nossos falsos profetas e falsos mestres [evangélicos] já não possa incluir o uso de ídolos de pedra e madeira, mesmo assim eles pintam suas imagens de Deus com palavras que excitam a imaginação humana, redefinindo o objeto da adoração. Mesmo os que inadvertidamente ensinam o contrário do Evangelho de Cristo, acreditando que os seus ensinos são a verdadeira revelação, estão conduzindo multidões por um tenebroso caminho que as afasta cada dia mais da verdade. Apesar da sua sinceridade, eles se tornaram inimigos da fé e, a não ser que cheguem a um sincero arrependimento, abandonando o erro, irão naufragar na fé, levando muitos outros com eles: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (1 Timóteo 1:29).
Nesta época de “tolerância”, muitos cristãos têm se inclinado a praticar o mal, minimizando o seu dano. Aspergida com um ensino bíblico misto de honestidade e bondade, a heresia logo se torna agradável ao paladar, principalmente quando alimenta a auto-imagem e o desejo de possuir poder da parte de quem a escuta. A “comichão nos ouvidos” (2 Timóteo 4:3-4) tem se tornado o passatempo religioso nacional. Muitos têm preferido escutar fantásticas fábulas (verso 4), com uma ligeira camada de verniz cristão, em vez de escutar a dura verdade que exige a morte do ego.
Mesmo assim, o nosso Deus não está dormindo e o cristão sincero e humilde ainda consegue escutar a voz do seu Pastor e os de coração sensível ainda podem sentir a tristeza do Espírito Santo, quando o falso evangelho é apresentado como genuíno. Mas, infelizmente, a rota mais fácil é manter o “status quo”, mesmo diante da violência feita às Sagradas Escrituras. Os cristãos são anulados pelas constantes ameaças vindas dos púlpitos locais e nacionais, com a frase: “Não toqueis nos ungidos do Senhor!” e o medo de apedrejar o barco pode silenciar até mesmo o mais sincero crente em Cristo. Contudo, ao mesmo tempo em que existe um caminho mais fácil para quem se torna um ditador, suplantando o conhecimento de Deus com uma falsa piedade que ameniza o pecado, por outro lado o seu pecado deve ser amenizado, quando cometido na presença de alguém. Quando se dobram os joelhos tornando-se compromissados com o erro, eles ficarão dobrados até que aconteça o verdadeiro arrependimento e se volte para a única verdade que liberta do engodo.
O fato é que mesmo com todo o polimento da falsa teologia com eufemismos açucarados, ela não consegue esconder o seu veneno. A moda agora é dizer que um falso mestre foi “mal interpretado”, passando-se por cima do óbvio erro doutrinário que ele cometeu. Porém é bíblico chamar de falso o que é falso, tanto o homem como o seu ensino, dando nomes aos bois. E nenhuma das nomeações colocadas sobre os ombros dos falsos mestres pode ser considerada boa. E nem poderia ser. Um homem que deliberadamente refuta os outros com a sua própria lepra consumidora deve ser confrontado com o fato de sua moléstia e de sua necessidade de quarentena, para o seu próprio bem e dos seus seguidores. O mínimo que ele deveria fazer seria evitar o contágio a quem assiste a difusão do seu erro doutrinário.
Com fervoroso vigor apologético, a igreja primitiva fez guerra contra os que pervertiam a fé em Cristo. Qualquer um que se recusasse a agir assim, seria considerado um mercenário e culpado de grosseira covardia (João 10:12).
Os que são fiéis ao bom Pastor jamais hesitarão em usar o seu pessoal para afugentar os lobos do rebanho que precisa de proteção.
Na arena pessoal, é o caso de indagar: por que perturbar as crenças de um irmão que não é líder na comunidade cristã? Enquanto ele não estiver ensinando os outros, a mania teológica do “não julgue” nos leva a deixá-lo em paz. Ironicamente, a Bíblia narra esse tipo de pensamento na boca do primeiro assassino: “sou eu guardador do meu irmão?” (Gênesis 4:9). A resposta sarcástica de Caim nos diz que ele já conhecia a resposta: De fato, somos todos “guardadores do nosso irmão”. Se nós o amamos “não apenas de língua, mas por obra e em verdade” (1 João 3:18), precisamos informá-lo sobre o seu erro. De suas crenças vai depender o caminho no qual ele vai andar, caminho que poderá conduzi-lo a um precipício e atirá-lo ao abismo da heresia. O mesmo é verdade para todos nós. Conforme a crença que guardamos no coração, por ela viveremos e isso poderá determinar o nosso destino eterno.
Mesmo que a exposição do erro de um irmão não seja necessária, enquanto ele não se tornar um líder na congregação da igreja, a separação bíblica continua sendo aconselhada como uma resposta aos que se autodenominam cristãos e, contudo, vivem da mesma maneira ímpia como vivem os não regenerados: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1 Coríntios 5:9-11).
Aos olhos de Deus
Poderia ser útil observar pessoalmente como os falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são retratados na Escritura. O Deus da Bíblia faz certas referências específicas, escritas para todas as gerações, e nenhuma dúvida há na seriedade com que Ele vê os que pervertem o Seu caráter, Seus caminhos e Sua Palavra:
Pastores brutais - Ezequiel 34:1-22.
Lobos - Mateus 7:15.
Joio - Mateus 13:25.
Raça de víboras - Mateus 23:33.
Ladrão e salteador - João 10:1.
Mercenário - João 10:12.
Ministros de satanás 2 Coríntios 11:15.
Animais irracionais - 2 Pedro 2:12.
Ímpios - Judas 4
Ondas impetuosas do mar - (Judas 13).
Contaminadores - (Judas 8).
Manchas em festas de amor - (Judas 12).
Duas vezes mortos - (Judas 12).
Velho Testamento
Referências feitas aos falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são por demais abundantes nas páginas do Velho Testamento. Vamos nos concentrar em apenas algumas, tentando especificar indivíduos tratados e nomeados pelo Senhor:
Números 16 - Datã, Abirão e Coré foram publicamente censurados por Moisés (verso 26) e engolidos pela terra em julgamento divino (versos 31-32).
1 Reis 22:11, 24, 25 - O falso profeta Zedequias foi censurado e julgado por Micaías.
Jeremias 29:31-32 - O falso profeta Semaías morreu, após a censura do Senhor, feita através de Jeremias.
Grande parte do Livro de Jeremias é gasto na censura aos falsos profetas que desviaram Israel do caminho do Senhor, tendo levado o povo a adorar os ídolos - Jeremias 2:8 e 5:30-31.
Ezequiel 8:8-11 - Falsos anciãos de Israel expostos, inclusive Jahazanias.
Ezequiel 11: 1-13 - Falsos irmãos expostos e um deles, Penatias, morreu. Além destes, grande parte do tempo de Ezequiel foi gasto em profetizar contra:
Os falsos irmãos (Ez. 11:4).
Os falsos profetas (Ez. 13:16-17).
Os falsos pastores (Ez. Capítulo 34).
Grande parte do Livro de Isaías também é devotado às censuras feitas pelo Senhor contra os falsos profetas que estavam levando Israel à apostasia contra Deus, adorando os ídolos (Isaías 9:15 e 28:7).
Novo Testamento
Mateus 23 - Jesus censurou publicamente os fariseus pela sua hipocrisia e adoração a Deus, conforme a maneira dos homens, e pela distorção das Escrituras.
Romanos 16:17 - Paulo condena os que promoviam divisões contrárias à doutrina cristã, mandando evitá-los.
1 Coríntios 4:18 - Também todo o capítulo 5 - Paulo condena os orgulhosos que eram muitos, inclusive censurando um membro da congregação que havia cometido pecado público, o qual ele manda que seja expulso da igreja e entregue a Satanás.
2 Coríntios 10:8-11; 11:1-4; 12-15 e 20-23 - Falsos apóstolos denunciados por estarem pregando “outro Jesus” na congregação.
Gálatas 1: 1-8 - Falsos irmãos trazendo a circuncisão às igrejas da Galácia.
Gálatas 2:11-13 - Mesmo não se tratando de falsos irmãos, Paulo censurou publicamente Pedro e Barnabé por causa de sua hipocrisia.
1 Timóteo 1:3-4 - Paulo ordena a Timóteo que ele detenha os que estão pregando falsas doutrinas.
1 Timóteo 1:19-20 - Himineu e Alexandre foram entregues pelo apóstolo Paulo a Satanás por causa de sua blasfêmia.
1 Timóteo 5:19-20 - Censurados publicamente os que cometiam pecados grosseiros.
2 Timóteo 4:14 - Paulo admoesta Timóteo para se acautelar contra Alexandre, o latoeiro, que muito se opunha ao Evangelho.
Tito 1:9-16 - Recomendação a Timóteo para que censure os falsos mestres, os quais deveriam ser interrompidos por estarem causando graves danos ao Corpo de Cristo.
3 João: 9-10 - Diótrefes se opondo a João e controlando os membros da igreja.
Apocalipse 2:14 - Em Pérgamo, alguns aderem aos ensinos de Balaão e outros mantêm os ensinos dos nicolaítas, os quais Jesus odeia.
Apocalipse 2:20 - Jezabel, a falsa profetisa na congregação de Tiatira, era conhecida de todos, por ser ativa na igreja.
Existem muitas outras Escrituras, as quais mesmo não nomeando indivíduos culpados de ensinar falsas doutrinas ou de viver em ostensivo pecado, esses eram bem conhecidos dentro da congregação. Nesse caso era nomeada a igreja em determinada área, e todos ficavam sabendo quem estava sendo apontado pelas cartas de Paulo.
A igreja de hoje está quase devastada pelos que afirmam trazer novas revelações, uma “palavra nova” do Senhor, o que não pode ser respaldado nas Escrituras. Entre esses homens estão Rick Joyner, cujas visões de anjos, de demônios vomitando e de um “Jesus” contradizendo as Escrituras têm conduzido multidões pelo caminho da falsa sabedoria e autoridade; Kenneth Copeland, que nega a suficiência do sangue de Cristo e cujo “Jesus” precisou nascer de novo no inferno, após ter assumido a natureza de Satanás; Benny Hinn, cuja apresentação nos palcos leva tantas pessoas a crer que ele é um legítimo mensageiro de Deus, até mesmo quando ele, sob uma falsa unção, se enfurece e profere, publicamente, maldições contra os seus adversários, numa voz gutural e sibilante.
Estes são apenas alguns exemplos dos ministros de elevado perfil, que estão pervertendo os registros bíblicos. Suas doutrinas e demonstrações de falsos sinais e maravilhas têm produzido um verdadeiro enxame de imitadores, desde o pastor local, imitando fielmente os seus ídolos, até as mais confusas ovelhas, que se assentam nos bancos, sendo obrigadas pela liderança da igreja a proclamar um “outro evangelho”, contrário ao que Cristo ensinou, o qual elas haviam aprendido e no qual creram e tanto amaram [antes de descambar no erro doutrinário].
O tempo de silenciar já passou há muito. A ameaça de Ananias e Safira já não pode mais ser usada para bestificar os verdadeiros crentes na cruz de Cristo. Mas a intimidação tão usada e abusada do “não toqueis nos meus ungidos” tem crescido ao extremo. Se o preço de falar a verdade for a condenação da nossa comunidade religiosa, que assim seja. A perda da influência, do status e do respeito significa uma ninharia quando comparada à glória de sofrer pelo nosso Senhor. As palavras que Cristo tem falado através das eras continuam tão fortes agora como eram, quando foram impressas pela primeira vez nas páginas da Bíblia: “Por que estais ociosos todo o dia?” (Mateus 20:6). Conhecer a verdade e não agir em favor da mesma é o mesmo que se tornar cúmplice do pecado.
Muito mais tem sido patrocinado às assim chamadas “vozes proféticas” de hoje. Gritos de “paz, paz”, quando não há paz, ecoam nos corações vazios daqueles que anseiam pela reconfortante Palavra da Verdade, a qual não conseguem encontrar entre os vendilhões do Templo. O tilintar das moedas vai comprando o silêncio, à custa do engodo das multidões. Os legítimos profetas de Deus censuraram a heresia, com as suas palavras cortando a carunchosa madeira da falsa doutrina. Reis, sacerdotes e falsos profetas sentiram os golpes do machado. Os “ungidos do Senhor” (os verdadeiros profetas do VT) puderam tocar os outros “ungidos do Senhor” (Reis e sacerdotes) e também tocaram aqueles [falsos profetas] que haviam conseguido o respeito dos crentes com a sua fingida lealdade ao Senhor.
Uma plenitude de passagens, tanto do Velho como do Novo Testamento, ensina como trazer luz ao que é falso, a fim de que a falsidade seja desmantelada. Efésios 5:11 diz: “E não vos comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as”. A escolha é nossa em obedecer, mesmo sofrendo as conseqüências, pois o resultado do erro doutrinário é a destruição da vida espiritual do povo de Deus, o qual é levado à prostituição espiritual. Efésios 5:11 não é uma sugestão ou desafio, mas uma ordem. Se obedecermos corretamente essa ordem, poderemos contar com a integridade e a coragem bíblica da próxima geração de cristãos.
Artigo “Naming the Names, a Biblical Approach”, de Kevin Reeves.
kreeves@aptalaska.net
Traduzido por Mary Schultze, em 16/08/2007.
http://www.cpr.org.br/Mary.htm
Dando nomes aos bois
(uma proposta bíblica)
Kevin Reeves
Nos dias de hoje centenas de falsos ensinos assaltam tanto a igreja como a Escritura e, portanto, isso exige um minucioso exame de como devem ser tratados os que promovem as falsas doutrinas.
Embora pessoa alguma, com um sincero desejo de servir a Cristo, deseje ardentemente acusar outro irmão de estar cometendo erros em seu ministério, os profetas do Velho Testamento, o próprio Senhor Jesus Cristo e os apóstolos deixaram claro que muitos viriam em o nome do Senhor, professando segui-Lo e, contudo, pelos seus ensinos fraudulentos, negando-O ou apresentando uma imagem deturpada de Deus, bem diferente daquela que nos é apresentada na Escritura Sagrada. Paulo disse: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18-19).
Falsos mestres, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos irmãos podem danificar e até mesmo destruir a simplicidade da fé em Cristo: “... tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Jesus avisou que muitos seriam enganados por aqueles que afirmam falar em o nome de Deus (Mateus 24:5, 11, 24). Tendo sido um cristão que esteve à frente de falsos movimentos e que por ignorância promoveu o erro durante 12 anos, conheço de sobra o perigo que a nossa fé pode correr com a redefinição do Cristianismo e a apresentação de um “outro Jesus”. A heresia não é um brinquedo. Ela é uma mentira propalada com o objetivo de destruir o relacionamento entre o Salvador e o salvo, levando as confiantes ovelhas para um deserto repleto de predadores.
Nomear pessoas especificamente envolvidas na promoção de heresias ou doutrinas não bíblicas é, e deveria ser, a última e desconfortável atitude a ser tomada, e somente depois de muitas tentativas de reconciliação. Todo mundo pode cometer erros e somente diante de uma atitude de rebeldia, de falta de arrependimento e de mentalidade elitista demonstradas pelo irmão errado no sentido de raciocinar e de aceitar a verdade, é que nos dispomos a vir a público, numa hora de absoluta necessidade. Se um ladrão, um vândalo ou coisa pior residisse próximo à sua casa, será que você não gostaria de saber o seu nome e de onde ele veio, a fim de proteger sua família do perigo? Muito mais em se tratando de assuntos espirituais - itens de significação eterna - devemos proteger nossas almas e as almas das pessoas que nos foram confiadas pelo Senhor!
O perigo inerente de coabitar com a heresia jamais pode ser exageradamente exposto. O erro desconsiderado sempre tende a “corroer como gangrena” o Corpo de Cristo, a igreja (2 Timóteo 2:17-18). A heresia se especializa em negar a verdade e em desacreditar a exata história da antiga nação de Israel, cujas renovadas simpatias pelos falsos deuses e pelos falsos profetas levaram a nação a colher uma completa destruição de sua fé em Deus e, conseqüentemente, o julgamento do Senhor. Parece que nos esquecemos da admoestação contida em Romanos 15:4: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”.
Embora os fracassos de Israel fossem registrados para nos servirem de admoestação, muitos cristãos acreditam estar isentos do mesmo tipo de engodo. Os falsos profetas têm sido sempre os heróis do povo, tornando tortuoso o caminho do Senhor e conduzindo as pessoas à depravação. Eles: “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Romanos 1:23).
Conquanto a atual sofisticação entre os nossos falsos profetas e falsos mestres [evangélicos] já não possa incluir o uso de ídolos de pedra e madeira, mesmo assim eles pintam suas imagens de Deus com palavras que excitam a imaginação humana, redefinindo o objeto da adoração. Mesmo os que inadvertidamente ensinam o contrário do Evangelho de Cristo, acreditando que os seus ensinos são a verdadeira revelação, estão conduzindo multidões por um tenebroso caminho que as afasta cada dia mais da verdade. Apesar da sua sinceridade, eles se tornaram inimigos da fé e, a não ser que cheguem a um sincero arrependimento, abandonando o erro, irão naufragar na fé, levando muitos outros com eles: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (1 Timóteo 1:29).
Nesta época de “tolerância”, muitos cristãos têm se inclinado a praticar o mal, minimizando o seu dano. Aspergida com um ensino bíblico misto de honestidade e bondade, a heresia logo se torna agradável ao paladar, principalmente quando alimenta a auto-imagem e o desejo de possuir poder da parte de quem a escuta. A “comichão nos ouvidos” (2 Timóteo 4:3-4) tem se tornado o passatempo religioso nacional. Muitos têm preferido escutar fantásticas fábulas (verso 4), com uma ligeira camada de verniz cristão, em vez de escutar a dura verdade que exige a morte do ego.
Mesmo assim, o nosso Deus não está dormindo e o cristão sincero e humilde ainda consegue escutar a voz do seu Pastor e os de coração sensível ainda podem sentir a tristeza do Espírito Santo, quando o falso evangelho é apresentado como genuíno. Mas, infelizmente, a rota mais fácil é manter o “status quo”, mesmo diante da violência feita às Sagradas Escrituras. Os cristãos são anulados pelas constantes ameaças vindas dos púlpitos locais e nacionais, com a frase: “Não toqueis nos ungidos do Senhor!” e o medo de apedrejar o barco pode silenciar até mesmo o mais sincero crente em Cristo. Contudo, ao mesmo tempo em que existe um caminho mais fácil para quem se torna um ditador, suplantando o conhecimento de Deus com uma falsa piedade que ameniza o pecado, por outro lado o seu pecado deve ser amenizado, quando cometido na presença de alguém. Quando se dobram os joelhos tornando-se compromissados com o erro, eles ficarão dobrados até que aconteça o verdadeiro arrependimento e se volte para a única verdade que liberta do engodo.
O fato é que mesmo com todo o polimento da falsa teologia com eufemismos açucarados, ela não consegue esconder o seu veneno. A moda agora é dizer que um falso mestre foi “mal interpretado”, passando-se por cima do óbvio erro doutrinário que ele cometeu. Porém é bíblico chamar de falso o que é falso, tanto o homem como o seu ensino, dando nomes aos bois. E nenhuma das nomeações colocadas sobre os ombros dos falsos mestres pode ser considerada boa. E nem poderia ser. Um homem que deliberadamente refuta os outros com a sua própria lepra consumidora deve ser confrontado com o fato de sua moléstia e de sua necessidade de quarentena, para o seu próprio bem e dos seus seguidores. O mínimo que ele deveria fazer seria evitar o contágio a quem assiste a difusão do seu erro doutrinário.
Com fervoroso vigor apologético, a igreja primitiva fez guerra contra os que pervertiam a fé em Cristo. Qualquer um que se recusasse a agir assim, seria considerado um mercenário e culpado de grosseira covardia (João 10:12).
Os que são fiéis ao bom Pastor jamais hesitarão em usar o seu pessoal para afugentar os lobos do rebanho que precisa de proteção.
Na arena pessoal, é o caso de indagar: por que perturbar as crenças de um irmão que não é líder na comunidade cristã? Enquanto ele não estiver ensinando os outros, a mania teológica do “não julgue” nos leva a deixá-lo em paz. Ironicamente, a Bíblia narra esse tipo de pensamento na boca do primeiro assassino: “sou eu guardador do meu irmão?” (Gênesis 4:9). A resposta sarcástica de Caim nos diz que ele já conhecia a resposta: De fato, somos todos “guardadores do nosso irmão”. Se nós o amamos “não apenas de língua, mas por obra e em verdade” (1 João 3:18), precisamos informá-lo sobre o seu erro. De suas crenças vai depender o caminho no qual ele vai andar, caminho que poderá conduzi-lo a um precipício e atirá-lo ao abismo da heresia. O mesmo é verdade para todos nós. Conforme a crença que guardamos no coração, por ela viveremos e isso poderá determinar o nosso destino eterno.
Mesmo que a exposição do erro de um irmão não seja necessária, enquanto ele não se tornar um líder na congregação da igreja, a separação bíblica continua sendo aconselhada como uma resposta aos que se autodenominam cristãos e, contudo, vivem da mesma maneira ímpia como vivem os não regenerados: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1 Coríntios 5:9-11).
Aos olhos de Deus
Poderia ser útil observar pessoalmente como os falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são retratados na Escritura. O Deus da Bíblia faz certas referências específicas, escritas para todas as gerações, e nenhuma dúvida há na seriedade com que Ele vê os que pervertem o Seu caráter, Seus caminhos e Sua Palavra:
Pastores brutais - Ezequiel 34:1-22.
Lobos - Mateus 7:15.
Joio - Mateus 13:25.
Raça de víboras - Mateus 23:33.
Ladrão e salteador - João 10:1.
Mercenário - João 10:12.
Ministros de satanás 2 Coríntios 11:15.
Animais irracionais - 2 Pedro 2:12.
Ímpios - Judas 4
Ondas impetuosas do mar - (Judas 13).
Contaminadores - (Judas 8).
Manchas em festas de amor - (Judas 12).
Duas vezes mortos - (Judas 12).
Velho Testamento
Referências feitas aos falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são por demais abundantes nas páginas do Velho Testamento. Vamos nos concentrar em apenas algumas, tentando especificar indivíduos tratados e nomeados pelo Senhor:
Números 16 - Datã, Abirão e Coré foram publicamente censurados por Moisés (verso 26) e engolidos pela terra em julgamento divino (versos 31-32).
1 Reis 22:11, 24, 25 - O falso profeta Zedequias foi censurado e julgado por Micaías.
Jeremias 29:31-32 - O falso profeta Semaías morreu, após a censura do Senhor, feita através de Jeremias.
Grande parte do Livro de Jeremias é gasto na censura aos falsos profetas que desviaram Israel do caminho do Senhor, tendo levado o povo a adorar os ídolos - Jeremias 2:8 e 5:30-31.
Ezequiel 8:8-11 - Falsos anciãos de Israel expostos, inclusive Jahazanias.
Ezequiel 11: 1-13 - Falsos irmãos expostos e um deles, Penatias, morreu. Além destes, grande parte do tempo de Ezequiel foi gasto em profetizar contra:
Os falsos irmãos (Ez. 11:4).
Os falsos profetas (Ez. 13:16-17).
Os falsos pastores (Ez. Capítulo 34).
Grande parte do Livro de Isaías também é devotado às censuras feitas pelo Senhor contra os falsos profetas que estavam levando Israel à apostasia contra Deus, adorando os ídolos (Isaías 9:15 e 28:7).
Novo Testamento
Mateus 23 - Jesus censurou publicamente os fariseus pela sua hipocrisia e adoração a Deus, conforme a maneira dos homens, e pela distorção das Escrituras.
Romanos 16:17 - Paulo condena os que promoviam divisões contrárias à doutrina cristã, mandando evitá-los.
1 Coríntios 4:18 - Também todo o capítulo 5 - Paulo condena os orgulhosos que eram muitos, inclusive censurando um membro da congregação que havia cometido pecado público, o qual ele manda que seja expulso da igreja e entregue a Satanás.
2 Coríntios 10:8-11; 11:1-4; 12-15 e 20-23 - Falsos apóstolos denunciados por estarem pregando “outro Jesus” na congregação.
Gálatas 1: 1-8 - Falsos irmãos trazendo a circuncisão às igrejas da Galácia.
