quarta-feira, 14 de setembro de 2011

No caso de a fé não existir por Alex Carrari


Inquirições: No caso de a fé não existir



Parece insensato, provocante, mero capricho, mas tenho que dizer; nesse caso, acho que fé, ou isso que chamamos fé, não existe. Caso exista, João Batista é o mais infeliz dos homens, pois, francamente – e não sem amargura – desconfia de suas próprias e certeiras previsões. Forçar o coração a admitir como verdadeiro isso ou aquilo, e como falso o que não seja isso ou aquilo, é o que frequentemente classificamos como fé, mas que não faz qualquer sentido. Para no caso desse resistente herói das desérticas paragens, a fé não existir, é preciso que haja um sentimento tão elevado quanto, que preencha esse vácuo cheio das impressões do desamparo, que pode inclusive matá-lo por inanição espiritual – e ele sabe disso. No caso de João, se fé não existe, o que existe é o amor.
Enquanto a Galiléia celebrava a chegada do amado de Deus, o afamado filho de Davi, em sua prisão de Maqueronte, João, o triste João, esgotava-se entre quiméricas esperas e refreados anseios. Os ecos do sucesso daquele que pouco tempo atrás estivera se encurvando diante de si nas corredeiras do Jordão, e que ele próprio apontara publicamente como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, chegaram até ele. Junto desses ecos a desconfiança, não de que ele talvez não fosse, mas de que, podia ser que fosse “o que há de vir”. Querendo saber da veracidade das coisas que ouviu que davam conta de que o Messias anunciado pelos profetas, o que resgataria Israel, havia chegado e que este poderia ser Jesus “o Cordeiro”, deu missão a dois membros de sua seita.
No auge de sua fama, desempenhando feitos notáveis, Jesus é achado pelos dois discípulos, que ao notarem o ar de festa em torno dele, ficaram deslocados e surpreendidos. Acostumados a uma vida de rígido ascetismo, jejuns, orações, purificações, os dois encontraram um Galileu assíduo freqüentador de festas, que agradava seus ouvidos com boa música, seus pés com danças e o estômago com boa comida e os melhores vinhos. Na hora oportuna transmitiram a mensagem de seu mestre: “Tu és o que há de vir? Devemos aguardar outro? Jesus, que a essa altura compreendia sem hesitação seu papel de Messias, não deu resposta categórica, porém, convocou o confuso profeta a fazer uma avaliação dos feitos que, em seu entendimento, assinalam a chegada do Reino de Deus entre os homens, pondo em ordem suas obras, seu indiscutível desempenho; cegos vendo, coxos andando, leprosos sendo purificados, surdos ouvindo, mortos ressuscitando, e pobres recebendo o evangelho. Alguém que ouviu essa conversa escreveu alguns anos depois que Jesus acrescentou: “Esta é a resposta que ele não espera, mas que devem levar ao mestre de vocês”. E delicadamente envia à João também uma aguda advertência: “Bem-aventurado é aquele que não encontra em mim motivo de tropeço”.
Se o recado chegou aos ouvidos de João a tempo antes de ser executado ninguém sabe. Se chegou, não temos qualquer indicio de sua reação. Teria ele morrido consolado com certeza de que acertara quando da indicação do “Cordeiro de Deus” à beira do Jordão? Quando a espada mirada na nuca e a bandeja no peito estavam para selar seu destino, teria ele se tranqüilizado, certo de que aquele a respeito de quem ele sentenciou “o que há de vir”, realmente veio? Ou teria conservado suas dúvidas sobre a missão de Jesus, morrendo inquieto na indômita solidão da suspeita, ansioso, querendo crer?