Gálatas 2:11-13 - Mesmo não se tratando de falsos irmãos, Paulo censurou publicamente Pedro e Barnabé por causa de sua hipocrisia.
1 Timóteo 1:3-4 - Paulo ordena a Timóteo que ele detenha os que estão pregando falsas doutrinas.
1 Timóteo 1:19-20 - Himineu e Alexandre foram entregues pelo apóstolo Paulo a Satanás por causa de sua blasfêmia.
1 Timóteo 5:19-20 - Censurados publicamente os que cometiam pecados grosseiros.
2 Timóteo 4:14 - Paulo admoesta Timóteo para se acautelar contra Alexandre, o latoeiro, que muito se opunha ao Evangelho.
Tito 1:9-16 - Recomendação a Timóteo para que censure os falsos mestres, os quais deveriam ser interrompidos por estarem causando graves danos ao Corpo de Cristo.
3 João: 9-10 - Diótrefes se opondo a João e controlando os membros da igreja.
Apocalipse 2:14 - Em Pérgamo, alguns aderem aos ensinos de Balaão e outros mantêm os ensinos dos nicolaítas, os quais Jesus odeia.
Apocalipse 2:20 - Jezabel, a falsa profetisa na congregação de Tiatira, era conhecida de todos, por ser ativa na igreja.
Existem muitas outras Escrituras, as quais mesmo não nomeando indivíduos culpados de ensinar falsas doutrinas ou de viver em ostensivo pecado, esses eram bem conhecidos dentro da congregação. Nesse caso era nomeada a igreja em determinada área, e todos ficavam sabendo quem estava sendo apontado pelas cartas de Paulo.
A igreja de hoje está quase devastada pelos que afirmam trazer novas revelações, uma “palavra nova” do Senhor, o que não pode ser respaldado nas Escrituras. Entre esses homens estão Rick Joyner, cujas visões de anjos, de demônios vomitando e de um “Jesus” contradizendo as Escrituras têm conduzido multidões pelo caminho da falsa sabedoria e autoridade; Kenneth Copeland, que nega a suficiência do sangue de Cristo e cujo “Jesus” precisou nascer de novo no inferno, após ter assumido a natureza de Satanás; Benny Hinn, cuja apresentação nos palcos leva tantas pessoas a crer que ele é um legítimo mensageiro de Deus, até mesmo quando ele, sob uma falsa unção, se enfurece e profere, publicamente, maldições contra os seus adversários, numa voz gutural e sibilante.
Estes são apenas alguns exemplos dos ministros de elevado perfil, que estão pervertendo os registros bíblicos. Suas doutrinas e demonstrações de falsos sinais e maravilhas têm produzido um verdadeiro enxame de imitadores, desde o pastor local, imitando fielmente os seus ídolos, até as mais confusas ovelhas, que se assentam nos bancos, sendo obrigadas pela liderança da igreja a proclamar um “outro evangelho”, contrário ao que Cristo ensinou, o qual elas haviam aprendido e no qual creram e tanto amaram [antes de descambar no erro doutrinário].
O tempo de silenciar já passou há muito. A ameaça de Ananias e Safira já não pode mais ser usada para bestificar os verdadeiros crentes na cruz de Cristo. Mas a intimidação tão usada e abusada do “não toqueis nos meus ungidos” tem crescido ao extremo. Se o preço de falar a verdade for a condenação da nossa comunidade religiosa, que assim seja. A perda da influência, do status e do respeito significa uma ninharia quando comparada à glória de sofrer pelo nosso Senhor. As palavras que Cristo tem falado através das eras continuam tão fortes agora como eram, quando foram impressas pela primeira vez nas páginas da Bíblia: “Por que estais ociosos todo o dia?” (Mateus 20:6). Conhecer a verdade e não agir em favor da mesma é o mesmo que se tornar cúmplice do pecado.
Muito mais tem sido patrocinado às assim chamadas “vozes proféticas” de hoje. Gritos de “paz, paz”, quando não há paz, ecoam nos corações vazios daqueles que anseiam pela reconfortante Palavra da Verdade, a qual não conseguem encontrar entre os vendilhões do Templo. O tilintar das moedas vai comprando o silêncio, à custa do engodo das multidões. Os legítimos profetas de Deus censuraram a heresia, com as suas palavras cortando a carunchosa madeira da falsa doutrina. Reis, sacerdotes e falsos profetas sentiram os golpes do machado. Os “ungidos do Senhor” (os verdadeiros profetas do VT) puderam tocar os outros “ungidos do Senhor” (Reis e sacerdotes) e também tocaram aqueles [falsos profetas] que haviam conseguido o respeito dos crentes com a sua fingida lealdade ao Senhor.
Uma plenitude de passagens, tanto do Velho como do Novo Testamento, ensina como trazer luz ao que é falso, a fim de que a falsidade seja desmantelada. Efésios 5:11 diz: “E não vos comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as”. A escolha é nossa em obedecer, mesmo sofrendo as conseqüências, pois o resultado do erro doutrinário é a destruição da vida espiritual do povo de Deus, o qual é levado à prostituição espiritual. Efésios 5:11 não é uma sugestão ou desafio, mas uma ordem. Se obedecermos corretamente essa ordem, poderemos contar com a integridade e a coragem bíblica da próxima geração de cristãos.
Artigo “Naming the Names, a Biblical Approach”, de Kevin Reeves.
kreeves@aptalaska.net
Traduzido por Mary Schultze, em 16/08/2007.
http://www.cpr.org.br/Mary.htm
Dando nomes aos bois
(uma proposta bíblica)
Kevin Reeves
Nos dias de hoje centenas de falsos ensinos assaltam tanto a igreja como a Escritura e, portanto, isso exige um minucioso exame de como devem ser tratados os que promovem as falsas doutrinas.
Embora pessoa alguma, com um sincero desejo de servir a Cristo, deseje ardentemente acusar outro irmão de estar cometendo erros em seu ministério, os profetas do Velho Testamento, o próprio Senhor Jesus Cristo e os apóstolos deixaram claro que muitos viriam em o nome do Senhor, professando segui-Lo e, contudo, pelos seus ensinos fraudulentos, negando-O ou apresentando uma imagem deturpada de Deus, bem diferente daquela que nos é apresentada na Escritura Sagrada. Paulo disse: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18-19).
Falsos mestres, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos irmãos podem danificar e até mesmo destruir a simplicidade da fé em Cristo: “... tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Jesus avisou que muitos seriam enganados por aqueles que afirmam falar em o nome de Deus (Mateus 24:5, 11, 24). Tendo sido um cristão que esteve à frente de falsos movimentos e que por ignorância promoveu o erro durante 12 anos, conheço de sobra o perigo que a nossa fé pode correr com a redefinição do Cristianismo e a apresentação de um “outro Jesus”. A heresia não é um brinquedo. Ela é uma mentira propalada com o objetivo de destruir o relacionamento entre o Salvador e o salvo, levando as confiantes ovelhas para um deserto repleto de predadores.
Nomear pessoas especificamente envolvidas na promoção de heresias ou doutrinas não bíblicas é, e deveria ser, a última e desconfortável atitude a ser tomada, e somente depois de muitas tentativas de reconciliação. Todo mundo pode cometer erros e somente diante de uma atitude de rebeldia, de falta de arrependimento e de mentalidade elitista demonstradas pelo irmão errado no sentido de raciocinar e de aceitar a verdade, é que nos dispomos a vir a público, numa hora de absoluta necessidade. Se um ladrão, um vândalo ou coisa pior residisse próximo à sua casa, será que você não gostaria de saber o seu nome e de onde ele veio, a fim de proteger sua família do perigo? Muito mais em se tratando de assuntos espirituais - itens de significação eterna - devemos proteger nossas almas e as almas das pessoas que nos foram confiadas pelo Senhor!
O perigo inerente de coabitar com a heresia jamais pode ser exageradamente exposto. O erro desconsiderado sempre tende a “corroer como gangrena” o Corpo de Cristo, a igreja (2 Timóteo 2:17-18). A heresia se especializa em negar a verdade e em desacreditar a exata história da antiga nação de Israel, cujas renovadas simpatias pelos falsos deuses e pelos falsos profetas levaram a nação a colher uma completa destruição de sua fé em Deus e, conseqüentemente, o julgamento do Senhor. Parece que nos esquecemos da admoestação contida em Romanos 15:4: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”.
Embora os fracassos de Israel fossem registrados para nos servirem de admoestação, muitos cristãos acreditam estar isentos do mesmo tipo de engodo. Os falsos profetas têm sido sempre os heróis do povo, tornando tortuoso o caminho do Senhor e conduzindo as pessoas à depravação. Eles: “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Romanos 1:23).
Conquanto a atual sofisticação entre os nossos falsos profetas e falsos mestres [evangélicos] já não possa incluir o uso de ídolos de pedra e madeira, mesmo assim eles pintam suas imagens de Deus com palavras que excitam a imaginação humana, redefinindo o objeto da adoração. Mesmo os que inadvertidamente ensinam o contrário do Evangelho de Cristo, acreditando que os seus ensinos são a verdadeira revelação, estão conduzindo multidões por um tenebroso caminho que as afasta cada dia mais da verdade. Apesar da sua sinceridade, eles se tornaram inimigos da fé e, a não ser que cheguem a um sincero arrependimento, abandonando o erro, irão naufragar na fé, levando muitos outros com eles: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (1 Timóteo 1:29).
Nesta época de “tolerância”, muitos cristãos têm se inclinado a praticar o mal, minimizando o seu dano. Aspergida com um ensino bíblico misto de honestidade e bondade, a heresia logo se torna agradável ao paladar, principalmente quando alimenta a auto-imagem e o desejo de possuir poder da parte de quem a escuta. A “comichão nos ouvidos” (2 Timóteo 4:3-4) tem se tornado o passatempo religioso nacional. Muitos têm preferido escutar fantásticas fábulas (verso 4), com uma ligeira camada de verniz cristão, em vez de escutar a dura verdade que exige a morte do ego.
Mesmo assim, o nosso Deus não está dormindo e o cristão sincero e humilde ainda consegue escutar a voz do seu Pastor e os de coração sensível ainda podem sentir a tristeza do Espírito Santo, quando o falso evangelho é apresentado como genuíno. Mas, infelizmente, a rota mais fácil é manter o “status quo”, mesmo diante da violência feita às Sagradas Escrituras. Os cristãos são anulados pelas constantes ameaças vindas dos púlpitos locais e nacionais, com a frase: “Não toqueis nos ungidos do Senhor!” e o medo de apedrejar o barco pode silenciar até mesmo o mais sincero crente em Cristo. Contudo, ao mesmo tempo em que existe um caminho mais fácil para quem se torna um ditador, suplantando o conhecimento de Deus com uma falsa piedade que ameniza o pecado, por outro lado o seu pecado deve ser amenizado, quando cometido na presença de alguém. Quando se dobram os joelhos tornando-se compromissados com o erro, eles ficarão dobrados até que aconteça o verdadeiro arrependimento e se volte para a única verdade que liberta do engodo.
O fato é que mesmo com todo o polimento da falsa teologia com eufemismos açucarados, ela não consegue esconder o seu veneno. A moda agora é dizer que um falso mestre foi “mal interpretado”, passando-se por cima do óbvio erro doutrinário que ele cometeu. Porém é bíblico chamar de falso o que é falso, tanto o homem como o seu ensino, dando nomes aos bois. E nenhuma das nomeações colocadas sobre os ombros dos falsos mestres pode ser considerada boa. E nem poderia ser. Um homem que deliberadamente refuta os outros com a sua própria lepra consumidora deve ser confrontado com o fato de sua moléstia e de sua necessidade de quarentena, para o seu próprio bem e dos seus seguidores. O mínimo que ele deveria fazer seria evitar o contágio a quem assiste a difusão do seu erro doutrinário.
Com fervoroso vigor apologético, a igreja primitiva fez guerra contra os que pervertiam a fé em Cristo. Qualquer um que se recusasse a agir assim, seria considerado um mercenário e culpado de grosseira covardia (João 10:12).
Os que são fiéis ao bom Pastor jamais hesitarão em usar o seu pessoal para afugentar os lobos do rebanho que precisa de proteção.
Na arena pessoal, é o caso de indagar: por que perturbar as crenças de um irmão que não é líder na comunidade cristã? Enquanto ele não estiver ensinando os outros, a mania teológica do “não julgue” nos leva a deixá-lo em paz. Ironicamente, a Bíblia narra esse tipo de pensamento na boca do primeiro assassino: “sou eu guardador do meu irmão?” (Gênesis 4:9). A resposta sarcástica de Caim nos diz que ele já conhecia a resposta: De fato, somos todos “guardadores do nosso irmão”. Se nós o amamos “não apenas de língua, mas por obra e em verdade” (1 João 3:18), precisamos informá-lo sobre o seu erro. De suas crenças vai depender o caminho no qual ele vai andar, caminho que poderá conduzi-lo a um precipício e atirá-lo ao abismo da heresia. O mesmo é verdade para todos nós. Conforme a crença que guardamos no coração, por ela viveremos e isso poderá determinar o nosso destino eterno.
Mesmo que a exposição do erro de um irmão não seja necessária, enquanto ele não se tornar um líder na congregação da igreja, a separação bíblica continua sendo aconselhada como uma resposta aos que se autodenominam cristãos e, contudo, vivem da mesma maneira ímpia como vivem os não regenerados: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1 Coríntios 5:9-11).
Aos olhos de Deus
Poderia ser útil observar pessoalmente como os falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são retratados na Escritura. O Deus da Bíblia faz certas referências específicas, escritas para todas as gerações, e nenhuma dúvida há na seriedade com que Ele vê os que pervertem o Seu caráter, Seus caminhos e Sua Palavra:
Pastores brutais - Ezequiel 34:1-22.
Lobos - Mateus 7:15.
Joio - Mateus 13:25.
Raça de víboras - Mateus 23:33.
Ladrão e salteador - João 10:1.
Mercenário - João 10:12.
Ministros de satanás 2 Coríntios 11:15.
Animais irracionais - 2 Pedro 2:12.
Ímpios - Judas 4
Ondas impetuosas do mar - (Judas 13).
Contaminadores - (Judas 8).
Manchas em festas de amor - (Judas 12).
Duas vezes mortos - (Judas 12).
Velho Testamento
Referências feitas aos falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são por demais abundantes nas páginas do Velho Testamento. Vamos nos concentrar em apenas algumas, tentando especificar indivíduos tratados e nomeados pelo Senhor:
Números 16 - Datã, Abirão e Coré foram publicamente censurados por Moisés (verso 26) e engolidos pela terra em julgamento divino (versos 31-32).
1 Reis 22:11, 24, 25 - O falso profeta Zedequias foi censurado e julgado por Micaías.
Jeremias 29:31-32 - O falso profeta Semaías morreu, após a censura do Senhor, feita através de Jeremias.
Grande parte do Livro de Jeremias é gasto na censura aos falsos profetas que desviaram Israel do caminho do Senhor, tendo levado o povo a adorar os ídolos - Jeremias 2:8 e 5:30-31.
Ezequiel 8:8-11 - Falsos anciãos de Israel expostos, inclusive Jahazanias.
Ezequiel 11: 1-13 - Falsos irmãos expostos e um deles, Penatias, morreu. Além destes, grande parte do tempo de Ezequiel foi gasto em profetizar contra:
Os falsos irmãos (Ez. 11:4).
Os falsos profetas (Ez. 13:16-17).
Os falsos pastores (Ez. Capítulo 34).
Grande parte do Livro de Isaías também é devotado às censuras feitas pelo Senhor contra os falsos profetas que estavam levando Israel à apostasia contra Deus, adorando os ídolos (Isaías 9:15 e 28:7).
Novo Testamento
Mateus 23 - Jesus censurou publicamente os fariseus pela sua hipocrisia e adoração a Deus, conforme a maneira dos homens, e pela distorção das Escrituras.
Romanos 16:17 - Paulo condena os que promoviam divisões contrárias à doutrina cristã, mandando evitá-los.
1 Coríntios 4:18 - Também todo o capítulo 5 - Paulo condena os orgulhosos que eram muitos, inclusive censurando um membro da congregação que havia cometido pecado público, o qual ele manda que seja expulso da igreja e entregue a Satanás.
2 Coríntios 10:8-11; 11:1-4; 12-15 e 20-23 - Falsos apóstolos denunciados por estarem pregando “outro Jesus” na congregação.
Gálatas 1: 1-8 - Falsos irmãos trazendo a circuncisão às igrejas da Galácia.
Gálatas 2:11-13 - Mesmo não se tratando de falsos irmãos, Paulo censurou publicamente Pedro e Barnabé por causa de sua hipocrisia.
1 Timóteo 1:3-4 - Paulo ordena a Timóteo que ele detenha os que estão pregando falsas doutrinas.
1 Timóteo 1:19-20 - Himineu e Alexandre foram entregues pelo apóstolo Paulo a Satanás por causa de sua blasfêmia.
1 Timóteo 5:19-20 - Censurados publicamente os que cometiam pecados grosseiros.
2 Timóteo 4:14 - Paulo admoesta Timóteo para se acautelar contra Alexandre, o latoeiro, que muito se opunha ao Evangelho.
Tito 1:9-16 - Recomendação a Timóteo para que censure os falsos mestres, os quais deveriam ser interrompidos por estarem causando graves danos ao Corpo de Cristo.
3 João: 9-10 - Diótrefes se opondo a João e controlando os membros da igreja.
Apocalipse 2:14 - Em Pérgamo, alguns aderem aos ensinos de Balaão e outros mantêm os ensinos dos nicolaítas, os quais Jesus odeia.
Apocalipse 2:20 - Jezabel, a falsa profetisa na congregação de Tiatira, era conhecida de todos, por ser ativa na igreja.
Existem muitas outras Escrituras, as quais mesmo não nomeando indivíduos culpados de ensinar falsas doutrinas ou de viver em ostensivo pecado, esses eram bem conhecidos dentro da congregação. Nesse caso era nomeada a igreja em determinada área, e todos ficavam sabendo quem estava sendo apontado pelas cartas de Paulo.
A igreja de hoje está quase devastada pelos que afirmam trazer novas revelações, uma “palavra nova” do Senhor, o que não pode ser respaldado nas Escrituras. Entre esses homens estão Rick Joyner, cujas visões de anjos, de demônios vomitando e de um “Jesus” contradizendo as Escrituras têm conduzido multidões pelo caminho da falsa sabedoria e autoridade; Kenneth Copeland, que nega a suficiência do sangue de Cristo e cujo “Jesus” precisou nascer de novo no inferno, após ter assumido a natureza de Satanás; Benny Hinn, cuja apresentação nos palcos leva tantas pessoas a crer que ele é um legítimo mensageiro de Deus, até mesmo quando ele, sob uma falsa unção, se enfurece e profere, publicamente, maldições contra os seus adversários, numa voz gutural e sibilante.
Estes são apenas alguns exemplos dos ministros de elevado perfil, que estão pervertendo os registros bíblicos. Suas doutrinas e demonstrações de falsos sinais e maravilhas têm produzido um verdadeiro enxame de imitadores, desde o pastor local, imitando fielmente os seus ídolos, até as mais confusas ovelhas, que se assentam nos bancos, sendo obrigadas pela liderança da igreja a proclamar um “outro evangelho”, contrário ao que Cristo ensinou, o qual elas haviam aprendido e no qual creram e tanto amaram [antes de descambar no erro doutrinário].
O tempo de silenciar já passou há muito. A ameaça de Ananias e Safira já não pode mais ser usada para bestificar os verdadeiros crentes na cruz de Cristo. Mas a intimidação tão usada e abusada do “não toqueis nos meus ungidos” tem crescido ao extremo. Se o preço de falar a verdade for a condenação da nossa comunidade religiosa, que assim seja. A perda da influência, do status e do respeito significa uma ninharia quando comparada à glória de sofrer pelo nosso Senhor. As palavras que Cristo tem falado através das eras continuam tão fortes agora como eram, quando foram impressas pela primeira vez nas páginas da Bíblia: “Por que estais ociosos todo o dia?” (Mateus 20:6). Conhecer a verdade e não agir em favor da mesma é o mesmo que se tornar cúmplice do pecado.
Muito mais tem sido patrocinado às assim chamadas “vozes proféticas” de hoje. Gritos de “paz, paz”, quando não há paz, ecoam nos corações vazios daqueles que anseiam pela reconfortante Palavra da Verdade, a qual não conseguem encontrar entre os vendilhões do Templo. O tilintar das moedas vai comprando o silêncio, à custa do engodo das multidões. Os legítimos profetas de Deus censuraram a heresia, com as suas palavras cortando a carunchosa madeira da falsa doutrina. Reis, sacerdotes e falsos profetas sentiram os golpes do machado. Os “ungidos do Senhor” (os verdadeiros profetas do VT) puderam tocar os outros “ungidos do Senhor” (Reis e sacerdotes) e também tocaram aqueles [falsos profetas] que haviam conseguido o respeito dos crentes com a sua fingida lealdade ao Senhor.
Uma plenitude de passagens, tanto do Velho como do Novo Testamento, ensina como trazer luz ao que é falso, a fim de que a falsidade seja desmantelada. Efésios 5:11 diz: “E não vos comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as”. A escolha é nossa em obedecer, mesmo sofrendo as conseqüências, pois o resultado do erro doutrinário é a destruição da vida espiritual do povo de Deus, o qual é levado à prostituição espiritual. Efésios 5:11 não é uma sugestão ou desafio, mas uma ordem. Se obedecermos corretamente essa ordem, poderemos contar com a integridade e a coragem bíblica da próxima geração de cristãos.
Artigo “Naming the Names, a Biblical Approach”, de Kevin Reeves.
kreeves@aptalaska.net
Traduzido por Mary Schultze, em 16/08/2007.
http://www.cpr.org.br/Mary.htm
Dando nomes aos bois
(uma proposta bíblica)
Kevin Reeves
Nos dias de hoje centenas de falsos ensinos assaltam tanto a igreja como a Escritura e, portanto, isso exige um minucioso exame de como devem ser tratados os que promovem as falsas doutrinas.
Embora pessoa alguma, com um sincero desejo de servir a Cristo, deseje ardentemente acusar outro irmão de estar cometendo erros em seu ministério, os profetas do Velho Testamento, o próprio Senhor Jesus Cristo e os apóstolos deixaram claro que muitos viriam em o nome do Senhor, professando segui-Lo e, contudo, pelos seus ensinos fraudulentos, negando-O ou apresentando uma imagem deturpada de Deus, bem diferente daquela que nos é apresentada na Escritura Sagrada. Paulo disse: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18-19).
Falsos mestres, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos irmãos podem danificar e até mesmo destruir a simplicidade da fé em Cristo: “... tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Jesus avisou que muitos seriam enganados por aqueles que afirmam falar em o nome de Deus (Mateus 24:5, 11, 24). Tendo sido um cristão que esteve à frente de falsos movimentos e que por ignorância promoveu o erro durante 12 anos, conheço de sobra o perigo que a nossa fé pode correr com a redefinição do Cristianismo e a apresentação de um “outro Jesus”. A heresia não é um brinquedo. Ela é uma mentira propalada com o objetivo de destruir o relacionamento entre o Salvador e o salvo, levando as confiantes ovelhas para um deserto repleto de predadores.
Nomear pessoas especificamente envolvidas na promoção de heresias ou doutrinas não bíblicas é, e deveria ser, a última e desconfortável atitude a ser tomada, e somente depois de muitas tentativas de reconciliação. Todo mundo pode cometer erros e somente diante de uma atitude de rebeldia, de falta de arrependimento e de mentalidade elitista demonstradas pelo irmão errado no sentido de raciocinar e de aceitar a verdade, é que nos dispomos a vir a público, numa hora de absoluta necessidade. Se um ladrão, um vândalo ou coisa pior residisse próximo à sua casa, será que você não gostaria de saber o seu nome e de onde ele veio, a fim de proteger sua família do perigo? Muito mais em se tratando de assuntos espirituais - itens de significação eterna - devemos proteger nossas almas e as almas das pessoas que nos foram confiadas pelo Senhor!
O perigo inerente de coabitar com a heresia jamais pode ser exageradamente exposto. O erro desconsiderado sempre tende a “corroer como gangrena” o Corpo de Cristo, a igreja (2 Timóteo 2:17-18). A heresia se especializa em negar a verdade e em desacreditar a exata história da antiga nação de Israel, cujas renovadas simpatias pelos falsos deuses e pelos falsos profetas levaram a nação a colher uma completa destruição de sua fé em Deus e, conseqüentemente, o julgamento do Senhor. Parece que nos esquecemos da admoestação contida em Romanos 15:4: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”.
Embora os fracassos de Israel fossem registrados para nos servirem de admoestação, muitos cristãos acreditam estar isentos do mesmo tipo de engodo. Os falsos profetas têm sido sempre os heróis do povo, tornando tortuoso o caminho do Senhor e conduzindo as pessoas à depravação. Eles: “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Romanos 1:23).
Conquanto a atual sofisticação entre os nossos falsos profetas e falsos mestres [evangélicos] já não possa incluir o uso de ídolos de pedra e madeira, mesmo assim eles pintam suas imagens de Deus com palavras que excitam a imaginação humana, redefinindo o objeto da adoração. Mesmo os que inadvertidamente ensinam o contrário do Evangelho de Cristo, acreditando que os seus ensinos são a verdadeira revelação, estão conduzindo multidões por um tenebroso caminho que as afasta cada dia mais da verdade. Apesar da sua sinceridade, eles se tornaram inimigos da fé e, a não ser que cheguem a um sincero arrependimento, abandonando o erro, irão naufragar na fé, levando muitos outros com eles: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (1 Timóteo 1:29).
Nesta época de “tolerância”, muitos cristãos têm se inclinado a praticar o mal, minimizando o seu dano. Aspergida com um ensino bíblico misto de honestidade e bondade, a heresia logo se torna agradável ao paladar, principalmente quando alimenta a auto-imagem e o desejo de possuir poder da parte de quem a escuta. A “comichão nos ouvidos” (2 Timóteo 4:3-4) tem se tornado o passatempo religioso nacional. Muitos têm preferido escutar fantásticas fábulas (verso 4), com uma ligeira camada de verniz cristão, em vez de escutar a dura verdade que exige a morte do ego.
Mesmo assim, o nosso Deus não está dormindo e o cristão sincero e humilde ainda consegue escutar a voz do seu Pastor e os de coração sensível ainda podem sentir a tristeza do Espírito Santo, quando o falso evangelho é apresentado como genuíno. Mas, infelizmente, a rota mais fácil é manter o “status quo”, mesmo diante da violência feita às Sagradas Escrituras. Os cristãos são anulados pelas constantes ameaças vindas dos púlpitos locais e nacionais, com a frase: “Não toqueis nos ungidos do Senhor!” e o medo de apedrejar o barco pode silenciar até mesmo o mais sincero crente em Cristo. Contudo, ao mesmo tempo em que existe um caminho mais fácil para quem se torna um ditador, suplantando o conhecimento de Deus com uma falsa piedade que ameniza o pecado, por outro lado o seu pecado deve ser amenizado, quando cometido na presença de alguém. Quando se dobram os joelhos tornando-se compromissados com o erro, eles ficarão dobrados até que aconteça o verdadeiro arrependimento e se volte para a única verdade que liberta do engodo.
O fato é que mesmo com todo o polimento da falsa teologia com eufemismos açucarados, ela não consegue esconder o seu veneno. A moda agora é dizer que um falso mestre foi “mal interpretado”, passando-se por cima do óbvio erro doutrinário que ele cometeu. Porém é bíblico chamar de falso o que é falso, tanto o homem como o seu ensino, dando nomes aos bois. E nenhuma das nomeações colocadas sobre os ombros dos falsos mestres pode ser considerada boa. E nem poderia ser. Um homem que deliberadamente refuta os outros com a sua própria lepra consumidora deve ser confrontado com o fato de sua moléstia e de sua necessidade de quarentena, para o seu próprio bem e dos seus seguidores. O mínimo que ele deveria fazer seria evitar o contágio a quem assiste a difusão do seu erro doutrinário.
Com fervoroso vigor apologético, a igreja primitiva fez guerra contra os que pervertiam a fé em Cristo. Qualquer um que se recusasse a agir assim, seria considerado um mercenário e culpado de grosseira covardia (João 10:12).
Os que são fiéis ao bom Pastor jamais hesitarão em usar o seu pessoal para afugentar os lobos do rebanho que precisa de proteção.
Na arena pessoal, é o caso de indagar: por que perturbar as crenças de um irmão que não é líder na comunidade cristã? Enquanto ele não estiver ensinando os outros, a mania teológica do “não julgue” nos leva a deixá-lo em paz. Ironicamente, a Bíblia narra esse tipo de pensamento na boca do primeiro assassino: “sou eu guardador do meu irmão?” (Gênesis 4:9). A resposta sarcástica de Caim nos diz que ele já conhecia a resposta: De fato, somos todos “guardadores do nosso irmão”. Se nós o amamos “não apenas de língua, mas por obra e em verdade” (1 João 3:18), precisamos informá-lo sobre o seu erro. De suas crenças vai depender o caminho no qual ele vai andar, caminho que poderá conduzi-lo a um precipício e atirá-lo ao abismo da heresia. O mesmo é verdade para todos nós. Conforme a crença que guardamos no coração, por ela viveremos e isso poderá determinar o nosso destino eterno.
Mesmo que a exposição do erro de um irmão não seja necessária, enquanto ele não se tornar um líder na congregação da igreja, a separação bíblica continua sendo aconselhada como uma resposta aos que se autodenominam cristãos e, contudo, vivem da mesma maneira ímpia como vivem os não regenerados: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1 Coríntios 5:9-11).
Aos olhos de Deus
Poderia ser útil observar pessoalmente como os falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são retratados na Escritura. O Deus da Bíblia faz certas referências específicas, escritas para todas as gerações, e nenhuma dúvida há na seriedade com que Ele vê os que pervertem o Seu caráter, Seus caminhos e Sua Palavra:
Pastores brutais - Ezequiel 34:1-22.
Lobos - Mateus 7:15.
Joio - Mateus 13:25.
Raça de víboras - Mateus 23:33.
Ladrão e salteador - João 10:1.
Mercenário - João 10:12.
Ministros de satanás 2 Coríntios 11:15.
Animais irracionais - 2 Pedro 2:12.
Ímpios - Judas 4
Ondas impetuosas do mar - (Judas 13).
Contaminadores - (Judas 8).
Manchas em festas de amor - (Judas 12).
Duas vezes mortos - (Judas 12).
Velho Testamento
Referências feitas aos falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são por demais abundantes nas páginas do Velho Testamento. Vamos nos concentrar em apenas algumas, tentando especificar indivíduos tratados e nomeados pelo Senhor:
Números 16 - Datã, Abirão e Coré foram publicamente censurados por Moisés (verso 26) e engolidos pela terra em julgamento divino (versos 31-32).
1 Reis 22:11, 24, 25 - O falso profeta Zedequias foi censurado e julgado por Micaías.
Jeremias 29:31-32 - O falso profeta Semaías morreu, após a censura do Senhor, feita através de Jeremias.
Grande parte do Livro de Jeremias é gasto na censura aos falsos profetas que desviaram Israel do caminho do Senhor, tendo levado o povo a adorar os ídolos - Jeremias 2:8 e 5:30-31.
Ezequiel 8:8-11 - Falsos anciãos de Israel expostos, inclusive Jahazanias.
Ezequiel 11: 1-13 - Falsos irmãos expostos e um deles, Penatias, morreu. Além destes, grande parte do tempo de Ezequiel foi gasto em profetizar contra:
Os falsos irmãos (Ez. 11:4).
Os falsos profetas (Ez. 13:16-17).
Os falsos pastores (Ez. Capítulo 34).
Grande parte do Livro de Isaías também é devotado às censuras feitas pelo Senhor contra os falsos profetas que estavam levando Israel à apostasia contra Deus, adorando os ídolos (Isaías 9:15 e 28:7).
Novo Testamento
Mateus 23 - Jesus censurou publicamente os fariseus pela sua hipocrisia e adoração a Deus, conforme a maneira dos homens, e pela distorção das Escrituras.
Romanos 16:17 - Paulo condena os que promoviam divisões contrárias à doutrina cristã, mandando evitá-los.
1 Coríntios 4:18 - Também todo o capítulo 5 - Paulo condena os orgulhosos que eram muitos, inclusive censurando um membro da congregação que havia cometido pecado público, o qual ele manda que seja expulso da igreja e entregue a Satanás.
2 Coríntios 10:8-11; 11:1-4; 12-15 e 20-23 - Falsos apóstolos denunciados por estarem pregando “outro Jesus” na congregação.
Gálatas 1: 1-8 - Falsos irmãos trazendo a circuncisão às igrejas da Galácia.
Gálatas 2:11-13 - Mesmo não se tratando de falsos irmãos, Paulo censurou publicamente Pedro e Barnabé por causa de sua hipocrisia.
1 Timóteo 1:3-4 - Paulo ordena a Timóteo que ele detenha os que estão pregando falsas doutrinas.
1 Timóteo 1:19-20 - Himineu e Alexandre foram entregues pelo apóstolo Paulo a Satanás por causa de sua blasfêmia.
1 Timóteo 5:19-20 - Censurados publicamente os que cometiam pecados grosseiros.
2 Timóteo 4:14 - Paulo admoesta Timóteo para se acautelar contra Alexandre, o latoeiro, que muito se opunha ao Evangelho.
Tito 1:9-16 - Recomendação a Timóteo para que censure os falsos mestres, os quais deveriam ser interrompidos por estarem causando graves danos ao Corpo de Cristo.
3 João: 9-10 - Diótrefes se opondo a João e controlando os membros da igreja.
Apocalipse 2:14 - Em Pérgamo, alguns aderem aos ensinos de Balaão e outros mantêm os ensinos dos nicolaítas, os quais Jesus odeia.
Apocalipse 2:20 - Jezabel, a falsa profetisa na congregação de Tiatira, era conhecida de todos, por ser ativa na igreja.
Existem muitas outras Escrituras, as quais mesmo não nomeando indivíduos culpados de ensinar falsas doutrinas ou de viver em ostensivo pecado, esses eram bem conhecidos dentro da congregação. Nesse caso era nomeada a igreja em determinada área, e todos ficavam sabendo quem estava sendo apontado pelas cartas de Paulo.
A igreja de hoje está quase devastada pelos que afirmam trazer novas revelações, uma “palavra nova” do Senhor, o que não pode ser respaldado nas Escrituras. Entre esses homens estão Rick Joyner, cujas visões de anjos, de demônios vomitando e de um “Jesus” contradizendo as Escrituras têm conduzido multidões pelo caminho da falsa sabedoria e autoridade; Kenneth Copeland, que nega a suficiência do sangue de Cristo e cujo “Jesus” precisou nascer de novo no inferno, após ter assumido a natureza de Satanás; Benny Hinn, cuja apresentação nos palcos leva tantas pessoas a crer que ele é um legítimo mensageiro de Deus, até mesmo quando ele, sob uma falsa unção, se enfurece e profere, publicamente, maldições contra os seus adversários, numa voz gutural e sibilante.
Estes são apenas alguns exemplos dos ministros de elevado perfil, que estão pervertendo os registros bíblicos. Suas doutrinas e demonstrações de falsos sinais e maravilhas têm produzido um verdadeiro enxame de imitadores, desde o pastor local, imitando fielmente os seus ídolos, até as mais confusas ovelhas, que se assentam nos bancos, sendo obrigadas pela liderança da igreja a proclamar um “outro evangelho”, contrário ao que Cristo ensinou, o qual elas haviam aprendido e no qual creram e tanto amaram [antes de descambar no erro doutrinário].
O tempo de silenciar já passou há muito. A ameaça de Ananias e Safira já não pode mais ser usada para bestificar os verdadeiros crentes na cruz de Cristo. Mas a intimidação tão usada e abusada do “não toqueis nos meus ungidos” tem crescido ao extremo. Se o preço de falar a verdade for a condenação da nossa comunidade religiosa, que assim seja. A perda da influência, do status e do respeito significa uma ninharia quando comparada à glória de sofrer pelo nosso Senhor. As palavras que Cristo tem falado através das eras continuam tão fortes agora como eram, quando foram impressas pela primeira vez nas páginas da Bíblia: “Por que estais ociosos todo o dia?” (Mateus 20:6). Conhecer a verdade e não agir em favor da mesma é o mesmo que se tornar cúmplice do pecado.
Muito mais tem sido patrocinado às assim chamadas “vozes proféticas” de hoje. Gritos de “paz, paz”, quando não há paz, ecoam nos corações vazios daqueles que anseiam pela reconfortante Palavra da Verdade, a qual não conseguem encontrar entre os vendilhões do Templo. O tilintar das moedas vai comprando o silêncio, à custa do engodo das multidões. Os legítimos profetas de Deus censuraram a heresia, com as suas palavras cortando a carunchosa madeira da falsa doutrina. Reis, sacerdotes e falsos profetas sentiram os golpes do machado. Os “ungidos do Senhor” (os verdadeiros profetas do VT) puderam tocar os outros “ungidos do Senhor” (Reis e sacerdotes) e também tocaram aqueles [falsos profetas] que haviam conseguido o respeito dos crentes com a sua fingida lealdade ao Senhor.
Uma plenitude de passagens, tanto do Velho como do Novo Testamento, ensina como trazer luz ao que é falso, a fim de que a falsidade seja desmantelada. Efésios 5:11 diz: “E não vos comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as”. A escolha é nossa em obedecer, mesmo sofrendo as conseqüências, pois o resultado do erro doutrinário é a destruição da vida espiritual do povo de Deus, o qual é levado à prostituição espiritual. Efésios 5:11 não é uma sugestão ou desafio, mas uma ordem. Se obedecermos corretamente essa ordem, poderemos contar com a integridade e a coragem bíblica da próxima geração de cristãos.
Artigo “Naming the Names, a Biblical Approach”, de Kevin Reeves.
kreeves@aptalaska.net
Traduzido por Mary Schultze, em 16/08/2007.
http://www.cpr.org.br/Mary.htm
Dando nomes aos bois
(uma proposta bíblica)
Kevin Reeves
Nos dias de hoje centenas de falsos ensinos assaltam tanto a igreja como a Escritura e, portanto, isso exige um minucioso exame de como devem ser tratados os que promovem as falsas doutrinas.
Embora pessoa alguma, com um sincero desejo de servir a Cristo, deseje ardentemente acusar outro irmão de estar cometendo erros em seu ministério, os profetas do Velho Testamento, o próprio Senhor Jesus Cristo e os apóstolos deixaram claro que muitos viriam em o nome do Senhor, professando segui-Lo e, contudo, pelos seus ensinos fraudulentos, negando-O ou apresentando uma imagem deturpada de Deus, bem diferente daquela que nos é apresentada na Escritura Sagrada. Paulo disse: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18-19).
Falsos mestres, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos irmãos podem danificar e até mesmo destruir a simplicidade da fé em Cristo: “... tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Jesus avisou que muitos seriam enganados por aqueles que afirmam falar em o nome de Deus (Mateus 24:5, 11, 24). Tendo sido um cristão que esteve à frente de falsos movimentos e que por ignorância promoveu o erro durante 12 anos, conheço de sobra o perigo que a nossa fé pode correr com a redefinição do Cristianismo e a apresentação de um “outro Jesus”. A heresia não é um brinquedo. Ela é uma mentira propalada com o objetivo de destruir o relacionamento entre o Salvador e o salvo, levando as confiantes ovelhas para um deserto repleto de predadores.
Nomear pessoas especificamente envolvidas na promoção de heresias ou doutrinas não bíblicas é, e deveria ser, a última e desconfortável atitude a ser tomada, e somente depois de muitas tentativas de reconciliação. Todo mundo pode cometer erros e somente diante de uma atitude de rebeldia, de falta de arrependimento e de mentalidade elitista demonstradas pelo irmão errado no sentido de raciocinar e de aceitar a verdade, é que nos dispomos a vir a público, numa hora de absoluta necessidade. Se um ladrão, um vândalo ou coisa pior residisse próximo à sua casa, será que você não gostaria de saber o seu nome e de onde ele veio, a fim de proteger sua família do perigo? Muito mais em se tratando de assuntos espirituais - itens de significação eterna - devemos proteger nossas almas e as almas das pessoas que nos foram confiadas pelo Senhor!
O perigo inerente de coabitar com a heresia jamais pode ser exageradamente exposto. O erro desconsiderado sempre tende a “corroer como gangrena” o Corpo de Cristo, a igreja (2 Timóteo 2:17-18). A heresia se especializa em negar a verdade e em desacreditar a exata história da antiga nação de Israel, cujas renovadas simpatias pelos falsos deuses e pelos falsos profetas levaram a nação a colher uma completa destruição de sua fé em Deus e, conseqüentemente, o julgamento do Senhor. Parece que nos esquecemos da admoestação contida em Romanos 15:4: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”.
Embora os fracassos de Israel fossem registrados para nos servirem de admoestação, muitos cristãos acreditam estar isentos do mesmo tipo de engodo. Os falsos profetas têm sido sempre os heróis do povo, tornando tortuoso o caminho do Senhor e conduzindo as pessoas à depravação. Eles: “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Romanos 1:23).
Conquanto a atual sofisticação entre os nossos falsos profetas e falsos mestres [evangélicos] já não possa incluir o uso de ídolos de pedra e madeira, mesmo assim eles pintam suas imagens de Deus com palavras que excitam a imaginação humana, redefinindo o objeto da adoração. Mesmo os que inadvertidamente ensinam o contrário do Evangelho de Cristo, acreditando que os seus ensinos são a verdadeira revelação, estão conduzindo multidões por um tenebroso caminho que as afasta cada dia mais da verdade. Apesar da sua sinceridade, eles se tornaram inimigos da fé e, a não ser que cheguem a um sincero arrependimento, abandonando o erro, irão naufragar na fé, levando muitos outros com eles: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (1 Timóteo 1:29).
Nesta época de “tolerância”, muitos cristãos têm se inclinado a praticar o mal, minimizando o seu dano. Aspergida com um ensino bíblico misto de honestidade e bondade, a heresia logo se torna agradável ao paladar, principalmente quando alimenta a auto-imagem e o desejo de possuir poder da parte de quem a escuta. A “comichão nos ouvidos” (2 Timóteo 4:3-4) tem se tornado o passatempo religioso nacional. Muitos têm preferido escutar fantásticas fábulas (verso 4), com uma ligeira camada de verniz cristão, em vez de escutar a dura verdade que exige a morte do ego.
Mesmo assim, o nosso Deus não está dormindo e o cristão sincero e humilde ainda consegue escutar a voz do seu Pastor e os de coração sensível ainda podem sentir a tristeza do Espírito Santo, quando o falso evangelho é apresentado como genuíno. Mas, infelizmente, a rota mais fácil é manter o “status quo”, mesmo diante da violência feita às Sagradas Escrituras. Os cristãos são anulados pelas constantes ameaças vindas dos púlpitos locais e nacionais, com a frase: “Não toqueis nos ungidos do Senhor!” e o medo de apedrejar o barco pode silenciar até mesmo o mais sincero crente em Cristo. Contudo, ao mesmo tempo em que existe um caminho mais fácil para quem se torna um ditador, suplantando o conhecimento de Deus com uma falsa piedade que ameniza o pecado, por outro lado o seu pecado deve ser amenizado, quando cometido na presença de alguém. Quando se dobram os joelhos tornando-se compromissados com o erro, eles ficarão dobrados até que aconteça o verdadeiro arrependimento e se volte para a única verdade que liberta do engodo.
O fato é que mesmo com todo o polimento da falsa teologia com eufemismos açucarados, ela não consegue esconder o seu veneno. A moda agora é dizer que um falso mestre foi “mal interpretado”, passando-se por cima do óbvio erro doutrinário que ele cometeu. Porém é bíblico chamar de falso o que é falso, tanto o homem como o seu ensino, dando nomes aos bois. E nenhuma das nomeações colocadas sobre os ombros dos falsos mestres pode ser considerada boa. E nem poderia ser. Um homem que deliberadamente refuta os outros com a sua própria lepra consumidora deve ser confrontado com o fato de sua moléstia e de sua necessidade de quarentena, para o seu próprio bem e dos seus seguidores. O mínimo que ele deveria fazer seria evitar o contágio a quem assiste a difusão do seu erro doutrinário.
Com fervoroso vigor apologético, a igreja primitiva fez guerra contra os que pervertiam a fé em Cristo. Qualquer um que se recusasse a agir assim, seria considerado um mercenário e culpado de grosseira covardia (João 10:12).
Os que são fiéis ao bom Pastor jamais hesitarão em usar o seu pessoal para afugentar os lobos do rebanho que precisa de proteção.
Na arena pessoal, é o caso de indagar: por que perturbar as crenças de um irmão que não é líder na comunidade cristã? Enquanto ele não estiver ensinando os outros, a mania teológica do “não julgue” nos leva a deixá-lo em paz. Ironicamente, a Bíblia narra esse tipo de pensamento na boca do primeiro assassino: “sou eu guardador do meu irmão?” (Gênesis 4:9). A resposta sarcástica de Caim nos diz que ele já conhecia a resposta: De fato, somos todos “guardadores do nosso irmão”. Se nós o amamos “não apenas de língua, mas por obra e em verdade” (1 João 3:18), precisamos informá-lo sobre o seu erro. De suas crenças vai depender o caminho no qual ele vai andar, caminho que poderá conduzi-lo a um precipício e atirá-lo ao abismo da heresia. O mesmo é verdade para todos nós. Conforme a crença que guardamos no coração, por ela viveremos e isso poderá determinar o nosso destino eterno.
Mesmo que a exposição do erro de um irmão não seja necessária, enquanto ele não se tornar um líder na congregação da igreja, a separação bíblica continua sendo aconselhada como uma resposta aos que se autodenominam cristãos e, contudo, vivem da mesma maneira ímpia como vivem os não regenerados: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1 Coríntios 5:9-11).
Aos olhos de Deus
Poderia ser útil observar pessoalmente como os falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são retratados na Escritura. O Deus da Bíblia faz certas referências específicas, escritas para todas as gerações, e nenhuma dúvida há na seriedade com que Ele vê os que pervertem o Seu caráter, Seus caminhos e Sua Palavra:
Pastores brutais - Ezequiel 34:1-22.
Lobos - Mateus 7:15.
Joio - Mateus 13:25.
Raça de víboras - Mateus 23:33.
Ladrão e salteador - João 10:1.
Mercenário - João 10:12.
Ministros de satanás 2 Coríntios 11:15.
Animais irracionais - 2 Pedro 2:12.
Ímpios - Judas 4
Ondas impetuosas do mar - (Judas 13).
Contaminadores - (Judas 8).
Manchas em festas de amor - (Judas 12).
Duas vezes mortos - (Judas 12).
Velho Testamento
Referências feitas aos falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são por demais abundantes nas páginas do Velho Testamento. Vamos nos concentrar em apenas algumas, tentando especificar indivíduos tratados e nomeados pelo Senhor:
Números 16 - Datã, Abirão e Coré foram publicamente censurados por Moisés (verso 26) e engolidos pela terra em julgamento divino (versos 31-32).
1 Reis 22:11, 24, 25 - O falso profeta Zedequias foi censurado e julgado por Micaías.
Jeremias 29:31-32 - O falso profeta Semaías morreu, após a censura do Senhor, feita através de Jeremias.
Grande parte do Livro de Jeremias é gasto na censura aos falsos profetas que desviaram Israel do caminho do Senhor, tendo levado o povo a adorar os ídolos - Jeremias 2:8 e 5:30-31.
Ezequiel 8:8-11 - Falsos anciãos de Israel expostos, inclusive Jahazanias.
Ezequiel 11: 1-13 - Falsos irmãos expostos e um deles, Penatias, morreu. Além destes, grande parte do tempo de Ezequiel foi gasto em profetizar contra:
Os falsos irmãos (Ez. 11:4).
Os falsos profetas (Ez. 13:16-17).
Os falsos pastores (Ez. Capítulo 34).
Grande parte do Livro de Isaías também é devotado às censuras feitas pelo Senhor contra os falsos profetas que estavam levando Israel à apostasia contra Deus, adorando os ídolos (Isaías 9:15 e 28:7).