Como pode esse mensageiro, que era ninguém menos que Elias ressuscitado – segundo uma crença bastante difundida – titubear depois de uma assertiva palavra a respeito de Jesus, e este Jesus agora se converter em fonte de suas preocupadas desconfianças?
Sugiro uma saída, e acho que, talvez, pode ter sido essa a única via transitável disponível para João não tombar de vez, cedendo à total descrença. Parafraseando Rilke; e se esse não foi o momento para compreender seu próprio desconsolo e ao mesmo tempo começar a mais valiosa e autêntica produtividade religiosa que, a bem da verdade, não tem em si mesma a capacidade de levar ao consolo, mas à honesta envergadura de dispensar todo e qualquer consolo?
Tendo ficado marcado na lenda cristã, como foi na realidade, o austero indireitador das veredas, o melancólico pregador de obrigatórias penitências, sem as quais ninguém pode participar das alegrias do Reino de Deus, morre sem ver esse Reino que anunciara com tanta audácia, arrebatado de paixão. Esse gigante das origens cristãs, comedor de gafanhotos e mel silvestre, des-possuído de todos os luxos, esse bruto justiceiro foi, nas palavras de Ernest Renan, “o absinto que preparou os lábios para a doçura do reino de Deus, o degolado de Herodíades que inaugurou a era dos mártires cristãos; sendo a primeira vítima e testemunha de uma nova consciência[1]
Quem se investe da nova consciência dispensa as muitas concretizações, desobriga-se do cumprimento de certas esperanças, pode morrer desconsolado, sustentado somente pelo desejo de crer. João se arrisca a morrer na mais absoluta decepção, caso Jesus não fosse “o que há de vir”. Mesmo assim quer saber se ele é o tão aguardado libertador, ou deve ainda esperar outro. Melhor afundar em rude decepção do que mornar na branda ilusão. João não espera absolutamente o pior, nem o melhor, ele puramente quer crer, “porque aquele que espera sempre o melhor envelhece na decepção e o que aguarda sempre o pior mais depressa se gasta, mas o que crê conserva eterna juventude[2]
Na prisão, no caso de a fé de João não existir e só existir o amor como propus, o que o conserva é um pressentimento acerca de um desconhecido, como tantos outros, que pede para ser por ele batizado, que antes disso já ouvira de sua boca;eis o Cordeiro de Deus... Não pela fé que desaparece quando mais deveria transbordar, mas, pelo amor que o levou a predizer o futuro daquele que seria chamado Filho de Deus, de quem se achou indigno de levar as sandálias, declarando que este que estava para vir, era maior que ele. Por ter se colocado acima do amor-próprio, esse áspero profeta é o mais honorável representante das origens cristãs; dos nascidos de mulher é o maior, declara inexplicavelmente Jesus, não fazendo mais caso de suas ofensivas dúvidas, porque sem amor ninguém nada é[3]. João se esquece da esperança, suspeita da fé, porém, protege sua alma no amor, que desses três sentimentos é o maior[4]. Só o amor tem a potência de fazer alguém querer crer, mesmo contra todas as provas circunstanciais.
Alex Carrari