Novo Testamento
Mateus 23 - Jesus censurou publicamente os fariseus pela sua hipocrisia e adoração a Deus, conforme a maneira dos homens, e pela distorção das Escrituras.
Romanos 16:17 - Paulo condena os que promoviam divisões contrárias à doutrina cristã, mandando evitá-los.
1 Coríntios 4:18 - Também todo o capítulo 5 - Paulo condena os orgulhosos que eram muitos, inclusive censurando um membro da congregação que havia cometido pecado público, o qual ele manda que seja expulso da igreja e entregue a Satanás.
2 Coríntios 10:8-11; 11:1-4; 12-15 e 20-23 - Falsos apóstolos denunciados por estarem pregando “outro Jesus” na congregação.
Gálatas 1: 1-8 - Falsos irmãos trazendo a circuncisão às igrejas da Galácia.
Gálatas 2:11-13 - Mesmo não se tratando de falsos irmãos, Paulo censurou publicamente Pedro e Barnabé por causa de sua hipocrisia.
1 Timóteo 1:3-4 - Paulo ordena a Timóteo que ele detenha os que estão pregando falsas doutrinas.
1 Timóteo 1:19-20 - Himineu e Alexandre foram entregues pelo apóstolo Paulo a Satanás por causa de sua blasfêmia.
1 Timóteo 5:19-20 - Censurados publicamente os que cometiam pecados grosseiros.
2 Timóteo 4:14 - Paulo admoesta Timóteo para se acautelar contra Alexandre, o latoeiro, que muito se opunha ao Evangelho.
Tito 1:9-16 - Recomendação a Timóteo para que censure os falsos mestres, os quais deveriam ser interrompidos por estarem causando graves danos ao Corpo de Cristo.
3 João: 9-10 - Diótrefes se opondo a João e controlando os membros da igreja.
Apocalipse 2:14 - Em Pérgamo, alguns aderem aos ensinos de Balaão e outros mantêm os ensinos dos nicolaítas, os quais Jesus odeia.
Apocalipse 2:20 - Jezabel, a falsa profetisa na congregação de Tiatira, era conhecida de todos, por ser ativa na igreja.
Existem muitas outras Escrituras, as quais mesmo não nomeando indivíduos culpados de ensinar falsas doutrinas ou de viver em ostensivo pecado, esses eram bem conhecidos dentro da congregação. Nesse caso era nomeada a igreja em determinada área, e todos ficavam sabendo quem estava sendo apontado pelas cartas de Paulo.
A igreja de hoje está quase devastada pelos que afirmam trazer novas revelações, uma “palavra nova” do Senhor, o que não pode ser respaldado nas Escrituras. Entre esses homens estão Rick Joyner, cujas visões de anjos, de demônios vomitando e de um “Jesus” contradizendo as Escrituras têm conduzido multidões pelo caminho da falsa sabedoria e autoridade; Kenneth Copeland, que nega a suficiência do sangue de Cristo e cujo “Jesus” precisou nascer de novo no inferno, após ter assumido a natureza de Satanás; Benny Hinn, cuja apresentação nos palcos leva tantas pessoas a crer que ele é um legítimo mensageiro de Deus, até mesmo quando ele, sob uma falsa unção, se enfurece e profere, publicamente, maldições contra os seus adversários, numa voz gutural e sibilante.
Estes são apenas alguns exemplos dos ministros de elevado perfil, que estão pervertendo os registros bíblicos. Suas doutrinas e demonstrações de falsos sinais e maravilhas têm produzido um verdadeiro enxame de imitadores, desde o pastor local, imitando fielmente os seus ídolos, até as mais confusas ovelhas, que se assentam nos bancos, sendo obrigadas pela liderança da igreja a proclamar um “outro evangelho”, contrário ao que Cristo ensinou, o qual elas haviam aprendido e no qual creram e tanto amaram [antes de descambar no erro doutrinário].
O tempo de silenciar já passou há muito. A ameaça de Ananias e Safira já não pode mais ser usada para bestificar os verdadeiros crentes na cruz de Cristo. Mas a intimidação tão usada e abusada do “não toqueis nos meus ungidos” tem crescido ao extremo. Se o preço de falar a verdade for a condenação da nossa comunidade religiosa, que assim seja. A perda da influência, do status e do respeito significa uma ninharia quando comparada à glória de sofrer pelo nosso Senhor. As palavras que Cristo tem falado através das eras continuam tão fortes agora como eram, quando foram impressas pela primeira vez nas páginas da Bíblia: “Por que estais ociosos todo o dia?” (Mateus 20:6). Conhecer a verdade e não agir em favor da mesma é o mesmo que se tornar cúmplice do pecado.
Muito mais tem sido patrocinado às assim chamadas “vozes proféticas” de hoje. Gritos de “paz, paz”, quando não há paz, ecoam nos corações vazios daqueles que anseiam pela reconfortante Palavra da Verdade, a qual não conseguem encontrar entre os vendilhões do Templo. O tilintar das moedas vai comprando o silêncio, à custa do engodo das multidões. Os legítimos profetas de Deus censuraram a heresia, com as suas palavras cortando a carunchosa madeira da falsa doutrina. Reis, sacerdotes e falsos profetas sentiram os golpes do machado. Os “ungidos do Senhor” (os verdadeiros profetas do VT) puderam tocar os outros “ungidos do Senhor” (Reis e sacerdotes) e também tocaram aqueles [falsos profetas] que haviam conseguido o respeito dos crentes com a sua fingida lealdade ao Senhor.
Uma plenitude de passagens, tanto do Velho como do Novo Testamento, ensina como trazer luz ao que é falso, a fim de que a falsidade seja desmantelada. Efésios 5:11 diz: “E não vos comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as”. A escolha é nossa em obedecer, mesmo sofrendo as conseqüências, pois o resultado do erro doutrinário é a destruição da vida espiritual do povo de Deus, o qual é levado à prostituição espiritual. Efésios 5:11 não é uma sugestão ou desafio, mas uma ordem. Se obedecermos corretamente essa ordem, poderemos contar com a integridade e a coragem bíblica da próxima geração de cristãos.
Artigo “Naming the Names, a Biblical Approach”, de Kevin Reeves.
kreeves@aptalaska.net
Traduzido por Mary Schultze, em 16/08/2007.
http://www.cpr.org.br/Mary.htm
Nos dias de hoje centenas de falsos ensinos assaltam tanto a igreja como a Escritura e, portanto, isso exige um minucioso exame de como devem ser tratados os que promovem as falsas doutrinas.
Embora pessoa alguma, com um sincero desejo de servir a Cristo, deseje ardentemente acusar outro irmão de estar cometendo erros em seu ministério, os profetas do Velho Testamento, o próprio Senhor Jesus Cristo e os apóstolos deixaram claro que muitos viriam em o nome do Senhor, professando segui-Lo e, contudo, pelos seus ensinos fraudulentos, negando-O ou apresentando uma imagem deturpada de Deus, bem diferente daquela que nos é apresentada na Escritura Sagrada. Paulo disse: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18-19).
Falsos mestres, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos irmãos podem danificar e até mesmo destruir a simplicidade da fé em Cristo: “... tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Jesus avisou que muitos seriam enganados por aqueles que afirmam falar em o nome de Deus (Mateus 24:5, 11, 24). Tendo sido um cristão que esteve à frente de falsos movimentos e que por ignorância promoveu o erro durante 12 anos, conheço de sobra o perigo que a nossa fé pode correr com a redefinição do Cristianismo e a apresentação de um “outro Jesus”. A heresia não é um brinquedo. Ela é uma mentira propalada com o objetivo de destruir o relacionamento entre o Salvador e o salvo, levando as confiantes ovelhas para um deserto repleto de predadores.
Nomear pessoas especificamente envolvidas na promoção de heresias ou doutrinas não bíblicas é, e deveria ser, a última e desconfortável atitude a ser tomada, e somente depois de muitas tentativas de reconciliação. Todo mundo pode cometer erros e somente diante de uma atitude de rebeldia, de falta de arrependimento e de mentalidade elitista demonstradas pelo irmão errado no sentido de raciocinar e de aceitar a verdade, é que nos dispomos a vir a público, numa hora de absoluta necessidade. Se um ladrão, um vândalo ou coisa pior residisse próximo à sua casa, será que você não gostaria de saber o seu nome e de onde ele veio, a fim de proteger sua família do perigo? Muito mais em se tratando de assuntos espirituais - itens de significação eterna - devemos proteger nossas almas e as almas das pessoas que nos foram confiadas pelo Senhor!
O perigo inerente de coabitar com a heresia jamais pode ser exageradamente exposto. O erro desconsiderado sempre tende a “corroer como gangrena” o Corpo de Cristo, a igreja (2 Timóteo 2:17-18). A heresia se especializa em negar a verdade e em desacreditar a exata história da antiga nação de Israel, cujas renovadas simpatias pelos falsos deuses e pelos falsos profetas levaram a nação a colher uma completa destruição de sua fé em Deus e, conseqüentemente, o julgamento do Senhor. Parece que nos esquecemos da admoestação contida em Romanos 15:4: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”.
Embora os fracassos de Israel fossem registrados para nos servirem de admoestação, muitos cristãos acreditam estar isentos do mesmo tipo de engodo. Os falsos profetas têm sido sempre os heróis do povo, tornando tortuoso o caminho do Senhor e conduzindo as pessoas à depravação. Eles: “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Romanos 1:23).
Conquanto a atual sofisticação entre os nossos falsos profetas e falsos mestres [evangélicos] já não possa incluir o uso de ídolos de pedra e madeira, mesmo assim eles pintam suas imagens de Deus com palavras que excitam a imaginação humana, redefinindo o objeto da adoração. Mesmo os que inadvertidamente ensinam o contrário do Evangelho de Cristo, acreditando que os seus ensinos são a verdadeira revelação, estão conduzindo multidões por um tenebroso caminho que as afasta cada dia mais da verdade. Apesar da sua sinceridade, eles se tornaram inimigos da fé e, a não ser que cheguem a um sincero arrependimento, abandonando o erro, irão naufragar na fé, levando muitos outros com eles: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (1 Timóteo 1:29).
Nesta época de “tolerância”, muitos cristãos têm se inclinado a praticar o mal, minimizando o seu dano. Aspergida com um ensino bíblico misto de honestidade e bondade, a heresia logo se torna agradável ao paladar, principalmente quando alimenta a auto-imagem e o desejo de possuir poder da parte de quem a escuta. A “comichão nos ouvidos” (2 Timóteo 4:3-4) tem se tornado o passatempo religioso nacional. Muitos têm preferido escutar fantásticas fábulas (verso 4), com uma ligeira camada de verniz cristão, em vez de escutar a dura verdade que exige a morte do ego.
Mesmo assim, o nosso Deus não está dormindo e o cristão sincero e humilde ainda consegue escutar a voz do seu Pastor e os de coração sensível ainda podem sentir a tristeza do Espírito Santo, quando o falso evangelho é apresentado como genuíno. Mas, infelizmente, a rota mais fácil é manter o “status quo”, mesmo diante da violência feita às Sagradas Escrituras. Os cristãos são anulados pelas constantes ameaças vindas dos púlpitos locais e nacionais, com a frase: “Não toqueis nos ungidos do Senhor!” e o medo de apedrejar o barco pode silenciar até mesmo o mais sincero crente em Cristo. Contudo, ao mesmo tempo em que existe um caminho mais fácil para quem se torna um ditador, suplantando o conhecimento de Deus com uma falsa piedade que ameniza o pecado, por outro lado o seu pecado deve ser amenizado, quando cometido na presença de alguém. Quando se dobram os joelhos tornando-se compromissados com o erro, eles ficarão dobrados até que aconteça o verdadeiro arrependimento e se volte para a única verdade que liberta do engodo.
O fato é que mesmo com todo o polimento da falsa teologia com eufemismos açucarados, ela não consegue esconder o seu veneno. A moda agora é dizer que um falso mestre foi “mal interpretado”, passando-se por cima do óbvio erro doutrinário que ele cometeu. Porém é bíblico chamar de falso o que é falso, tanto o homem como o seu ensino, dando nomes aos bois. E nenhuma das nomeações colocadas sobre os ombros dos falsos mestres pode ser considerada boa. E nem poderia ser. Um homem que deliberadamente refuta os outros com a sua própria lepra consumidora deve ser confrontado com o fato de sua moléstia e de sua necessidade de quarentena, para o seu próprio bem e dos seus seguidores. O mínimo que ele deveria fazer seria evitar o contágio a quem assiste a difusão do seu erro doutrinário.
Com fervoroso vigor apologético, a igreja primitiva fez guerra contra os que pervertiam a fé em Cristo. Qualquer um que se recusasse a agir assim, seria considerado um mercenário e culpado de grosseira covardia (João 10:12).
Os que são fiéis ao bom Pastor jamais hesitarão em usar o seu pessoal para afugentar os lobos do rebanho que precisa de proteção.
Na arena pessoal, é o caso de indagar: por que perturbar as crenças de um irmão que não é líder na comunidade cristã? Enquanto ele não estiver ensinando os outros, a mania teológica do “não julgue” nos leva a deixá-lo em paz. Ironicamente, a Bíblia narra esse tipo de pensamento na boca do primeiro assassino: “sou eu guardador do meu irmão?” (Gênesis 4:9). A resposta sarcástica de Caim nos diz que ele já conhecia a resposta: De fato, somos todos “guardadores do nosso irmão”. Se nós o amamos “não apenas de língua, mas por obra e em verdade” (1 João 3:18), precisamos informá-lo sobre o seu erro. De suas crenças vai depender o caminho no qual ele vai andar, caminho que poderá conduzi-lo a um precipício e atirá-lo ao abismo da heresia. O mesmo é verdade para todos nós. Conforme a crença que guardamos no coração, por ela viveremos e isso poderá determinar o nosso destino eterno.
Mesmo que a exposição do erro de um irmão não seja necessária, enquanto ele não se tornar um líder na congregação da igreja, a separação bíblica continua sendo aconselhada como uma resposta aos que se autodenominam cristãos e, contudo, vivem da mesma maneira ímpia como vivem os não regenerados: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1 Coríntios 5:9-11).
Aos olhos de Deus
Poderia ser útil observar pessoalmente como os falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são retratados na Escritura. O Deus da Bíblia faz certas referências específicas, escritas para todas as gerações, e nenhuma dúvida há na seriedade com que Ele vê os que pervertem o Seu caráter, Seus caminhos e Sua Palavra:
Pastores brutais - Ezequiel 34:1-22.
Lobos - Mateus 7:15.
Joio - Mateus 13:25.
Raça de víboras - Mateus 23:33.
Ladrão e salteador - João 10:1.
Mercenário - João 10:12.
Ministros de satanás 2 Coríntios 11:15.
Animais irracionais - 2 Pedro 2:12.
Ímpios - Judas 4
Ondas impetuosas do mar - (Judas 13).
Contaminadores - (Judas 8).
Manchas em festas de amor - (Judas 12).
Duas vezes mortos - (Judas 12).
Velho Testamento
Referências feitas aos falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são por demais abundantes nas páginas do Velho Testamento. Vamos nos concentrar em apenas algumas, tentando especificar indivíduos tratados e nomeados pelo Senhor:
Números 16 - Datã, Abirão e Coré foram publicamente censurados por Moisés (verso 26) e engolidos pela terra em julgamento divino (versos 31-32).
1 Reis 22:11, 24, 25 - O falso profeta Zedequias foi censurado e julgado por Micaías.
Jeremias 29:31-32 - O falso profeta Semaías morreu, após a censura do Senhor, feita através de Jeremias.
Grande parte do Livro de Jeremias é gasto na censura aos falsos profetas que desviaram Israel do caminho do Senhor, tendo levado o povo a adorar os ídolos - Jeremias 2:8 e 5:30-31.
Ezequiel 8:8-11 - Falsos anciãos de Israel expostos, inclusive Jahazanias.
Ezequiel 11: 1-13 - Falsos irmãos expostos e um deles, Penatias, morreu. Além destes, grande parte do tempo de Ezequiel foi gasto em profetizar contra:
Os falsos irmãos (Ez. 11:4).
Os falsos profetas (Ez. 13:16-17).
Os falsos pastores (Ez. Capítulo 34).
Grande parte do Livro de Isaías também é devotado às censuras feitas pelo Senhor contra os falsos profetas que estavam levando Israel à apostasia contra Deus, adorando os ídolos (Isaías 9:15 e 28:7).
Novo Testamento
Mateus 23 - Jesus censurou publicamente os fariseus pela sua hipocrisia e adoração a Deus, conforme a maneira dos homens, e pela distorção das Escrituras.
Romanos 16:17 - Paulo condena os que promoviam divisões contrárias à doutrina cristã, mandando evitá-los.
1 Coríntios 4:18 - Também todo o capítulo 5 - Paulo condena os orgulhosos que eram muitos, inclusive censurando um membro da congregação que havia cometido pecado público, o qual ele manda que seja expulso da igreja e entregue a Satanás.
2 Coríntios 10:8-11; 11:1-4; 12-15 e 20-23 - Falsos apóstolos denunciados por estarem pregando “outro Jesus” na congregação.
Gálatas 1: 1-8 - Falsos irmãos trazendo a circuncisão às igrejas da Galácia.
Gálatas 2:11-13 - Mesmo não se tratando de falsos irmãos, Paulo censurou publicamente Pedro e Barnabé por causa de sua hipocrisia.
1 Timóteo 1:3-4 - Paulo ordena a Timóteo que ele detenha os que estão pregando falsas doutrinas.
1 Timóteo 1:19-20 - Himineu e Alexandre foram entregues pelo apóstolo Paulo a Satanás por causa de sua blasfêmia.
1 Timóteo 5:19-20 - Censurados publicamente os que cometiam pecados grosseiros.
2 Timóteo 4:14 - Paulo admoesta Timóteo para se acautelar contra Alexandre, o latoeiro, que muito se opunha ao Evangelho.
Tito 1:9-16 - Recomendação a Timóteo para que censure os falsos mestres, os quais deveriam ser interrompidos por estarem causando graves danos ao Corpo de Cristo.
3 João: 9-10 - Diótrefes se opondo a João e controlando os membros da igreja.
Apocalipse 2:14 - Em Pérgamo, alguns aderem aos ensinos de Balaão e outros mantêm os ensinos dos nicolaítas, os quais Jesus odeia.
Apocalipse 2:20 - Jezabel, a falsa profetisa na congregação de Tiatira, era conhecida de todos, por ser ativa na igreja.
Existem muitas outras Escrituras, as quais mesmo não nomeando indivíduos culpados de ensinar falsas doutrinas ou de viver em ostensivo pecado, esses eram bem conhecidos dentro da congregação. Nesse caso era nomeada a igreja em determinada área, e todos ficavam sabendo quem estava sendo apontado pelas cartas de Paulo.
A igreja de hoje está quase devastada pelos que afirmam trazer novas revelações, uma “palavra nova” do Senhor, o que não pode ser respaldado nas Escrituras. Entre esses homens estão Rick Joyner, cujas visões de anjos, de demônios vomitando e de um “Jesus” contradizendo as Escrituras têm conduzido multidões pelo caminho da falsa sabedoria e autoridade; Kenneth Copeland, que nega a suficiência do sangue de Cristo e cujo “Jesus” precisou nascer de novo no inferno, após ter assumido a natureza de Satanás; Benny Hinn, cuja apresentação nos palcos leva tantas pessoas a crer que ele é um legítimo mensageiro de Deus, até mesmo quando ele, sob uma falsa unção, se enfurece e profere, publicamente, maldições contra os seus adversários, numa voz gutural e sibilante.
Estes são apenas alguns exemplos dos ministros de elevado perfil, que estão pervertendo os registros bíblicos. Suas doutrinas e demonstrações de falsos sinais e maravilhas têm produzido um verdadeiro enxame de imitadores, desde o pastor local, imitando fielmente os seus ídolos, até as mais confusas ovelhas, que se assentam nos bancos, sendo obrigadas pela liderança da igreja a proclamar um “outro evangelho”, contrário ao que Cristo ensinou, o qual elas haviam aprendido e no qual creram e tanto amaram [antes de descambar no erro doutrinário].
O tempo de silenciar já passou há muito. A ameaça de Ananias e Safira já não pode mais ser usada para bestificar os verdadeiros crentes na cruz de Cristo. Mas a intimidação tão usada e abusada do “não toqueis nos meus ungidos” tem crescido ao extremo. Se o preço de falar a verdade for a condenação da nossa comunidade religiosa, que assim seja. A perda da influência, do status e do respeito significa uma ninharia quando comparada à glória de sofrer pelo nosso Senhor. As palavras que Cristo tem falado através das eras continuam tão fortes agora como eram, quando foram impressas pela primeira vez nas páginas da Bíblia: “Por que estais ociosos todo o dia?” (Mateus 20:6). Conhecer a verdade e não agir em favor da mesma é o mesmo que se tornar cúmplice do pecado.
Muito mais tem sido patrocinado às assim chamadas “vozes proféticas” de hoje. Gritos de “paz, paz”, quando não há paz, ecoam nos corações vazios daqueles que anseiam pela reconfortante Palavra da Verdade, a qual não conseguem encontrar entre os vendilhões do Templo. O tilintar das moedas vai comprando o silêncio, à custa do engodo das multidões. Os legítimos profetas de Deus censuraram a heresia, com as suas palavras cortando a carunchosa madeira da falsa doutrina. Reis, sacerdotes e falsos profetas sentiram os golpes do machado. Os “ungidos do Senhor” (os verdadeiros profetas do VT) puderam tocar os outros “ungidos do Senhor” (Reis e sacerdotes) e também tocaram aqueles [falsos profetas] que haviam conseguido o respeito dos crentes com a sua fingida lealdade ao Senhor.
Uma plenitude de passagens, tanto do Velho como do Novo Testamento, ensina como trazer luz ao que é falso, a fim de que a falsidade seja desmantelada. Efésios 5:11 diz: “E não vos comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as”. A escolha é nossa em obedecer, mesmo sofrendo as conseqüências, pois o resultado do erro doutrinário é a destruição da vida espiritual do povo de Deus, o qual é levado à prostituição espiritual. Efésios 5:11 não é uma sugestão ou desafio, mas uma ordem. Se obedecermos corretamente essa ordem, poderemos contar com a integridade e a coragem bíblica da próxima geração de cristãos.
Artigo “Naming the Names, a Biblical Approach”, de Kevin Reeves.
kreeves@aptalaska.net
Traduzido por Mary Schultze, em 16/08/2007.
http://www.cpr.org.br/Mary.htm
Dando nomes aos bois
(uma proposta bíblica)
Kevin Reeves
Nos dias de hoje centenas de falsos ensinos assaltam tanto a igreja como a Escritura e, portanto, isso exige um minucioso exame de como devem ser tratados os que promovem as falsas doutrinas.
Embora pessoa alguma, com um sincero desejo de servir a Cristo, deseje ardentemente acusar outro irmão de estar cometendo erros em seu ministério, os profetas do Velho Testamento, o próprio Senhor Jesus Cristo e os apóstolos deixaram claro que muitos viriam em o nome do Senhor, professando segui-Lo e, contudo, pelos seus ensinos fraudulentos, negando-O ou apresentando uma imagem deturpada de Deus, bem diferente daquela que nos é apresentada na Escritura Sagrada. Paulo disse: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18-19).
Falsos mestres, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos irmãos podem danificar e até mesmo destruir a simplicidade da fé em Cristo: “... tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Jesus avisou que muitos seriam enganados por aqueles que afirmam falar em o nome de Deus (Mateus 24:5, 11, 24). Tendo sido um cristão que esteve à frente de falsos movimentos e que por ignorância promoveu o erro durante 12 anos, conheço de sobra o perigo que a nossa fé pode correr com a redefinição do Cristianismo e a apresentação de um “outro Jesus”. A heresia não é um brinquedo. Ela é uma mentira propalada com o objetivo de destruir o relacionamento entre o Salvador e o salvo, levando as confiantes ovelhas para um deserto repleto de predadores.
Nomear pessoas especificamente envolvidas na promoção de heresias ou doutrinas não bíblicas é, e deveria ser, a última e desconfortável atitude a ser tomada, e somente depois de muitas tentativas de reconciliação. Todo mundo pode cometer erros e somente diante de uma atitude de rebeldia, de falta de arrependimento e de mentalidade elitista demonstradas pelo irmão errado no sentido de raciocinar e de aceitar a verdade, é que nos dispomos a vir a público, numa hora de absoluta necessidade. Se um ladrão, um vândalo ou coisa pior residisse próximo à sua casa, será que você não gostaria de saber o seu nome e de onde ele veio, a fim de proteger sua família do perigo? Muito mais em se tratando de assuntos espirituais - itens de significação eterna - devemos proteger nossas almas e as almas das pessoas que nos foram confiadas pelo Senhor!
O perigo inerente de coabitar com a heresia jamais pode ser exageradamente exposto. O erro desconsiderado sempre tende a “corroer como gangrena” o Corpo de Cristo, a igreja (2 Timóteo 2:17-18). A heresia se especializa em negar a verdade e em desacreditar a exata história da antiga nação de Israel, cujas renovadas simpatias pelos falsos deuses e pelos falsos profetas levaram a nação a colher uma completa destruição de sua fé em Deus e, conseqüentemente, o julgamento do Senhor. Parece que nos esquecemos da admoestação contida em Romanos 15:4: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”.
Embora os fracassos de Israel fossem registrados para nos servirem de admoestação, muitos cristãos acreditam estar isentos do mesmo tipo de engodo. Os falsos profetas têm sido sempre os heróis do povo, tornando tortuoso o caminho do Senhor e conduzindo as pessoas à depravação. Eles: “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Romanos 1:23).
Conquanto a atual sofisticação entre os nossos falsos profetas e falsos mestres [evangélicos] já não possa incluir o uso de ídolos de pedra e madeira, mesmo assim eles pintam suas imagens de Deus com palavras que excitam a imaginação humana, redefinindo o objeto da adoração. Mesmo os que inadvertidamente ensinam o contrário do Evangelho de Cristo, acreditando que os seus ensinos são a verdadeira revelação, estão conduzindo multidões por um tenebroso caminho que as afasta cada dia mais da verdade. Apesar da sua sinceridade, eles se tornaram inimigos da fé e, a não ser que cheguem a um sincero arrependimento, abandonando o erro, irão naufragar na fé, levando muitos outros com eles: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (1 Timóteo 1:29).
Nesta época de “tolerância”, muitos cristãos têm se inclinado a praticar o mal, minimizando o seu dano. Aspergida com um ensino bíblico misto de honestidade e bondade, a heresia logo se torna agradável ao paladar, principalmente quando alimenta a auto-imagem e o desejo de possuir poder da parte de quem a escuta. A “comichão nos ouvidos” (2 Timóteo 4:3-4) tem se tornado o passatempo religioso nacional. Muitos têm preferido escutar fantásticas fábulas (verso 4), com uma ligeira camada de verniz cristão, em vez de escutar a dura verdade que exige a morte do ego.
Mesmo assim, o nosso Deus não está dormindo e o cristão sincero e humilde ainda consegue escutar a voz do seu Pastor e os de coração sensível ainda podem sentir a tristeza do Espírito Santo, quando o falso evangelho é apresentado como genuíno. Mas, infelizmente, a rota mais fácil é manter o “status quo”, mesmo diante da violência feita às Sagradas Escrituras. Os cristãos são anulados pelas constantes ameaças vindas dos púlpitos locais e nacionais, com a frase: “Não toqueis nos ungidos do Senhor!” e o medo de apedrejar o barco pode silenciar até mesmo o mais sincero crente em Cristo. Contudo, ao mesmo tempo em que existe um caminho mais fácil para quem se torna um ditador, suplantando o conhecimento de Deus com uma falsa piedade que ameniza o pecado, por outro lado o seu pecado deve ser amenizado, quando cometido na presença de alguém. Quando se dobram os joelhos tornando-se compromissados com o erro, eles ficarão dobrados até que aconteça o verdadeiro arrependimento e se volte para a única verdade que liberta do engodo.
O fato é que mesmo com todo o polimento da falsa teologia com eufemismos açucarados, ela não consegue esconder o seu veneno. A moda agora é dizer que um falso mestre foi “mal interpretado”, passando-se por cima do óbvio erro doutrinário que ele cometeu. Porém é bíblico chamar de falso o que é falso, tanto o homem como o seu ensino, dando nomes aos bois. E nenhuma das nomeações colocadas sobre os ombros dos falsos mestres pode ser considerada boa. E nem poderia ser. Um homem que deliberadamente refuta os outros com a sua própria lepra consumidora deve ser confrontado com o fato de sua moléstia e de sua necessidade de quarentena, para o seu próprio bem e dos seus seguidores. O mínimo que ele deveria fazer seria evitar o contágio a quem assiste a difusão do seu erro doutrinário.
Com fervoroso vigor apologético, a igreja primitiva fez guerra contra os que pervertiam a fé em Cristo. Qualquer um que se recusasse a agir assim, seria considerado um mercenário e culpado de grosseira covardia (João 10:12).
Os que são fiéis ao bom Pastor jamais hesitarão em usar o seu pessoal para afugentar os lobos do rebanho que precisa de proteção.
Na arena pessoal, é o caso de indagar: por que perturbar as crenças de um irmão que não é líder na comunidade cristã? Enquanto ele não estiver ensinando os outros, a mania teológica do “não julgue” nos leva a deixá-lo em paz. Ironicamente, a Bíblia narra esse tipo de pensamento na boca do primeiro assassino: “sou eu guardador do meu irmão?” (Gênesis 4:9). A resposta sarcástica de Caim nos diz que ele já conhecia a resposta: De fato, somos todos “guardadores do nosso irmão”. Se nós o amamos “não apenas de língua, mas por obra e em verdade” (1 João 3:18), precisamos informá-lo sobre o seu erro. De suas crenças vai depender o caminho no qual ele vai andar, caminho que poderá conduzi-lo a um precipício e atirá-lo ao abismo da heresia. O mesmo é verdade para todos nós. Conforme a crença que guardamos no coração, por ela viveremos e isso poderá determinar o nosso destino eterno.
Mesmo que a exposição do erro de um irmão não seja necessária, enquanto ele não se tornar um líder na congregação da igreja, a separação bíblica continua sendo aconselhada como uma resposta aos que se autodenominam cristãos e, contudo, vivem da mesma maneira ímpia como vivem os não regenerados: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1 Coríntios 5:9-11).
Aos olhos de Deus
Poderia ser útil observar pessoalmente como os falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são retratados na Escritura. O Deus da Bíblia faz certas referências específicas, escritas para todas as gerações, e nenhuma dúvida há na seriedade com que Ele vê os que pervertem o Seu caráter, Seus caminhos e Sua Palavra:
Pastores brutais - Ezequiel 34:1-22.
Lobos - Mateus 7:15.
Joio - Mateus 13:25.
Raça de víboras - Mateus 23:33.
Ladrão e salteador - João 10:1.
Mercenário - João 10:12.
Ministros de satanás 2 Coríntios 11:15.
Animais irracionais - 2 Pedro 2:12.
Ímpios - Judas 4
Ondas impetuosas do mar - (Judas 13).
Contaminadores - (Judas 8).
Manchas em festas de amor - (Judas 12).
Duas vezes mortos - (Judas 12).
Velho Testamento
Referências feitas aos falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são por demais abundantes nas páginas do Velho Testamento. Vamos nos concentrar em apenas algumas, tentando especificar indivíduos tratados e nomeados pelo Senhor:
Números 16 - Datã, Abirão e Coré foram publicamente censurados por Moisés (verso 26) e engolidos pela terra em julgamento divino (versos 31-32).
1 Reis 22:11, 24, 25 - O falso profeta Zedequias foi censurado e julgado por Micaías.
Jeremias 29:31-32 - O falso profeta Semaías morreu, após a censura do Senhor, feita através de Jeremias.
Grande parte do Livro de Jeremias é gasto na censura aos falsos profetas que desviaram Israel do caminho do Senhor, tendo levado o povo a adorar os ídolos - Jeremias 2:8 e 5:30-31.
Ezequiel 8:8-11 - Falsos anciãos de Israel expostos, inclusive Jahazanias.
Ezequiel 11: 1-13 - Falsos irmãos expostos e um deles, Penatias, morreu. Além destes, grande parte do tempo de Ezequiel foi gasto em profetizar contra:
Os falsos irmãos (Ez. 11:4).
Os falsos profetas (Ez. 13:16-17).
Os falsos pastores (Ez. Capítulo 34).
Grande parte do Livro de Isaías também é devotado às censuras feitas pelo Senhor contra os falsos profetas que estavam levando Israel à apostasia contra Deus, adorando os ídolos (Isaías 9:15 e 28:7).
Novo Testamento
Mateus 23 - Jesus censurou publicamente os fariseus pela sua hipocrisia e adoração a Deus, conforme a maneira dos homens, e pela distorção das Escrituras.
Romanos 16:17 - Paulo condena os que promoviam divisões contrárias à doutrina cristã, mandando evitá-los.
1 Coríntios 4:18 - Também todo o capítulo 5 - Paulo condena os orgulhosos que eram muitos, inclusive censurando um membro da congregação que havia cometido pecado público, o qual ele manda que seja expulso da igreja e entregue a Satanás.
2 Coríntios 10:8-11; 11:1-4; 12-15 e 20-23 - Falsos apóstolos denunciados por estarem pregando “outro Jesus” na congregação.
Gálatas 1: 1-8 - Falsos irmãos trazendo a circuncisão às igrejas da Galácia.
Gálatas 2:11-13 - Mesmo não se tratando de falsos irmãos, Paulo censurou publicamente Pedro e Barnabé por causa de sua hipocrisia.
1 Timóteo 1:3-4 - Paulo ordena a Timóteo que ele detenha os que estão pregando falsas doutrinas.
1 Timóteo 1:19-20 - Himineu e Alexandre foram entregues pelo apóstolo Paulo a Satanás por causa de sua blasfêmia.
1 Timóteo 5:19-20 - Censurados publicamente os que cometiam pecados grosseiros.
2 Timóteo 4:14 - Paulo admoesta Timóteo para se acautelar contra Alexandre, o latoeiro, que muito se opunha ao Evangelho.
Tito 1:9-16 - Recomendação a Timóteo para que censure os falsos mestres, os quais deveriam ser interrompidos por estarem causando graves danos ao Corpo de Cristo.
3 João: 9-10 - Diótrefes se opondo a João e controlando os membros da igreja.
Apocalipse 2:14 - Em Pérgamo, alguns aderem aos ensinos de Balaão e outros mantêm os ensinos dos nicolaítas, os quais Jesus odeia.
Apocalipse 2:20 - Jezabel, a falsa profetisa na congregação de Tiatira, era conhecida de todos, por ser ativa na igreja.
Existem muitas outras Escrituras, as quais mesmo não nomeando indivíduos culpados de ensinar falsas doutrinas ou de viver em ostensivo pecado, esses eram bem conhecidos dentro da congregação. Nesse caso era nomeada a igreja em determinada área, e todos ficavam sabendo quem estava sendo apontado pelas cartas de Paulo.
A igreja de hoje está quase devastada pelos que afirmam trazer novas revelações, uma “palavra nova” do Senhor, o que não pode ser respaldado nas Escrituras. Entre esses homens estão Rick Joyner, cujas visões de anjos, de demônios vomitando e de um “Jesus” contradizendo as Escrituras têm conduzido multidões pelo caminho da falsa sabedoria e autoridade; Kenneth Copeland, que nega a suficiência do sangue de Cristo e cujo “Jesus” precisou nascer de novo no inferno, após ter assumido a natureza de Satanás; Benny Hinn, cuja apresentação nos palcos leva tantas pessoas a crer que ele é um legítimo mensageiro de Deus, até mesmo quando ele, sob uma falsa unção, se enfurece e profere, publicamente, maldições contra os seus adversários, numa voz gutural e sibilante.
Estes são apenas alguns exemplos dos ministros de elevado perfil, que estão pervertendo os registros bíblicos. Suas doutrinas e demonstrações de falsos sinais e maravilhas têm produzido um verdadeiro enxame de imitadores, desde o pastor local, imitando fielmente os seus ídolos, até as mais confusas ovelhas, que se assentam nos bancos, sendo obrigadas pela liderança da igreja a proclamar um “outro evangelho”, contrário ao que Cristo ensinou, o qual elas haviam aprendido e no qual creram e tanto amaram [antes de descambar no erro doutrinário].
O tempo de silenciar já passou há muito. A ameaça de Ananias e Safira já não pode mais ser usada para bestificar os verdadeiros crentes na cruz de Cristo. Mas a intimidação tão usada e abusada do “não toqueis nos meus ungidos” tem crescido ao extremo. Se o preço de falar a verdade for a condenação da nossa comunidade religiosa, que assim seja. A perda da influência, do status e do respeito significa uma ninharia quando comparada à glória de sofrer pelo nosso Senhor. As palavras que Cristo tem falado através das eras continuam tão fortes agora como eram, quando foram impressas pela primeira vez nas páginas da Bíblia: “Por que estais ociosos todo o dia?” (Mateus 20:6). Conhecer a verdade e não agir em favor da mesma é o mesmo que se tornar cúmplice do pecado.
Muito mais tem sido patrocinado às assim chamadas “vozes proféticas” de hoje. Gritos de “paz, paz”, quando não há paz, ecoam nos corações vazios daqueles que anseiam pela reconfortante Palavra da Verdade, a qual não conseguem encontrar entre os vendilhões do Templo. O tilintar das moedas vai comprando o silêncio, à custa do engodo das multidões. Os legítimos profetas de Deus censuraram a heresia, com as suas palavras cortando a carunchosa madeira da falsa doutrina. Reis, sacerdotes e falsos profetas sentiram os golpes do machado. Os “ungidos do Senhor” (os verdadeiros profetas do VT) puderam tocar os outros “ungidos do Senhor” (Reis e sacerdotes) e também tocaram aqueles [falsos profetas] que haviam conseguido o respeito dos crentes com a sua fingida lealdade ao Senhor.
Uma plenitude de passagens, tanto do Velho como do Novo Testamento, ensina como trazer luz ao que é falso, a fim de que a falsidade seja desmantelada. Efésios 5:11 diz: “E não vos comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as”. A escolha é nossa em obedecer, mesmo sofrendo as conseqüências, pois o resultado do erro doutrinário é a destruição da vida espiritual do povo de Deus, o qual é levado à prostituição espiritual. Efésios 5:11 não é uma sugestão ou desafio, mas uma ordem. Se obedecermos corretamente essa ordem, poderemos contar com a integridade e a coragem bíblica da próxima geração de cristãos.
Artigo “Naming the Names, a Biblical Approach”, de Kevin Reeves.
kreeves@aptalaska.net
Traduzido por Mary Schultze, em 16/08/2007.
http://www.cpr.org.br/Mary.htm
Dando nomes aos bois
(uma proposta bíblica)
Kevin Reeves
Nos dias de hoje centenas de falsos ensinos assaltam tanto a igreja como a Escritura e, portanto, isso exige um minucioso exame de como devem ser tratados os que promovem as falsas doutrinas.
Embora pessoa alguma, com um sincero desejo de servir a Cristo, deseje ardentemente acusar outro irmão de estar cometendo erros em seu ministério, os profetas do Velho Testamento, o próprio Senhor Jesus Cristo e os apóstolos deixaram claro que muitos viriam em o nome do Senhor, professando segui-Lo e, contudo, pelos seus ensinos fraudulentos, negando-O ou apresentando uma imagem deturpada de Deus, bem diferente daquela que nos é apresentada na Escritura Sagrada. Paulo disse: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18-19).
Falsos mestres, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos irmãos podem danificar e até mesmo destruir a simplicidade da fé em Cristo: “... tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Jesus avisou que muitos seriam enganados por aqueles que afirmam falar em o nome de Deus (Mateus 24:5, 11, 24). Tendo sido um cristão que esteve à frente de falsos movimentos e que por ignorância promoveu o erro durante 12 anos, conheço de sobra o perigo que a nossa fé pode correr com a redefinição do Cristianismo e a apresentação de um “outro Jesus”. A heresia não é um brinquedo. Ela é uma mentira propalada com o objetivo de destruir o relacionamento entre o Salvador e o salvo, levando as confiantes ovelhas para um deserto repleto de predadores.
Nomear pessoas especificamente envolvidas na promoção de heresias ou doutrinas não bíblicas é, e deveria ser, a última e desconfortável atitude a ser tomada, e somente depois de muitas tentativas de reconciliação. Todo mundo pode cometer erros e somente diante de uma atitude de rebeldia, de falta de arrependimento e de mentalidade elitista demonstradas pelo irmão errado no sentido de raciocinar e de aceitar a verdade, é que nos dispomos a vir a público, numa hora de absoluta necessidade. Se um ladrão, um vândalo ou coisa pior residisse próximo à sua casa, será que você não gostaria de saber o seu nome e de onde ele veio, a fim de proteger sua família do perigo? Muito mais em se tratando de assuntos espirituais - itens de significação eterna - devemos proteger nossas almas e as almas das pessoas que nos foram confiadas pelo Senhor!
O perigo inerente de coabitar com a heresia jamais pode ser exageradamente exposto. O erro desconsiderado sempre tende a “corroer como gangrena” o Corpo de Cristo, a igreja (2 Timóteo 2:17-18). A heresia se especializa em negar a verdade e em desacreditar a exata história da antiga nação de Israel, cujas renovadas simpatias pelos falsos deuses e pelos falsos profetas levaram a nação a colher uma completa destruição de sua fé em Deus e, conseqüentemente, o julgamento do Senhor. Parece que nos esquecemos da admoestação contida em Romanos 15:4: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”.
Embora os fracassos de Israel fossem registrados para nos servirem de admoestação, muitos cristãos acreditam estar isentos do mesmo tipo de engodo. Os falsos profetas têm sido sempre os heróis do povo, tornando tortuoso o caminho do Senhor e conduzindo as pessoas à depravação. Eles: “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Romanos 1:23).
Conquanto a atual sofisticação entre os nossos falsos profetas e falsos mestres [evangélicos] já não possa incluir o uso de ídolos de pedra e madeira, mesmo assim eles pintam suas imagens de Deus com palavras que excitam a imaginação humana, redefinindo o objeto da adoração. Mesmo os que inadvertidamente ensinam o contrário do Evangelho de Cristo, acreditando que os seus ensinos são a verdadeira revelação, estão conduzindo multidões por um tenebroso caminho que as afasta cada dia mais da verdade. Apesar da sua sinceridade, eles se tornaram inimigos da fé e, a não ser que cheguem a um sincero arrependimento, abandonando o erro, irão naufragar na fé, levando muitos outros com eles: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (1 Timóteo 1:29).
Nesta época de “tolerância”, muitos cristãos têm se inclinado a praticar o mal, minimizando o seu dano. Aspergida com um ensino bíblico misto de honestidade e bondade, a heresia logo se torna agradável ao paladar, principalmente quando alimenta a auto-imagem e o desejo de possuir poder da parte de quem a escuta. A “comichão nos ouvidos” (2 Timóteo 4:3-4) tem se tornado o passatempo religioso nacional. Muitos têm preferido escutar fantásticas fábulas (verso 4), com uma ligeira camada de verniz cristão, em vez de escutar a dura verdade que exige a morte do ego.
Mesmo assim, o nosso Deus não está dormindo e o cristão sincero e humilde ainda consegue escutar a voz do seu Pastor e os de coração sensível ainda podem sentir a tristeza do Espírito Santo, quando o falso evangelho é apresentado como genuíno. Mas, infelizmente, a rota mais fácil é manter o “status quo”, mesmo diante da violência feita às Sagradas Escrituras. Os cristãos são anulados pelas constantes ameaças vindas dos púlpitos locais e nacionais, com a frase: “Não toqueis nos ungidos do Senhor!” e o medo de apedrejar o barco pode silenciar até mesmo o mais sincero crente em Cristo. Contudo, ao mesmo tempo em que existe um caminho mais fácil para quem se torna um ditador, suplantando o conhecimento de Deus com uma falsa piedade que ameniza o pecado, por outro lado o seu pecado deve ser amenizado, quando cometido na presença de alguém. Quando se dobram os joelhos tornando-se compromissados com o erro, eles ficarão dobrados até que aconteça o verdadeiro arrependimento e se volte para a única verdade que liberta do engodo.
O fato é que mesmo com todo o polimento da falsa teologia com eufemismos açucarados, ela não consegue esconder o seu veneno. A moda agora é dizer que um falso mestre foi “mal interpretado”, passando-se por cima do óbvio erro doutrinário que ele cometeu. Porém é bíblico chamar de falso o que é falso, tanto o homem como o seu ensino, dando nomes aos bois. E nenhuma das nomeações colocadas sobre os ombros dos falsos mestres pode ser considerada boa. E nem poderia ser. Um homem que deliberadamente refuta os outros com a sua própria lepra consumidora deve ser confrontado com o fato de sua moléstia e de sua necessidade de quarentena, para o seu próprio bem e dos seus seguidores. O mínimo que ele deveria fazer seria evitar o contágio a quem assiste a difusão do seu erro doutrinário.
Com fervoroso vigor apologético, a igreja primitiva fez guerra contra os que pervertiam a fé em Cristo. Qualquer um que se recusasse a agir assim, seria considerado um mercenário e culpado de grosseira covardia (João 10:12).
Os que são fiéis ao bom Pastor jamais hesitarão em usar o seu pessoal para afugentar os lobos do rebanho que precisa de proteção.
Na arena pessoal, é o caso de indagar: por que perturbar as crenças de um irmão que não é líder na comunidade cristã? Enquanto ele não estiver ensinando os outros, a mania teológica do “não julgue” nos leva a deixá-lo em paz. Ironicamente, a Bíblia narra esse tipo de pensamento na boca do primeiro assassino: “sou eu guardador do meu irmão?” (Gênesis 4:9). A resposta sarcástica de Caim nos diz que ele já conhecia a resposta: De fato, somos todos “guardadores do nosso irmão”. Se nós o amamos “não apenas de língua, mas por obra e em verdade” (1 João 3:18), precisamos informá-lo sobre o seu erro. De suas crenças vai depender o caminho no qual ele vai andar, caminho que poderá conduzi-lo a um precipício e atirá-lo ao abismo da heresia. O mesmo é verdade para todos nós. Conforme a crença que guardamos no coração, por ela viveremos e isso poderá determinar o nosso destino eterno.
Mesmo que a exposição do erro de um irmão não seja necessária, enquanto ele não se tornar um líder na congregação da igreja, a separação bíblica continua sendo aconselhada como uma resposta aos que se autodenominam cristãos e, contudo, vivem da mesma maneira ímpia como vivem os não regenerados: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1 Coríntios 5:9-11).
Aos olhos de Deus
Poderia ser útil observar pessoalmente como os falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são retratados na Escritura. O Deus da Bíblia faz certas referências específicas, escritas para todas as gerações, e nenhuma dúvida há na seriedade com que Ele vê os que pervertem o Seu caráter, Seus caminhos e Sua Palavra:
Pastores brutais - Ezequiel 34:1-22.
Lobos - Mateus 7:15.
Joio - Mateus 13:25.
Raça de víboras - Mateus 23:33.
Ladrão e salteador - João 10:1.
Mercenário - João 10:12.
Ministros de satanás 2 Coríntios 11:15.
Animais irracionais - 2 Pedro 2:12.
Ímpios - Judas 4
Ondas impetuosas do mar - (Judas 13).
Contaminadores - (Judas 8).
Manchas em festas de amor - (Judas 12).
Duas vezes mortos - (Judas 12).
Velho Testamento
Referências feitas aos falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são por demais abundantes nas páginas do Velho Testamento. Vamos nos concentrar em apenas algumas, tentando especificar indivíduos tratados e nomeados pelo Senhor:
Números 16 - Datã, Abirão e Coré foram publicamente censurados por Moisés (verso 26) e engolidos pela terra em julgamento divino (versos 31-32).
1 Reis 22:11, 24, 25 - O falso profeta Zedequias foi censurado e julgado por Micaías.
Jeremias 29:31-32 - O falso profeta Semaías morreu, após a censura do Senhor, feita através de Jeremias.
Grande parte do Livro de Jeremias é gasto na censura aos falsos profetas que desviaram Israel do caminho do Senhor, tendo levado o povo a adorar os ídolos - Jeremias 2:8 e 5:30-31.
Ezequiel 8:8-11 - Falsos anciãos de Israel expostos, inclusive Jahazanias.
Ezequiel 11: 1-13 - Falsos irmãos expostos e um deles, Penatias, morreu. Além destes, grande parte do tempo de Ezequiel foi gasto em profetizar contra:
Os falsos irmãos (Ez. 11:4).
Os falsos profetas (Ez. 13:16-17).
Os falsos pastores (Ez. Capítulo 34).
Grande parte do Livro de Isaías também é devotado às censuras feitas pelo Senhor contra os falsos profetas que estavam levando Israel à apostasia contra Deus, adorando os ídolos (Isaías 9:15 e 28:7).
Novo Testamento
Mateus 23 - Jesus censurou publicamente os fariseus pela sua hipocrisia e adoração a Deus, conforme a maneira dos homens, e pela distorção das Escrituras.
Romanos 16:17 - Paulo condena os que promoviam divisões contrárias à doutrina cristã, mandando evitá-los.
1 Coríntios 4:18 - Também todo o capítulo 5 - Paulo condena os orgulhosos que eram muitos, inclusive censurando um membro da congregação que havia cometido pecado público, o qual ele manda que seja expulso da igreja e entregue a Satanás.
2 Coríntios 10:8-11; 11:1-4; 12-15 e 20-23 - Falsos apóstolos denunciados por estarem pregando “outro Jesus” na congregação.
Gálatas 1: 1-8 - Falsos irmãos trazendo a circuncisão às igrejas da Galácia.
Gálatas 2:11-13 - Mesmo não se tratando de falsos irmãos, Paulo censurou publicamente Pedro e Barnabé por causa de sua hipocrisia.
1 Timóteo 1:3-4 - Paulo ordena a Timóteo que ele detenha os que estão pregando falsas doutrinas.
1 Timóteo 1:19-20 - Himineu e Alexandre foram entregues pelo apóstolo Paulo a Satanás por causa de sua blasfêmia.
1 Timóteo 5:19-20 - Censurados publicamente os que cometiam pecados grosseiros.
2 Timóteo 4:14 - Paulo admoesta Timóteo para se acautelar contra Alexandre, o latoeiro, que muito se opunha ao Evangelho.
Tito 1:9-16 - Recomendação a Timóteo para que censure os falsos mestres, os quais deveriam ser interrompidos por estarem causando graves danos ao Corpo de Cristo.
3 João: 9-10 - Diótrefes se opondo a João e controlando os membros da igreja.
Apocalipse 2:14 - Em Pérgamo, alguns aderem aos ensinos de Balaão e outros mantêm os ensinos dos nicolaítas, os quais Jesus odeia.
Apocalipse 2:20 - Jezabel, a falsa profetisa na congregação de Tiatira, era conhecida de todos, por ser ativa na igreja.
Existem muitas outras Escrituras, as quais mesmo não nomeando indivíduos culpados de ensinar falsas doutrinas ou de viver em ostensivo pecado, esses eram bem conhecidos dentro da congregação. Nesse caso era nomeada a igreja em determinada área, e todos ficavam sabendo quem estava sendo apontado pelas cartas de Paulo.
A igreja de hoje está quase devastada pelos que afirmam trazer novas revelações, uma “palavra nova” do Senhor, o que não pode ser respaldado nas Escrituras. Entre esses homens estão Rick Joyner, cujas visões de anjos, de demônios vomitando e de um “Jesus” contradizendo as Escrituras têm conduzido multidões pelo caminho da falsa sabedoria e autoridade; Kenneth Copeland, que nega a suficiência do sangue de Cristo e cujo “Jesus” precisou nascer de novo no inferno, após ter assumido a natureza de Satanás; Benny Hinn, cuja apresentação nos palcos leva tantas pessoas a crer que ele é um legítimo mensageiro de Deus, até mesmo quando ele, sob uma falsa unção, se enfurece e profere, publicamente, maldições contra os seus adversários, numa voz gutural e sibilante.
Estes são apenas alguns exemplos dos ministros de elevado perfil, que estão pervertendo os registros bíblicos. Suas doutrinas e demonstrações de falsos sinais e maravilhas têm produzido um verdadeiro enxame de imitadores, desde o pastor local, imitando fielmente os seus ídolos, até as mais confusas ovelhas, que se assentam nos bancos, sendo obrigadas pela liderança da igreja a proclamar um “outro evangelho”, contrário ao que Cristo ensinou, o qual elas haviam aprendido e no qual creram e tanto amaram [antes de descambar no erro doutrinário].
O tempo de silenciar já passou há muito. A ameaça de Ananias e Safira já não pode mais ser usada para bestificar os verdadeiros crentes na cruz de Cristo. Mas a intimidação tão usada e abusada do “não toqueis nos meus ungidos” tem crescido ao extremo. Se o preço de falar a verdade for a condenação da nossa comunidade religiosa, que assim seja. A perda da influência, do status e do respeito significa uma ninharia quando comparada à glória de sofrer pelo nosso Senhor. As palavras que Cristo tem falado através das eras continuam tão fortes agora como eram, quando foram impressas pela primeira vez nas páginas da Bíblia: “Por que estais ociosos todo o dia?” (Mateus 20:6). Conhecer a verdade e não agir em favor da mesma é o mesmo que se tornar cúmplice do pecado.
Muito mais tem sido patrocinado às assim chamadas “vozes proféticas” de hoje. Gritos de “paz, paz”, quando não há paz, ecoam nos corações vazios daqueles que anseiam pela reconfortante Palavra da Verdade, a qual não conseguem encontrar entre os vendilhões do Templo. O tilintar das moedas vai comprando o silêncio, à custa do engodo das multidões. Os legítimos profetas de Deus censuraram a heresia, com as suas palavras cortando a carunchosa madeira da falsa doutrina. Reis, sacerdotes e falsos profetas sentiram os golpes do machado. Os “ungidos do Senhor” (os verdadeiros profetas do VT) puderam tocar os outros “ungidos do Senhor” (Reis e sacerdotes) e também tocaram aqueles [falsos profetas] que haviam conseguido o respeito dos crentes com a sua fingida lealdade ao Senhor.
Uma plenitude de passagens, tanto do Velho como do Novo Testamento, ensina como trazer luz ao que é falso, a fim de que a falsidade seja desmantelada. Efésios 5:11 diz: “E não vos comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as”. A escolha é nossa em obedecer, mesmo sofrendo as conseqüências, pois o resultado do erro doutrinário é a destruição da vida espiritual do povo de Deus, o qual é levado à prostituição espiritual. Efésios 5:11 não é uma sugestão ou desafio, mas uma ordem. Se obedecermos corretamente essa ordem, poderemos contar com a integridade e a coragem bíblica da próxima geração de cristãos.
Artigo “Naming the Names, a Biblical Approach”, de Kevin Reeves.
kreeves@aptalaska.net
Traduzido por Mary Schultze, em 16/08/2007.
http://www.cpr.org.br/Mary.htm
Dando nomes aos bois
(uma proposta bíblica)
Kevin Reeves
Nos dias de hoje centenas de falsos ensinos assaltam tanto a igreja como a Escritura e, portanto, isso exige um minucioso exame de como devem ser tratados os que promovem as falsas doutrinas.
Embora pessoa alguma, com um sincero desejo de servir a Cristo, deseje ardentemente acusar outro irmão de estar cometendo erros em seu ministério, os profetas do Velho Testamento, o próprio Senhor Jesus Cristo e os apóstolos deixaram claro que muitos viriam em o nome do Senhor, professando segui-Lo e, contudo, pelos seus ensinos fraudulentos, negando-O ou apresentando uma imagem deturpada de Deus, bem diferente daquela que nos é apresentada na Escritura Sagrada. Paulo disse: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18-19).
Falsos mestres, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos irmãos podem danificar e até mesmo destruir a simplicidade da fé em Cristo: “... tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Jesus avisou que muitos seriam enganados por aqueles que afirmam falar em o nome de Deus (Mateus 24:5, 11, 24). Tendo sido um cristão que esteve à frente de falsos movimentos e que por ignorância promoveu o erro durante 12 anos, conheço de sobra o perigo que a nossa fé pode correr com a redefinição do Cristianismo e a apresentação de um “outro Jesus”. A heresia não é um brinquedo. Ela é uma mentira propalada com o objetivo de destruir o relacionamento entre o Salvador e o salvo, levando as confiantes ovelhas para um deserto repleto de predadores.
Nomear pessoas especificamente envolvidas na promoção de heresias ou doutrinas não bíblicas é, e deveria ser, a última e desconfortável atitude a ser tomada, e somente depois de muitas tentativas de reconciliação. Todo mundo pode cometer erros e somente diante de uma atitude de rebeldia, de falta de arrependimento e de mentalidade elitista demonstradas pelo irmão errado no sentido de raciocinar e de aceitar a verdade, é que nos dispomos a vir a público, numa hora de absoluta necessidade. Se um ladrão, um vândalo ou coisa pior residisse próximo à sua casa, será que você não gostaria de saber o seu nome e de onde ele veio, a fim de proteger sua família do perigo? Muito mais em se tratando de assuntos espirituais - itens de significação eterna - devemos proteger nossas almas e as almas das pessoas que nos foram confiadas pelo Senhor!
O perigo inerente de coabitar com a heresia jamais pode ser exageradamente exposto. O erro desconsiderado sempre tende a “corroer como gangrena” o Corpo de Cristo, a igreja (2 Timóteo 2:17-18). A heresia se especializa em negar a verdade e em desacreditar a exata história da antiga nação de Israel, cujas renovadas simpatias pelos falsos deuses e pelos falsos profetas levaram a nação a colher uma completa destruição de sua fé em Deus e, conseqüentemente, o julgamento do Senhor. Parece que nos esquecemos da admoestação contida em Romanos 15:4: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”.
Embora os fracassos de Israel fossem registrados para nos servirem de admoestação, muitos cristãos acreditam estar isentos do mesmo tipo de engodo. Os falsos profetas têm sido sempre os heróis do povo, tornando tortuoso o caminho do Senhor e conduzindo as pessoas à depravação. Eles: “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Romanos 1:23).
Conquanto a atual sofisticação entre os nossos falsos profetas e falsos mestres [evangélicos] já não possa incluir o uso de ídolos de pedra e madeira, mesmo assim eles pintam suas imagens de Deus com palavras que excitam a imaginação humana, redefinindo o objeto da adoração. Mesmo os que inadvertidamente ensinam o contrário do Evangelho de Cristo, acreditando que os seus ensinos são a verdadeira revelação, estão conduzindo multidões por um tenebroso caminho que as afasta cada dia mais da verdade. Apesar da sua sinceridade, eles se tornaram inimigos da fé e, a não ser que cheguem a um sincero arrependimento, abandonando o erro, irão naufragar na fé, levando muitos outros com eles: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (1 Timóteo 1:29).
Nesta época de “tolerância”, muitos cristãos têm se inclinado a praticar o mal, minimizando o seu dano. Aspergida com um ensino bíblico misto de honestidade e bondade, a heresia logo se torna agradável ao paladar, principalmente quando alimenta a auto-imagem e o desejo de possuir poder da parte de quem a escuta. A “comichão nos ouvidos” (2 Timóteo 4:3-4) tem se tornado o passatempo religioso nacional. Muitos têm preferido escutar fantásticas fábulas (verso 4), com uma ligeira camada de verniz cristão, em vez de escutar a dura verdade que exige a morte do ego.
Mesmo assim, o nosso Deus não está dormindo e o cristão sincero e humilde ainda consegue escutar a voz do seu Pastor e os de coração sensível ainda podem sentir a tristeza do Espírito Santo, quando o falso evangelho é apresentado como genuíno. Mas, infelizmente, a rota mais fácil é manter o “status quo”, mesmo diante da violência feita às Sagradas Escrituras. Os cristãos são anulados pelas constantes ameaças vindas dos púlpitos locais e nacionais, com a frase: “Não toqueis nos ungidos do Senhor!” e o medo de apedrejar o barco pode silenciar até mesmo o mais sincero crente em Cristo. Contudo, ao mesmo tempo em que existe um caminho mais fácil para quem se torna um ditador, suplantando o conhecimento de Deus com uma falsa piedade que ameniza o pecado, por outro lado o seu pecado deve ser amenizado, quando cometido na presença de alguém. Quando se dobram os joelhos tornando-se compromissados com o erro, eles ficarão dobrados até que aconteça o verdadeiro arrependimento e se volte para a única verdade que liberta do engodo.
O fato é que mesmo com todo o polimento da falsa teologia com eufemismos açucarados, ela não consegue esconder o seu veneno. A moda agora é dizer que um falso mestre foi “mal interpretado”, passando-se por cima do óbvio erro doutrinário que ele cometeu. Porém é bíblico chamar de falso o que é falso, tanto o homem como o seu ensino, dando nomes aos bois. E nenhuma das nomeações colocadas sobre os ombros dos falsos mestres pode ser considerada boa. E nem poderia ser. Um homem que deliberadamente refuta os outros com a sua própria lepra consumidora deve ser confrontado com o fato de sua moléstia e de sua necessidade de quarentena, para o seu próprio bem e dos seus seguidores. O mínimo que ele deveria fazer seria evitar o contágio a quem assiste a difusão do seu erro doutrinário.
Com fervoroso vigor apologético, a igreja primitiva fez guerra contra os que pervertiam a fé em Cristo. Qualquer um que se recusasse a agir assim, seria considerado um mercenário e culpado de grosseira covardia (João 10:12).
Os que são fiéis ao bom Pastor jamais hesitarão em usar o seu pessoal para afugentar os lobos do rebanho que precisa de proteção.
Na arena pessoal, é o caso de indagar: por que perturbar as crenças de um irmão que não é líder na comunidade cristã? Enquanto ele não estiver ensinando os outros, a mania teológica do “não julgue” nos leva a deixá-lo em paz. Ironicamente, a Bíblia narra esse tipo de pensamento na boca do primeiro assassino: “sou eu guardador do meu irmão?” (Gênesis 4:9). A resposta sarcástica de Caim nos diz que ele já conhecia a resposta: De fato, somos todos “guardadores do nosso irmão”. Se nós o amamos “não apenas de língua, mas por obra e em verdade” (1 João 3:18), precisamos informá-lo sobre o seu erro. De suas crenças vai depender o caminho no qual ele vai andar, caminho que poderá conduzi-lo a um precipício e atirá-lo ao abismo da heresia. O mesmo é verdade para todos nós. Conforme a crença que guardamos no coração, por ela viveremos e isso poderá determinar o nosso destino eterno.
Mesmo que a exposição do erro de um irmão não seja necessária, enquanto ele não se tornar um líder na congregação da igreja, a separação bíblica continua sendo aconselhada como uma resposta aos que se autodenominam cristãos e, contudo, vivem da mesma maneira ímpia como vivem os não regenerados: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1 Coríntios 5:9-11).
Aos olhos de Deus
Poderia ser útil observar pessoalmente como os falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são retratados na Escritura. O Deus da Bíblia faz certas referências específicas, escritas para todas as gerações, e nenhuma dúvida há na seriedade com que Ele vê os que pervertem o Seu caráter, Seus caminhos e Sua Palavra:
Pastores brutais - Ezequiel 34:1-22.
Lobos - Mateus 7:15.
Joio - Mateus 13:25.
Raça de víboras - Mateus 23:33.
Ladrão e salteador - João 10:1.
Mercenário - João 10:12.
Ministros de satanás 2 Coríntios 11:15.
Animais irracionais - 2 Pedro 2:12.
Ímpios - Judas 4
Ondas impetuosas do mar - (Judas 13).
Contaminadores - (Judas 8).
Manchas em festas de amor - (Judas 12).
Duas vezes mortos - (Judas 12).
Velho Testamento
Referências feitas aos falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são por demais abundantes nas páginas do Velho Testamento. Vamos nos concentrar em apenas algumas, tentando especificar indivíduos tratados e nomeados pelo Senhor:
Números 16 - Datã, Abirão e Coré foram publicamente censurados por Moisés (verso 26) e engolidos pela terra em julgamento divino (versos 31-32).
1 Reis 22:11, 24, 25 - O falso profeta Zedequias foi censurado e julgado por Micaías.
Jeremias 29:31-32 - O falso profeta Semaías morreu, após a censura do Senhor, feita através de Jeremias.
Grande parte do Livro de Jeremias é gasto na censura aos falsos profetas que desviaram Israel do caminho do Senhor, tendo levado o povo a adorar os ídolos - Jeremias 2:8 e 5:30-31.
Ezequiel 8:8-11 - Falsos anciãos de Israel expostos, inclusive Jahazanias.
Ezequiel 11: 1-13 - Falsos irmãos expostos e um deles, Penatias, morreu. Além destes, grande parte do tempo de Ezequiel foi gasto em profetizar contra:
Os falsos irmãos (Ez. 11:4).
Os falsos profetas (Ez. 13:16-17).
Os falsos pastores (Ez. Capítulo 34).
Grande parte do Livro de Isaías também é devotado às censuras feitas pelo Senhor contra os falsos profetas que estavam levando Israel à apostasia contra Deus, adorando os ídolos (Isaías 9:15 e 28:7).
Novo Testamento
Mateus 23 - Jesus censurou publicamente os fariseus pela sua hipocrisia e adoração a Deus, conforme a maneira dos homens, e pela distorção das Escrituras.
Romanos 16:17 - Paulo condena os que promoviam divisões contrárias à doutrina cristã, mandando evitá-los.
1 Coríntios 4:18 - Também todo o capítulo 5 - Paulo condena os orgulhosos que eram muitos, inclusive censurando um membro da congregação que havia cometido pecado público, o qual ele manda que seja expulso da igreja e entregue a Satanás.
2 Coríntios 10:8-11; 11:1-4; 12-15 e 20-23 - Falsos apóstolos denunciados por estarem pregando “outro Jesus” na congregação.
Gálatas 1: 1-8 - Falsos irmãos trazendo a circuncisão às igrejas da Galácia.
Gálatas 2:11-13 - Mesmo não se tratando de falsos irmãos, Paulo censurou publicamente Pedro e Barnabé por causa de sua hipocrisia.
1 Timóteo 1:3-4 - Paulo ordena a Timóteo que ele detenha os que estão pregando falsas doutrinas.
1 Timóteo 1:19-20 - Himineu e Alexandre foram entregues pelo apóstolo Paulo a Satanás por causa de sua blasfêmia.
1 Timóteo 5:19-20 - Censurados publicamente os que cometiam pecados grosseiros.
2 Timóteo 4:14 - Paulo admoesta Timóteo para se acautelar contra Alexandre, o latoeiro, que muito se opunha ao Evangelho.
Tito 1:9-16 - Recomendação a Timóteo para que censure os falsos mestres, os quais deveriam ser interrompidos por estarem causando graves danos ao Corpo de Cristo.
3 João: 9-10 - Diótrefes se opondo a João e controlando os membros da igreja.
Apocalipse 2:14 - Em Pérgamo, alguns aderem aos ensinos de Balaão e outros mantêm os ensinos dos nicolaítas, os quais Jesus odeia.
Apocalipse 2:20 - Jezabel, a falsa profetisa na congregação de Tiatira, era conhecida de todos, por ser ativa na igreja.
Existem muitas outras Escrituras, as quais mesmo não nomeando indivíduos culpados de ensinar falsas doutrinas ou de viver em ostensivo pecado, esses eram bem conhecidos dentro da congregação. Nesse caso era nomeada a igreja em determinada área, e todos ficavam sabendo quem estava sendo apontado pelas cartas de Paulo.
A igreja de hoje está quase devastada pelos que afirmam trazer novas revelações, uma “palavra nova” do Senhor, o que não pode ser respaldado nas Escrituras. Entre esses homens estão Rick Joyner, cujas visões de anjos, de demônios vomitando e de um “Jesus” contradizendo as Escrituras têm conduzido multidões pelo caminho da falsa sabedoria e autoridade; Kenneth Copeland, que nega a suficiência do sangue de Cristo e cujo “Jesus” precisou nascer de novo no inferno, após ter assumido a natureza de Satanás; Benny Hinn, cuja apresentação nos palcos leva tantas pessoas a crer que ele é um legítimo mensageiro de Deus, até mesmo quando ele, sob uma falsa unção, se enfurece e profere, publicamente, maldições contra os seus adversários, numa voz gutural e sibilante.
Estes são apenas alguns exemplos dos ministros de elevado perfil, que estão pervertendo os registros bíblicos. Suas doutrinas e demonstrações de falsos sinais e maravilhas têm produzido um verdadeiro enxame de imitadores, desde o pastor local, imitando fielmente os seus ídolos, até as mais confusas ovelhas, que se assentam nos bancos, sendo obrigadas pela liderança da igreja a proclamar um “outro evangelho”, contrário ao que Cristo ensinou, o qual elas haviam aprendido e no qual creram e tanto amaram [antes de descambar no erro doutrinário].
O tempo de silenciar já passou há muito. A ameaça de Ananias e Safira já não pode mais ser usada para bestificar os verdadeiros crentes na cruz de Cristo. Mas a intimidação tão usada e abusada do “não toqueis nos meus ungidos” tem crescido ao extremo. Se o preço de falar a verdade for a condenação da nossa comunidade religiosa, que assim seja. A perda da influência, do status e do respeito significa uma ninharia quando comparada à glória de sofrer pelo nosso Senhor. As palavras que Cristo tem falado através das eras continuam tão fortes agora como eram, quando foram impressas pela primeira vez nas páginas da Bíblia: “Por que estais ociosos todo o dia?” (Mateus 20:6). Conhecer a verdade e não agir em favor da mesma é o mesmo que se tornar cúmplice do pecado.
Muito mais tem sido patrocinado às assim chamadas “vozes proféticas” de hoje. Gritos de “paz, paz”, quando não há paz, ecoam nos corações vazios daqueles que anseiam pela reconfortante Palavra da Verdade, a qual não conseguem encontrar entre os vendilhões do Templo. O tilintar das moedas vai comprando o silêncio, à custa do engodo das multidões. Os legítimos profetas de Deus censuraram a heresia, com as suas palavras cortando a carunchosa madeira da falsa doutrina. Reis, sacerdotes e falsos profetas sentiram os golpes do machado. Os “ungidos do Senhor” (os verdadeiros profetas do VT) puderam tocar os outros “ungidos do Senhor” (Reis e sacerdotes) e também tocaram aqueles [falsos profetas] que haviam conseguido o respeito dos crentes com a sua fingida lealdade ao Senhor.
Uma plenitude de passagens, tanto do Velho como do Novo Testamento, ensina como trazer luz ao que é falso, a fim de que a falsidade seja desmantelada. Efésios 5:11 diz: “E não vos comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as”. A escolha é nossa em obedecer, mesmo sofrendo as conseqüências, pois o resultado do erro doutrinário é a destruição da vida espiritual do povo de Deus, o qual é levado à prostituição espiritual. Efésios 5:11 não é uma sugestão ou desafio, mas uma ordem. Se obedecermos corretamente essa ordem, poderemos contar com a integridade e a coragem bíblica da próxima geração de cristãos.
Artigo “Naming the Names, a Biblical Approach”, de Kevin Reeves.
kreeves@aptalaska.net
Traduzido por Mary Schultze, em 16/08/2007.
http://www.cpr.org.br/Mary.htm
Dando nomes aos bois
(uma proposta bíblica)
Kevin Reeves
Nos dias de hoje centenas de falsos ensinos assaltam tanto a igreja como a Escritura e, portanto, isso exige um minucioso exame de como devem ser tratados os que promovem as falsas doutrinas.
Embora pessoa alguma, com um sincero desejo de servir a Cristo, deseje ardentemente acusar outro irmão de estar cometendo erros em seu ministério, os profetas do Velho Testamento, o próprio Senhor Jesus Cristo e os apóstolos deixaram claro que muitos viriam em o nome do Senhor, professando segui-Lo e, contudo, pelos seus ensinos fraudulentos, negando-O ou apresentando uma imagem deturpada de Deus, bem diferente daquela que nos é apresentada na Escritura Sagrada. Paulo disse: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18-19).
Falsos mestres, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos irmãos podem danificar e até mesmo destruir a simplicidade da fé em Cristo: “... tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Jesus avisou que muitos seriam enganados por aqueles que afirmam falar em o nome de Deus (Mateus 24:5, 11, 24). Tendo sido um cristão que esteve à frente de falsos movimentos e que por ignorância promoveu o erro durante 12 anos, conheço de sobra o perigo que a nossa fé pode correr com a redefinição do Cristianismo e a apresentação de um “outro Jesus”. A heresia não é um brinquedo. Ela é uma mentira propalada com o objetivo de destruir o relacionamento entre o Salvador e o salvo, levando as confiantes ovelhas para um deserto repleto de predadores.
Nomear pessoas especificamente envolvidas na promoção de heresias ou doutrinas não bíblicas é, e deveria ser, a última e desconfortável atitude a ser tomada, e somente depois de muitas tentativas de reconciliação. Todo mundo pode cometer erros e somente diante de uma atitude de rebeldia, de falta de arrependimento e de mentalidade elitista demonstradas pelo irmão errado no sentido de raciocinar e de aceitar a verdade, é que nos dispomos a vir a público, numa hora de absoluta necessidade. Se um ladrão, um vândalo ou coisa pior residisse próximo à sua casa, será que você não gostaria de saber o seu nome e de onde ele veio, a fim de proteger sua família do perigo? Muito mais em se tratando de assuntos espirituais - itens de significação eterna - devemos proteger nossas almas e as almas das pessoas que nos foram confiadas pelo Senhor!
O perigo inerente de coabitar com a heresia jamais pode ser exageradamente exposto. O erro desconsiderado sempre tende a “corroer como gangrena” o Corpo de Cristo, a igreja (2 Timóteo 2:17-18). A heresia se especializa em negar a verdade e em desacreditar a exata história da antiga nação de Israel, cujas renovadas simpatias pelos falsos deuses e pelos falsos profetas levaram a nação a colher uma completa destruição de sua fé em Deus e, conseqüentemente, o julgamento do Senhor. Parece que nos esquecemos da admoestação contida em Romanos 15:4: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”.
Embora os fracassos de Israel fossem registrados para nos servirem de admoestação, muitos cristãos acreditam estar isentos do mesmo tipo de engodo. Os falsos profetas têm sido sempre os heróis do povo, tornando tortuoso o caminho do Senhor e conduzindo as pessoas à depravação. Eles: “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Romanos 1:23).
Conquanto a atual sofisticação entre os nossos falsos profetas e falsos mestres [evangélicos] já não possa incluir o uso de ídolos de pedra e madeira, mesmo assim eles pintam suas imagens de Deus com palavras que excitam a imaginação humana, redefinindo o objeto da adoração. Mesmo os que inadvertidamente ensinam o contrário do Evangelho de Cristo, acreditando que os seus ensinos são a verdadeira revelação, estão conduzindo multidões por um tenebroso caminho que as afasta cada dia mais da verdade. Apesar da sua sinceridade, eles se tornaram inimigos da fé e, a não ser que cheguem a um sincero arrependimento, abandonando o erro, irão naufragar na fé, levando muitos outros com eles: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (1 Timóteo 1:29).
Nesta época de “tolerância”, muitos cristãos têm se inclinado a praticar o mal, minimizando o seu dano. Aspergida com um ensino bíblico misto de honestidade e bondade, a heresia logo se torna agradável ao paladar, principalmente quando alimenta a auto-imagem e o desejo de possuir poder da parte de quem a escuta. A “comichão nos ouvidos” (2 Timóteo 4:3-4) tem se tornado o passatempo religioso nacional. Muitos têm preferido escutar fantásticas fábulas (verso 4), com uma ligeira camada de verniz cristão, em vez de escutar a dura verdade que exige a morte do ego.
Mesmo assim, o nosso Deus não está dormindo e o cristão sincero e humilde ainda consegue escutar a voz do seu Pastor e os de coração sensível ainda podem sentir a tristeza do Espírito Santo, quando o falso evangelho é apresentado como genuíno. Mas, infelizmente, a rota mais fácil é manter o “status quo”, mesmo diante da violência feita às Sagradas Escrituras. Os cristãos são anulados pelas constantes ameaças vindas dos púlpitos locais e nacionais, com a frase: “Não toqueis nos ungidos do Senhor!” e o medo de apedrejar o barco pode silenciar até mesmo o mais sincero crente em Cristo. Contudo, ao mesmo tempo em que existe um caminho mais fácil para quem se torna um ditador, suplantando o conhecimento de Deus com uma falsa piedade que ameniza o pecado, por outro lado o seu pecado deve ser amenizado, quando cometido na presença de alguém. Quando se dobram os joelhos tornando-se compromissados com o erro, eles ficarão dobrados até que aconteça o verdadeiro arrependimento e se volte para a única verdade que liberta do engodo.
O fato é que mesmo com todo o polimento da falsa teologia com eufemismos açucarados, ela não consegue esconder o seu veneno. A moda agora é dizer que um falso mestre foi “mal interpretado”, passando-se por cima do óbvio erro doutrinário que ele cometeu. Porém é bíblico chamar de falso o que é falso, tanto o homem como o seu ensino, dando nomes aos bois. E nenhuma das nomeações colocadas sobre os ombros dos falsos mestres pode ser considerada boa. E nem poderia ser. Um homem que deliberadamente refuta os outros com a sua própria lepra consumidora deve ser confrontado com o fato de sua moléstia e de sua necessidade de quarentena, para o seu próprio bem e dos seus seguidores. O mínimo que ele deveria fazer seria evitar o contágio a quem assiste a difusão do seu erro doutrinário.
Com fervoroso vigor apologético, a igreja primitiva fez guerra contra os que pervertiam a fé em Cristo. Qualquer um que se recusasse a agir assim, seria considerado um mercenário e culpado de grosseira covardia (João 10:12).
Os que são fiéis ao bom Pastor jamais hesitarão em usar o seu pessoal para afugentar os lobos do rebanho que precisa de proteção.
Na arena pessoal, é o caso de indagar: por que perturbar as crenças de um irmão que não é líder na comunidade cristã? Enquanto ele não estiver ensinando os outros, a mania teológica do “não julgue” nos leva a deixá-lo em paz. Ironicamente, a Bíblia narra esse tipo de pensamento na boca do primeiro assassino: “sou eu guardador do meu irmão?” (Gênesis 4:9). A resposta sarcástica de Caim nos diz que ele já conhecia a resposta: De fato, somos todos “guardadores do nosso irmão”. Se nós o amamos “não apenas de língua, mas por obra e em verdade” (1 João 3:18), precisamos informá-lo sobre o seu erro. De suas crenças vai depender o caminho no qual ele vai andar, caminho que poderá conduzi-lo a um precipício e atirá-lo ao abismo da heresia. O mesmo é verdade para todos nós. Conforme a crença que guardamos no coração, por ela viveremos e isso poderá determinar o nosso destino eterno.
Mesmo que a exposição do erro de um irmão não seja necessária, enquanto ele não se tornar um líder na congregação da igreja, a separação bíblica continua sendo aconselhada como uma resposta aos que se autodenominam cristãos e, contudo, vivem da mesma maneira ímpia como vivem os não regenerados: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1 Coríntios 5:9-11).
Aos olhos de Deus
Poderia ser útil observar pessoalmente como os falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são retratados na Escritura. O Deus da Bíblia faz certas referências específicas, escritas para todas as gerações, e nenhuma dúvida há na seriedade com que Ele vê os que pervertem o Seu caráter, Seus caminhos e Sua Palavra:
Pastores brutais - Ezequiel 34:1-22.
Lobos - Mateus 7:15.
Joio - Mateus 13:25.
Raça de víboras - Mateus 23:33.
Ladrão e salteador - João 10:1.
Mercenário - João 10:12.
Ministros de satanás 2 Coríntios 11:15.
Animais irracionais - 2 Pedro 2:12.
Ímpios - Judas 4
Ondas impetuosas do mar - (Judas 13).
Contaminadores - (Judas 8).
Manchas em festas de amor - (Judas 12).
Duas vezes mortos - (Judas 12).
Velho Testamento
Referências feitas aos falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são por demais abundantes nas páginas do Velho Testamento. Vamos nos concentrar em apenas algumas, tentando especificar indivíduos tratados e nomeados pelo Senhor:
Números 16 - Datã, Abirão e Coré foram publicamente censurados por Moisés (verso 26) e engolidos pela terra em julgamento divino (versos 31-32).
1 Reis 22:11, 24, 25 - O falso profeta Zedequias foi censurado e julgado por Micaías.
Jeremias 29:31-32 - O falso profeta Semaías morreu, após a censura do Senhor, feita através de Jeremias.
Grande parte do Livro de Jeremias é gasto na censura aos falsos profetas que desviaram Israel do caminho do Senhor, tendo levado o povo a adorar os ídolos - Jeremias 2:8 e 5:30-31.
Ezequiel 8:8-11 - Falsos anciãos de Israel expostos, inclusive Jahazanias.
Ezequiel 11: 1-13 - Falsos irmãos expostos e um deles, Penatias, morreu. Além destes, grande parte do tempo de Ezequiel foi gasto em profetizar contra:
Os falsos irmãos (Ez. 11:4).
Os falsos profetas (Ez. 13:16-17).
Os falsos pastores (Ez. Capítulo 34).
Grande parte do Livro de Isaías também é devotado às censuras feitas pelo Senhor contra os falsos profetas que estavam levando Israel à apostasia contra Deus, adorando os ídolos (Isaías 9:15 e 28:7).
Novo Testamento
Mateus 23 - Jesus censurou publicamente os fariseus pela sua hipocrisia e adoração a Deus, conforme a maneira dos homens, e pela distorção das Escrituras.
Romanos 16:17 - Paulo condena os que promoviam divisões contrárias à doutrina cristã, mandando evitá-los.
1 Coríntios 4:18 - Também todo o capítulo 5 - Paulo condena os orgulhosos que eram muitos, inclusive censurando um membro da congregação que havia cometido pecado público, o qual ele manda que seja expulso da igreja e entregue a Satanás.
2 Coríntios 10:8-11; 11:1-4; 12-15 e 20-23 - Falsos apóstolos denunciados por estarem pregando “outro Jesus” na congregação.
Gálatas 1: 1-8 - Falsos irmãos trazendo a circuncisão às igrejas da Galácia.
Gálatas 2:11-13 - Mesmo não se tratando de falsos irmãos, Paulo censurou publicamente Pedro e Barnabé por causa de sua hipocrisia.
1 Timóteo 1:3-4 - Paulo ordena a Timóteo que ele detenha os que estão pregando falsas doutrinas.
1 Timóteo 1:19-20 - Himineu e Alexandre foram entregues pelo apóstolo Paulo a Satanás por causa de sua blasfêmia.
1 Timóteo 5:19-20 - Censurados publicamente os que cometiam pecados grosseiros.
2 Timóteo 4:14 - Paulo admoesta Timóteo para se acautelar contra Alexandre, o latoeiro, que muito se opunha ao Evangelho.
Tito 1:9-16 - Recomendação a Timóteo para que censure os falsos mestres, os quais deveriam ser interrompidos por estarem causando graves danos ao Corpo de Cristo.
3 João: 9-10 - Diótrefes se opondo a João e controlando os membros da igreja.
Apocalipse 2:14 - Em Pérgamo, alguns aderem aos ensinos de Balaão e outros mantêm os ensinos dos nicolaítas, os quais Jesus odeia.
Apocalipse 2:20 - Jezabel, a falsa profetisa na congregação de Tiatira, era conhecida de todos, por ser ativa na igreja.
Existem muitas outras Escrituras, as quais mesmo não nomeando indivíduos culpados de ensinar falsas doutrinas ou de viver em ostensivo pecado, esses eram bem conhecidos dentro da congregação. Nesse caso era nomeada a igreja em determinada área, e todos ficavam sabendo quem estava sendo apontado pelas cartas de Paulo.
A igreja de hoje está quase devastada pelos que afirmam trazer novas revelações, uma “palavra nova” do Senhor, o que não pode ser respaldado nas Escrituras. Entre esses homens estão Rick Joyner, cujas visões de anjos, de demônios vomitando e de um “Jesus” contradizendo as Escrituras têm conduzido multidões pelo caminho da falsa sabedoria e autoridade; Kenneth Copeland, que nega a suficiência do sangue de Cristo e cujo “Jesus” precisou nascer de novo no inferno, após ter assumido a natureza de Satanás; Benny Hinn, cuja apresentação nos palcos leva tantas pessoas a crer que ele é um legítimo mensageiro de Deus, até mesmo quando ele, sob uma falsa unção, se enfurece e profere, publicamente, maldições contra os seus adversários, numa voz gutural e sibilante.
Estes são apenas alguns exemplos dos ministros de elevado perfil, que estão pervertendo os registros bíblicos. Suas doutrinas e demonstrações de falsos sinais e maravilhas têm produzido um verdadeiro enxame de imitadores, desde o pastor local, imitando fielmente os seus ídolos, até as mais confusas ovelhas, que se assentam nos bancos, sendo obrigadas pela liderança da igreja a proclamar um “outro evangelho”, contrário ao que Cristo ensinou, o qual elas haviam aprendido e no qual creram e tanto amaram [antes de descambar no erro doutrinário].
O tempo de silenciar já passou há muito. A ameaça de Ananias e Safira já não pode mais ser usada para bestificar os verdadeiros crentes na cruz de Cristo. Mas a intimidação tão usada e abusada do “não toqueis nos meus ungidos” tem crescido ao extremo. Se o preço de falar a verdade for a condenação da nossa comunidade religiosa, que assim seja. A perda da influência, do status e do respeito significa uma ninharia quando comparada à glória de sofrer pelo nosso Senhor. As palavras que Cristo tem falado através das eras continuam tão fortes agora como eram, quando foram impressas pela primeira vez nas páginas da Bíblia: “Por que estais ociosos todo o dia?” (Mateus 20:6). Conhecer a verdade e não agir em favor da mesma é o mesmo que se tornar cúmplice do pecado.
Muito mais tem sido patrocinado às assim chamadas “vozes proféticas” de hoje. Gritos de “paz, paz”, quando não há paz, ecoam nos corações vazios daqueles que anseiam pela reconfortante Palavra da Verdade, a qual não conseguem encontrar entre os vendilhões do Templo. O tilintar das moedas vai comprando o silêncio, à custa do engodo das multidões. Os legítimos profetas de Deus censuraram a heresia, com as suas palavras cortando a carunchosa madeira da falsa doutrina. Reis, sacerdotes e falsos profetas sentiram os golpes do machado. Os “ungidos do Senhor” (os verdadeiros profetas do VT) puderam tocar os outros “ungidos do Senhor” (Reis e sacerdotes) e também tocaram aqueles [falsos profetas] que haviam conseguido o respeito dos crentes com a sua fingida lealdade ao Senhor.
Uma plenitude de passagens, tanto do Velho como do Novo Testamento, ensina como trazer luz ao que é falso, a fim de que a falsidade seja desmantelada. Efésios 5:11 diz: “E não vos comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as”. A escolha é nossa em obedecer, mesmo sofrendo as conseqüências, pois o resultado do erro doutrinário é a destruição da vida espiritual do povo de Deus, o qual é levado à prostituição espiritual. Efésios 5:11 não é uma sugestão ou desafio, mas uma ordem. Se obedecermos corretamente essa ordem, poderemos contar com a integridade e a coragem bíblica da próxima geração de cristãos.
Artigo “Naming the Names, a Biblical Approach”, de Kevin Reeves.
kreeves@aptalaska.net
Traduzido por Mary Schultze, em 16/08/2007.
http://www.cpr.org.br/Mary.htm
Dando nomes aos bois
(uma proposta bíblica)
Kevin Reeves
Nos dias de hoje centenas de falsos ensinos assaltam tanto a igreja como a Escritura e, portanto, isso exige um minucioso exame de como devem ser tratados os que promovem as falsas doutrinas.
Embora pessoa alguma, com um sincero desejo de servir a Cristo, deseje ardentemente acusar outro irmão de estar cometendo erros em seu ministério, os profetas do Velho Testamento, o próprio Senhor Jesus Cristo e os apóstolos deixaram claro que muitos viriam em o nome do Senhor, professando segui-Lo e, contudo, pelos seus ensinos fraudulentos, negando-O ou apresentando uma imagem deturpada de Deus, bem diferente daquela que nos é apresentada na Escritura Sagrada. Paulo disse: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18-19).
Falsos mestres, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos irmãos podem danificar e até mesmo destruir a simplicidade da fé em Cristo: “... tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Jesus avisou que muitos seriam enganados por aqueles que afirmam falar em o nome de Deus (Mateus 24:5, 11, 24). Tendo sido um cristão que esteve à frente de falsos movimentos e que por ignorância promoveu o erro durante 12 anos, conheço de sobra o perigo que a nossa fé pode correr com a redefinição do Cristianismo e a apresentação de um “outro Jesus”. A heresia não é um brinquedo. Ela é uma mentira propalada com o objetivo de destruir o relacionamento entre o Salvador e o salvo, levando as confiantes ovelhas para um deserto repleto de predadores.
Nomear pessoas especificamente envolvidas na promoção de heresias ou doutrinas não bíblicas é, e deveria ser, a última e desconfortável atitude a ser tomada, e somente depois de muitas tentativas de reconciliação. Todo mundo pode cometer erros e somente diante de uma atitude de rebeldia, de falta de arrependimento e de mentalidade elitista demonstradas pelo irmão errado no sentido de raciocinar e de aceitar a verdade, é que nos dispomos a vir a público, numa hora de absoluta necessidade. Se um ladrão, um vândalo ou coisa pior residisse próximo à sua casa, será que você não gostaria de saber o seu nome e de onde ele veio, a fim de proteger sua família do perigo? Muito mais em se tratando de assuntos espirituais - itens de significação eterna - devemos proteger nossas almas e as almas das pessoas que nos foram confiadas pelo Senhor!
O perigo inerente de coabitar com a heresia jamais pode ser exageradamente exposto. O erro desconsiderado sempre tende a “corroer como gangrena” o Corpo de Cristo, a igreja (2 Timóteo 2:17-18). A heresia se especializa em negar a verdade e em desacreditar a exata história da antiga nação de Israel, cujas renovadas simpatias pelos falsos deuses e pelos falsos profetas levaram a nação a colher uma completa destruição de sua fé em Deus e, conseqüentemente, o julgamento do Senhor. Parece que nos esquecemos da admoestação contida em Romanos 15:4: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”.
Embora os fracassos de Israel fossem registrados para nos servirem de admoestação, muitos cristãos acreditam estar isentos do mesmo tipo de engodo. Os falsos profetas têm sido sempre os heróis do povo, tornando tortuoso o caminho do Senhor e conduzindo as pessoas à depravação. Eles: “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Romanos 1:23).
Conquanto a atual sofisticação entre os nossos falsos profetas e falsos mestres [evangélicos] já não possa incluir o uso de ídolos de pedra e madeira, mesmo assim eles pintam suas imagens de Deus com palavras que excitam a imaginação humana, redefinindo o objeto da adoração. Mesmo os que inadvertidamente ensinam o contrário do Evangelho de Cristo, acreditando que os seus ensinos são a verdadeira revelação, estão conduzindo multidões por um tenebroso caminho que as afasta cada dia mais da verdade. Apesar da sua sinceridade, eles se tornaram inimigos da fé e, a não ser que cheguem a um sincero arrependimento, abandonando o erro, irão naufragar na fé, levando muitos outros com eles: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (1 Timóteo 1:29).
Nesta época de “tolerância”, muitos cristãos têm se inclinado a praticar o mal, minimizando o seu dano. Aspergida com um ensino bíblico misto de honestidade e bondade, a heresia logo se torna agradável ao paladar, principalmente quando alimenta a auto-imagem e o desejo de possuir poder da parte de quem a escuta. A “comichão nos ouvidos” (2 Timóteo 4:3-4) tem se tornado o passatempo religioso nacional. Muitos têm preferido escutar fantásticas fábulas (verso 4), com uma ligeira camada de verniz cristão, em vez de escutar a dura verdade que exige a morte do ego.
Mesmo assim, o nosso Deus não está dormindo e o cristão sincero e humilde ainda consegue escutar a voz do seu Pastor e os de coração sensível ainda podem sentir a tristeza do Espírito Santo, quando o falso evangelho é apresentado como genuíno. Mas, infelizmente, a rota mais fácil é manter o “status quo”, mesmo diante da violência feita às Sagradas Escrituras. Os cristãos são anulados pelas constantes ameaças vindas dos púlpitos locais e nacionais, com a frase: “Não toqueis nos ungidos do Senhor!” e o medo de apedrejar o barco pode silenciar até mesmo o mais sincero crente em Cristo. Contudo, ao mesmo tempo em que existe um caminho mais fácil para quem se torna um ditador, suplantando o conhecimento de Deus com uma falsa piedade que ameniza o pecado, por outro lado o seu pecado deve ser amenizado, quando cometido na presença de alguém. Quando se dobram os joelhos tornando-se compromissados com o erro, eles ficarão dobrados até que aconteça o verdadeiro arrependimento e se volte para a única verdade que liberta do engodo.
O fato é que mesmo com todo o polimento da falsa teologia com eufemismos açucarados, ela não consegue esconder o seu veneno. A moda agora é dizer que um falso mestre foi “mal interpretado”, passando-se por cima do óbvio erro doutrinário que ele cometeu. Porém é bíblico chamar de falso o que é falso, tanto o homem como o seu ensino, dando nomes aos bois. E nenhuma das nomeações colocadas sobre os ombros dos falsos mestres pode ser considerada boa. E nem poderia ser. Um homem que deliberadamente refuta os outros com a sua própria lepra consumidora deve ser confrontado com o fato de sua moléstia e de sua necessidade de quarentena, para o seu próprio bem e dos seus seguidores. O mínimo que ele deveria fazer seria evitar o contágio a quem assiste a difusão do seu erro doutrinário.
Com fervoroso vigor apologético, a igreja primitiva fez guerra contra os que pervertiam a fé em Cristo. Qualquer um que se recusasse a agir assim, seria considerado um mercenário e culpado de grosseira covardia (João 10:12).
Os que são fiéis ao bom Pastor jamais hesitarão em usar o seu pessoal para afugentar os lobos do rebanho que precisa de proteção.
Na arena pessoal, é o caso de indagar: por que perturbar as crenças de um irmão que não é líder na comunidade cristã? Enquanto ele não estiver ensinando os outros, a mania teológica do “não julgue” nos leva a deixá-lo em paz. Ironicamente, a Bíblia narra esse tipo de pensamento na boca do primeiro assassino: “sou eu guardador do meu irmão?” (Gênesis 4:9). A resposta sarcástica de Caim nos diz que ele já conhecia a resposta: De fato, somos todos “guardadores do nosso irmão”. Se nós o amamos “não apenas de língua, mas por obra e em verdade” (1 João 3:18), precisamos informá-lo sobre o seu erro. De suas crenças vai depender o caminho no qual ele vai andar, caminho que poderá conduzi-lo a um precipício e atirá-lo ao abismo da heresia. O mesmo é verdade para todos nós. Conforme a crença que guardamos no coração, por ela viveremos e isso poderá determinar o nosso destino eterno.
Mesmo que a exposição do erro de um irmão não seja necessária, enquanto ele não se tornar um líder na congregação da igreja, a separação bíblica continua sendo aconselhada como uma resposta aos que se autodenominam cristãos e, contudo, vivem da mesma maneira ímpia como vivem os não regenerados: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1 Coríntios 5:9-11).
Aos olhos de Deus
Poderia ser útil observar pessoalmente como os falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são retratados na Escritura. O Deus da Bíblia faz certas referências específicas, escritas para todas as gerações, e nenhuma dúvida há na seriedade com que Ele vê os que pervertem o Seu caráter, Seus caminhos e Sua Palavra:
Pastores brutais - Ezequiel 34:1-22.
Lobos - Mateus 7:15.
Joio - Mateus 13:25.
Raça de víboras - Mateus 23:33.
Ladrão e salteador - João 10:1.
Mercenário - João 10:12.
Ministros de satanás 2 Coríntios 11:15.
Animais irracionais - 2 Pedro 2:12.
Ímpios - Judas 4
Ondas impetuosas do mar - (Judas 13).
Contaminadores - (Judas 8).
Manchas em festas de amor - (Judas 12).
Duas vezes mortos - (Judas 12).
Velho Testamento
Referências feitas aos falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são por demais abundantes nas páginas do Velho Testamento. Vamos nos concentrar em apenas algumas, tentando especificar indivíduos tratados e nomeados pelo Senhor:
Números 16 - Datã, Abirão e Coré foram publicamente censurados por Moisés (verso 26) e engolidos pela terra em julgamento divino (versos 31-32).
1 Reis 22:11, 24, 25 - O falso profeta Zedequias foi censurado e julgado por Micaías.
Jeremias 29:31-32 - O falso profeta Semaías morreu, após a censura do Senhor, feita através de Jeremias.
Grande parte do Livro de Jeremias é gasto na censura aos falsos profetas que desviaram Israel do caminho do Senhor, tendo levado o povo a adorar os ídolos - Jeremias 2:8 e 5:30-31.
Ezequiel 8:8-11 - Falsos anciãos de Israel expostos, inclusive Jahazanias.
Ezequiel 11: 1-13 - Falsos irmãos expostos e um deles, Penatias, morreu. Além destes, grande parte do tempo de Ezequiel foi gasto em profetizar contra:
Os falsos irmãos (Ez. 11:4).
Os falsos profetas (Ez. 13:16-17).
Os falsos pastores (Ez. Capítulo 34).
Grande parte do Livro de Isaías também é devotado às censuras feitas pelo Senhor contra os falsos profetas que estavam levando Israel à apostasia contra Deus, adorando os ídolos (Isaías 9:15 e 28:7).
Novo Testamento
Mateus 23 - Jesus censurou publicamente os fariseus pela sua hipocrisia e adoração a Deus, conforme a maneira dos homens, e pela distorção das Escrituras.
Romanos 16:17 - Paulo condena os que promoviam divisões contrárias à doutrina cristã, mandando evitá-los.
1 Coríntios 4:18 - Também todo o capítulo 5 - Paulo condena os orgulhosos que eram muitos, inclusive censurando um membro da congregação que havia cometido pecado público, o qual ele manda que seja expulso da igreja e entregue a Satanás.
2 Coríntios 10:8-11; 11:1-4; 12-15 e 20-23 - Falsos apóstolos denunciados por estarem pregando “outro Jesus” na congregação.
Gálatas 1: 1-8 - Falsos irmãos trazendo a circuncisão às igrejas da Galácia.
Gálatas 2:11-13 - Mesmo não se tratando de falsos irmãos, Paulo censurou publicamente Pedro e Barnabé por causa de sua hipocrisia.
1 Timóteo 1:3-4 - Paulo ordena a Timóteo que ele detenha os que estão pregando falsas doutrinas.
1 Timóteo 1:19-20 - Himineu e Alexandre foram entregues pelo apóstolo Paulo a Satanás por causa de sua blasfêmia.
1 Timóteo 5:19-20 - Censurados publicamente os que cometiam pecados grosseiros.
2 Timóteo 4:14 - Paulo admoesta Timóteo para se acautelar contra Alexandre, o latoeiro, que muito se opunha ao Evangelho.
Tito 1:9-16 - Recomendação a Timóteo para que censure os falsos mestres, os quais deveriam ser interrompidos por estarem causando graves danos ao Corpo de Cristo.
3 João: 9-10 - Diótrefes se opondo a João e controlando os membros da igreja.
Apocalipse 2:14 - Em Pérgamo, alguns aderem aos ensinos de Balaão e outros mantêm os ensinos dos nicolaítas, os quais Jesus odeia.
Apocalipse 2:20 - Jezabel, a falsa profetisa na congregação de Tiatira, era conhecida de todos, por ser ativa na igreja.
Existem muitas outras Escrituras, as quais mesmo não nomeando indivíduos culpados de ensinar falsas doutrinas ou de viver em ostensivo pecado, esses eram bem conhecidos dentro da congregação. Nesse caso era nomeada a igreja em determinada área, e todos ficavam sabendo quem estava sendo apontado pelas cartas de Paulo.
A igreja de hoje está quase devastada pelos que afirmam trazer novas revelações, uma “palavra nova” do Senhor, o que não pode ser respaldado nas Escrituras. Entre esses homens estão Rick Joyner, cujas visões de anjos, de demônios vomitando e de um “Jesus” contradizendo as Escrituras têm conduzido multidões pelo caminho da falsa sabedoria e autoridade; Kenneth Copeland, que nega a suficiência do sangue de Cristo e cujo “Jesus” precisou nascer de novo no inferno, após ter assumido a natureza de Satanás; Benny Hinn, cuja apresentação nos palcos leva tantas pessoas a crer que ele é um legítimo mensageiro de Deus, até mesmo quando ele, sob uma falsa unção, se enfurece e profere, publicamente, maldições contra os seus adversários, numa voz gutural e sibilante.
Estes são apenas alguns exemplos dos ministros de elevado perfil, que estão pervertendo os registros bíblicos. Suas doutrinas e demonstrações de falsos sinais e maravilhas têm produzido um verdadeiro enxame de imitadores, desde o pastor local, imitando fielmente os seus ídolos, até as mais confusas ovelhas, que se assentam nos bancos, sendo obrigadas pela liderança da igreja a proclamar um “outro evangelho”, contrário ao que Cristo ensinou, o qual elas haviam aprendido e no qual creram e tanto amaram [antes de descambar no erro doutrinário].
O tempo de silenciar já passou há muito. A ameaça de Ananias e Safira já não pode mais ser usada para bestificar os verdadeiros crentes na cruz de Cristo. Mas a intimidação tão usada e abusada do “não toqueis nos meus ungidos” tem crescido ao extremo. Se o preço de falar a verdade for a condenação da nossa comunidade religiosa, que assim seja. A perda da influência, do status e do respeito significa uma ninharia quando comparada à glória de sofrer pelo nosso Senhor. As palavras que Cristo tem falado através das eras continuam tão fortes agora como eram, quando foram impressas pela primeira vez nas páginas da Bíblia: “Por que estais ociosos todo o dia?” (Mateus 20:6). Conhecer a verdade e não agir em favor da mesma é o mesmo que se tornar cúmplice do pecado.
Muito mais tem sido patrocinado às assim chamadas “vozes proféticas” de hoje. Gritos de “paz, paz”, quando não há paz, ecoam nos corações vazios daqueles que anseiam pela reconfortante Palavra da Verdade, a qual não conseguem encontrar entre os vendilhões do Templo. O tilintar das moedas vai comprando o silêncio, à custa do engodo das multidões. Os legítimos profetas de Deus censuraram a heresia, com as suas palavras cortando a carunchosa madeira da falsa doutrina. Reis, sacerdotes e falsos profetas sentiram os golpes do machado. Os “ungidos do Senhor” (os verdadeiros profetas do VT) puderam tocar os outros “ungidos do Senhor” (Reis e sacerdotes) e também tocaram aqueles [falsos profetas] que haviam conseguido o respeito dos crentes com a sua fingida lealdade ao Senhor.
Uma plenitude de passagens, tanto do Velho como do Novo Testamento, ensina como trazer luz ao que é falso, a fim de que a falsidade seja desmantelada. Efésios 5:11 diz: “E não vos comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as”. A escolha é nossa em obedecer, mesmo sofrendo as conseqüências, pois o resultado do erro doutrinário é a destruição da vida espiritual do povo de Deus, o qual é levado à prostituição espiritual. Efésios 5:11 não é uma sugestão ou desafio, mas uma ordem. Se obedecermos corretamente essa ordem, poderemos contar com a integridade e a coragem bíblica da próxima geração de cristãos.
Artigo “Naming the Names, a Biblical Approach”, de Kevin Reeves.
kreeves@aptalaska.net
Traduzido por Mary Schultze, em 16/08/2007.
http://www.cpr.org.br/Mary.htm
Dando nomes aos bois
(uma proposta bíblica)
Kevin Reeves
Nos dias de hoje centenas de falsos ensinos assaltam tanto a igreja como a Escritura e, portanto, isso exige um minucioso exame de como devem ser tratados os que promovem as falsas doutrinas.
Embora pessoa alguma, com um sincero desejo de servir a Cristo, deseje ardentemente acusar outro irmão de estar cometendo erros em seu ministério, os profetas do Velho Testamento, o próprio Senhor Jesus Cristo e os apóstolos deixaram claro que muitos viriam em o nome do Senhor, professando segui-Lo e, contudo, pelos seus ensinos fraudulentos, negando-O ou apresentando uma imagem deturpada de Deus, bem diferente daquela que nos é apresentada na Escritura Sagrada. Paulo disse: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18-19).
Falsos mestres, falsos apóstolos, falsos profetas e falsos irmãos podem danificar e até mesmo destruir a simplicidade da fé em Cristo: “... tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Jesus avisou que muitos seriam enganados por aqueles que afirmam falar em o nome de Deus (Mateus 24:5, 11, 24). Tendo sido um cristão que esteve à frente de falsos movimentos e que por ignorância promoveu o erro durante 12 anos, conheço de sobra o perigo que a nossa fé pode correr com a redefinição do Cristianismo e a apresentação de um “outro Jesus”. A heresia não é um brinquedo. Ela é uma mentira propalada com o objetivo de destruir o relacionamento entre o Salvador e o salvo, levando as confiantes ovelhas para um deserto repleto de predadores.
Nomear pessoas especificamente envolvidas na promoção de heresias ou doutrinas não bíblicas é, e deveria ser, a última e desconfortável atitude a ser tomada, e somente depois de muitas tentativas de reconciliação. Todo mundo pode cometer erros e somente diante de uma atitude de rebeldia, de falta de arrependimento e de mentalidade elitista demonstradas pelo irmão errado no sentido de raciocinar e de aceitar a verdade, é que nos dispomos a vir a público, numa hora de absoluta necessidade. Se um ladrão, um vândalo ou coisa pior residisse próximo à sua casa, será que você não gostaria de saber o seu nome e de onde ele veio, a fim de proteger sua família do perigo? Muito mais em se tratando de assuntos espirituais - itens de significação eterna - devemos proteger nossas almas e as almas das pessoas que nos foram confiadas pelo Senhor!
O perigo inerente de coabitar com a heresia jamais pode ser exageradamente exposto. O erro desconsiderado sempre tende a “corroer como gangrena” o Corpo de Cristo, a igreja (2 Timóteo 2:17-18). A heresia se especializa em negar a verdade e em desacreditar a exata história da antiga nação de Israel, cujas renovadas simpatias pelos falsos deuses e pelos falsos profetas levaram a nação a colher uma completa destruição de sua fé em Deus e, conseqüentemente, o julgamento do Senhor. Parece que nos esquecemos da admoestação contida em Romanos 15:4: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”.
Embora os fracassos de Israel fossem registrados para nos servirem de admoestação, muitos cristãos acreditam estar isentos do mesmo tipo de engodo. Os falsos profetas têm sido sempre os heróis do povo, tornando tortuoso o caminho do Senhor e conduzindo as pessoas à depravação. Eles: “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis” (Romanos 1:23).
Conquanto a atual sofisticação entre os nossos falsos profetas e falsos mestres [evangélicos] já não possa incluir o uso de ídolos de pedra e madeira, mesmo assim eles pintam suas imagens de Deus com palavras que excitam a imaginação humana, redefinindo o objeto da adoração. Mesmo os que inadvertidamente ensinam o contrário do Evangelho de Cristo, acreditando que os seus ensinos são a verdadeira revelação, estão conduzindo multidões por um tenebroso caminho que as afasta cada dia mais da verdade. Apesar da sua sinceridade, eles se tornaram inimigos da fé e, a não ser que cheguem a um sincero arrependimento, abandonando o erro, irão naufragar na fé, levando muitos outros com eles: “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (1 Timóteo 1:29).
Nesta época de “tolerância”, muitos cristãos têm se inclinado a praticar o mal, minimizando o seu dano. Aspergida com um ensino bíblico misto de honestidade e bondade, a heresia logo se torna agradável ao paladar, principalmente quando alimenta a auto-imagem e o desejo de possuir poder da parte de quem a escuta. A “comichão nos ouvidos” (2 Timóteo 4:3-4) tem se tornado o passatempo religioso nacional. Muitos têm preferido escutar fantásticas fábulas (verso 4), com uma ligeira camada de verniz cristão, em vez de escutar a dura verdade que exige a morte do ego.
Mesmo assim, o nosso Deus não está dormindo e o cristão sincero e humilde ainda consegue escutar a voz do seu Pastor e os de coração sensível ainda podem sentir a tristeza do Espírito Santo, quando o falso evangelho é apresentado como genuíno. Mas, infelizmente, a rota mais fácil é manter o “status quo”, mesmo diante da violência feita às Sagradas Escrituras. Os cristãos são anulados pelas constantes ameaças vindas dos púlpitos locais e nacionais, com a frase: “Não toqueis nos ungidos do Senhor!” e o medo de apedrejar o barco pode silenciar até mesmo o mais sincero crente em Cristo. Contudo, ao mesmo tempo em que existe um caminho mais fácil para quem se torna um ditador, suplantando o conhecimento de Deus com uma falsa piedade que ameniza o pecado, por outro lado o seu pecado deve ser amenizado, quando cometido na presença de alguém. Quando se dobram os joelhos tornando-se compromissados com o erro, eles ficarão dobrados até que aconteça o verdadeiro arrependimento e se volte para a única verdade que liberta do engodo.
O fato é que mesmo com todo o polimento da falsa teologia com eufemismos açucarados, ela não consegue esconder o seu veneno. A moda agora é dizer que um falso mestre foi “mal interpretado”, passando-se por cima do óbvio erro doutrinário que ele cometeu. Porém é bíblico chamar de falso o que é falso, tanto o homem como o seu ensino, dando nomes aos bois. E nenhuma das nomeações colocadas sobre os ombros dos falsos mestres pode ser considerada boa. E nem poderia ser. Um homem que deliberadamente refuta os outros com a sua própria lepra consumidora deve ser confrontado com o fato de sua moléstia e de sua necessidade de quarentena, para o seu próprio bem e dos seus seguidores. O mínimo que ele deveria fazer seria evitar o contágio a quem assiste a difusão do seu erro doutrinário.
Com fervoroso vigor apologético, a igreja primitiva fez guerra contra os que pervertiam a fé em Cristo. Qualquer um que se recusasse a agir assim, seria considerado um mercenário e culpado de grosseira covardia (João 10:12).
Os que são fiéis ao bom Pastor jamais hesitarão em usar o seu pessoal para afugentar os lobos do rebanho que precisa de proteção.
Na arena pessoal, é o caso de indagar: por que perturbar as crenças de um irmão que não é líder na comunidade cristã? Enquanto ele não estiver ensinando os outros, a mania teológica do “não julgue” nos leva a deixá-lo em paz. Ironicamente, a Bíblia narra esse tipo de pensamento na boca do primeiro assassino: “sou eu guardador do meu irmão?” (Gênesis 4:9). A resposta sarcástica de Caim nos diz que ele já conhecia a resposta: De fato, somos todos “guardadores do nosso irmão”. Se nós o amamos “não apenas de língua, mas por obra e em verdade” (1 João 3:18), precisamos informá-lo sobre o seu erro. De suas crenças vai depender o caminho no qual ele vai andar, caminho que poderá conduzi-lo a um precipício e atirá-lo ao abismo da heresia. O mesmo é verdade para todos nós. Conforme a crença que guardamos no coração, por ela viveremos e isso poderá determinar o nosso destino eterno.
Mesmo que a exposição do erro de um irmão não seja necessária, enquanto ele não se tornar um líder na congregação da igreja, a separação bíblica continua sendo aconselhada como uma resposta aos que se autodenominam cristãos e, contudo, vivem da mesma maneira ímpia como vivem os não regenerados: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1 Coríntios 5:9-11).
Aos olhos de Deus
Poderia ser útil observar pessoalmente como os falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são retratados na Escritura. O Deus da Bíblia faz certas referências específicas, escritas para todas as gerações, e nenhuma dúvida há na seriedade com que Ele vê os que pervertem o Seu caráter, Seus caminhos e Sua Palavra:
Pastores brutais - Ezequiel 34:1-22.
Lobos - Mateus 7:15.
Joio - Mateus 13:25.
Raça de víboras - Mateus 23:33.
Ladrão e salteador - João 10:1.
Mercenário - João 10:12.
Ministros de satanás 2 Coríntios 11:15.
Animais irracionais - 2 Pedro 2:12.
Ímpios - Judas 4
Ondas impetuosas do mar - (Judas 13).
Contaminadores - (Judas 8).
Manchas em festas de amor - (Judas 12).
Duas vezes mortos - (Judas 12).
Velho Testamento
Referências feitas aos falsos mestres, falsos profetas e falsos irmãos são por demais abundantes nas páginas do Velho Testamento. Vamos nos concentrar em apenas algumas, tentando especificar indivíduos tratados e nomeados pelo Senhor:
Números 16 - Datã, Abirão e Coré foram publicamente censurados por Moisés (verso 26) e engolidos pela terra em julgamento divino (versos 31-32).
1 Reis 22:11, 24, 25 - O falso profeta Zedequias foi censurado e julgado por Micaías.
Jeremias 29:31-32 - O falso profeta Semaías morreu, após a censura do Senhor, feita através de Jeremias.
Grande parte do Livro de Jeremias é gasto na censura aos falsos profetas que desviaram Israel do caminho do Senhor, tendo levado o povo a adorar os ídolos - Jeremias 2:8 e 5:30-31.
Ezequiel 8:8-11 - Falsos anciãos de Israel expostos, inclusive Jahazanias.
Ezequiel 11: 1-13 - Falsos irmãos expostos e um deles, Penatias, morreu. Além destes, grande parte do tempo de Ezequiel foi gasto em profetizar contra:
Os falsos irmãos (Ez. 11:4).
Os falsos profetas (Ez. 13:16-17).
Os falsos pastores (Ez. Capítulo 34).
Grande parte do Livro de Isaías também é devotado às censuras feitas pelo Senhor contra os falsos profetas que estavam levando Israel à apostasia contra Deus, adorando os ídolos (Isaías 9:15 e 28:7).
Novo Testamento
Mateus 23 - Jesus censurou publicamente os fariseus pela sua hipocrisia e adoração a Deus, conforme a maneira dos homens, e pela distorção das Escrituras.
Romanos 16:17 - Paulo condena os que promoviam divisões contrárias à doutrina cristã, mandando evitá-los.
1 Coríntios 4:18 - Também todo o capítulo 5 - Paulo condena os orgulhosos que eram muitos, inclusive censurando um membro da congregação que havia cometido pecado público, o qual ele manda que seja expulso da igreja e entregue a Satanás.
2 Coríntios 10:8-11; 11:1-4; 12-15 e 20-23 - Falsos apóstolos denunciados por estarem pregando “outro Jesus” na congregação.
Gálatas 1: 1-8 - Falsos irmãos trazendo a circuncisão às igrejas da Galácia.
Gálatas 2:11-13 - Mesmo não se tratando de falsos irmãos, Paulo censurou publicamente Pedro e Barnabé por causa de sua hipocrisia.
1 Timóteo 1:3-4 - Paulo ordena a Timóteo que ele detenha os que estão pregando falsas doutrinas.
1 Timóteo 1:19-20 - Himineu e Alexandre foram entregues pelo apóstolo Paulo a Satanás por causa de sua blasfêmia.
1 Timóteo 5:19-20 - Censurados publicamente os que cometiam pecados grosseiros.
2 Timóteo 4:14 - Paulo admoesta Timóteo para se acautelar contra Alexandre, o latoeiro, que muito se opunha ao Evangelho.
Tito 1:9-16 - Recomendação a Timóteo para que censure os falsos mestres, os quais deveriam ser interrompidos por estarem causando graves danos ao Corpo de Cristo.
3 João: 9-10 - Diótrefes se opondo a João e controlando os membros da igreja.
Apocalipse 2:14 - Em Pérgamo, alguns aderem aos ensinos de Balaão e outros mantêm os ensinos dos nicolaítas, os quais Jesus odeia.
Apocalipse 2:20 - Jezabel, a falsa profetisa na congregação de Tiatira, era conhecida de todos, por ser ativa na igreja.
Existem muitas outras Escrituras, as quais mesmo não nomeando indivíduos culpados de ensinar falsas doutrinas ou de viver em ostensivo pecado, esses eram bem conhecidos dentro da congregação. Nesse caso era nomeada a igreja em determinada área, e todos ficavam sabendo quem estava sendo apontado pelas cartas de Paulo.
A igreja de hoje está quase devastada pelos que afirmam trazer novas revelações, uma “palavra nova” do Senhor, o que não pode ser respaldado nas Escrituras. Entre esses homens estão Rick Joyner, cujas visões de anjos, de demônios vomitando e de um “Jesus” contradizendo as Escrituras têm conduzido multidões pelo caminho da falsa sabedoria e autoridade; Kenneth Copeland, que nega a suficiência do sangue de Cristo e cujo “Jesus” precisou nascer de novo no inferno, após ter assumido a natureza de Satanás; Benny Hinn, cuja apresentação nos palcos leva tantas pessoas a crer que ele é um legítimo mensageiro de Deus, até mesmo quando ele, sob uma falsa unção, se enfurece e profere, publicamente, maldições contra os seus adversários, numa voz gutural e sibilante.
Estes são apenas alguns exemplos dos ministros de elevado perfil, que estão pervertendo os registros bíblicos. Suas doutrinas e demonstrações de falsos sinais e maravilhas têm produzido um verdadeiro enxame de imitadores, desde o pastor local, imitando fielmente os seus ídolos, até as mais confusas ovelhas, que se assentam nos bancos, sendo obrigadas pela liderança da igreja a proclamar um “outro evangelho”, contrário ao que Cristo ensinou, o qual elas haviam aprendido e no qual creram e tanto amaram [antes de descambar no erro doutrinário].
O tempo de silenciar já passou há muito. A ameaça de Ananias e Safira já não pode mais ser usada para bestificar os verdadeiros crentes na cruz de Cristo. Mas a intimidação tão usada e abusada do “não toqueis nos meus ungidos” tem crescido ao extremo. Se o preço de falar a verdade for a condenação da nossa comunidade religiosa, que assim seja. A perda da influência, do status e do respeito significa uma ninharia quando comparada à glória de sofrer pelo nosso Senhor. As palavras que Cristo tem falado através das eras continuam tão fortes agora como eram, quando foram impressas pela primeira vez nas páginas da Bíblia: “Por que estais ociosos todo o dia?” (Mateus 20:6). Conhecer a verdade e não agir em favor da mesma é o mesmo que se tornar cúmplice do pecado.
Muito mais tem sido patrocinado às assim chamadas “vozes proféticas” de hoje. Gritos de “paz, paz”, quando não há paz, ecoam nos corações vazios daqueles que anseiam pela reconfortante Palavra da Verdade, a qual não conseguem encontrar entre os vendilhões do Templo. O tilintar das moedas vai comprando o silêncio, à custa do engodo das multidões. Os legítimos profetas de Deus censuraram a heresia, com as suas palavras cortando a carunchosa madeira da falsa doutrina. Reis, sacerdotes e falsos profetas sentiram os golpes do machado. Os “ungidos do Senhor” (os verdadeiros profetas do VT) puderam tocar os outros “ungidos do Senhor” (Reis e sacerdotes) e também tocaram aqueles [falsos profetas] que haviam conseguido o respeito dos crentes com a sua fingida lealdade ao Senhor.
Uma plenitude de passagens, tanto do Velho como do Novo Testamento, ensina como trazer luz ao que é falso, a fim de que a falsidade seja desmantelada. Efésios 5:11 diz: “E não vos comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as”. A escolha é nossa em obedecer, mesmo sofrendo as conseqüências, pois o resultado do erro doutrinário é a destruição da vida espiritual do povo de Deus, o qual é levado à prostituição espiritual. Efésios 5:11 não é uma sugestão ou desafio, mas uma ordem. Se obedecermos corretamente essa ordem, poderemos contar com a integridade e a coragem bíblica da próxima geração de cristãos.
Artigo “Naming the Names, a Biblical Approach”, de Kevin Reeves.
kreeves@aptalaska.net
Traduzido por Mary Schultze, em 16/08/2007.
http://www.cpr.org.br/Mary.htm
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