[1] ERNEST RENAN, Vida de Jesus
[2] SÖREN KIERKEGAARD, Temor e Tremor
[3] 1 CORÍNTIOS 13.2
[4] 1 CORÍNTIOS 13.13

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Pastores Segundo o Coração de Deus e Pastores Infiéis






Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e inteligência. Jeremias 3:15



Introdução: Ultimamente tem surgido clamores de igrejas, tanto da Alemanha, Rússia e do Brasil, onde o procedimento de vários pastores é completamente contrário aos princípios da Palavra de Deus. Por esta razão faz-se necessário uma exposição resumida dos princípios Bíblicos quanto a esta questão, bem como verificar os procedimentos que a Palavra de Deus aprova ou condena.


1. Princípio Bíblico de Liderança.
Em primeiro lugar, a palavra pastor nunca aparece na Bíblia como sendo uma profissão, e sim, como um ministério. Em Atos 20:17 e 28 aprendemos que os presbíteros da igreja deveriam pastorear o rebanho. Pastorear não é exercer um cargo. e sim cuidar do estado espiritual daqueles que foram salvos por Cristo Jesus.

Em segundo lugar, o Novo Testamento não conhece um sistema onde uma só pessoa tem essa responsabilidade, que sempre era atribuída a vários presbíteros.
Atos 20:17 “De Mileto mandou chamar os presbíteros da igreja”.
E a estes presbíteros Paulo falou: Atos 20:28 "Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue,"
Atos 14:23 "E, promovendo- lhes em cada igreja a eleição de presbíteros (plural) depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido"
Tito 1:5 b ". .. bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi."

Notamos em todas estas passagens que o Novo Testamento ensina que cada igreja deve ter vários presbíteros (Líderes) e que eles em conjunto tem a responsabilidade de pastorear o rebanho de Deus.
Naturalmente numa igreja nova isto levará alguns anos até que a igreja tenha vários presbíteros, porém este sempre deve ser o objetivo. O Novo Testamento desconhece totalmente um sistema onde um pastor tem o comando e os outros tem a obrigação de obedecer, na igreja de Cristo.

Evidentemente haverá a necessidade de um dentre, os presbíteros, dirigir o planejamento mas a responsabilidade pastoral recai sobre todo o presbitério. Atos 20:17 e 28. Veremos mais adiante como o desejo de exercer o comando sobre todos os outros é carnal e anti bíblico.

As diferenças entre uma liderança dentro dos princípios bíblicos e dentro dos princípios egoístas e carnais são explicadas com bastante detalhes, tanto no Velho como no Novo Testamento. Queremos fazer uma comparação entre os dois tipos de pastores.


2. Pastor segundo o coração de Deus. 
Já mencionamos que pastorado não é profissão - é ministério. Quando Jesus designou o apóstolo Pedro para pastorear o rebanho, não perguntou das suas habilidades profissionais, e sim "amas-me mais do que estes outros? " João 21:15-17.
Quem ama a Jesus, também amará aos que foram resgatados por Jesus e os tratará como Jesus os tratou.

Vamos ver algumas das características do pastor segundo o coração de Deus.

Primeira característica: Auto entrega. "O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas". João 10:11. Este foi o exemplo que Jesus nos deu. O apóstolo Paulo nos dá um exemplo de como se age com pessoas, mesmo cheio de problemas - e até fazendo oposição ao ministério, como foi o caso dos coríntios. A estes Paulo escreve: "Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol das vossas almas. Se mais vos amo, serei menos amado?" II Coríntios 12:15. O pastor segundo o coração de Deus não tem pena de si - ele se entrega e se gasta em beneficio das ovelhas de Cristo.

Segunda característica: Preocupação com a restauração de cada um individualmente. A parábola da ovelha perdida nos mostra este fato: "Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixa para ele nos montes as noventa e nove, indo procurar a que se extraviou? E, se porventura a encontra, em verdade vos digo que maior prazer sentirá por causa desta, do que pelas noventa e nove, que não se extraviaram. Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos." Mateus 18:12-14. Qualquer pastor segundo o coração de Deus fará de tudo para recuperar pessoas que estão se afastando do rebanho.

Terceira característica: O pastor segundo o coração de Deus não se coloca em evidência, e sim, prega a Cristo: “Porque não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor, e a nós mesmos como vossos servos por amor de Jesus" II Coríntios 4:5.  O pastor segundo o coração de Deus sempre ha de se considerar um servo, dando toda a honra a Cristo Jesus.
Quarta característica: O pastor segundo o coração de Deus não age como dominador sobre o rebanho, antes serve como exemplo: ". . . nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes tornando-vos modelos do rebanho”. I Pedro 5:3. O bom pastor anda na frente do rebanho. como o seu exemplo e as ovelhas o seguem.


3. Pastores infiéis 
A Bíblia nos fornece muitos elementos pelos quais se pode reconhecer o abuso neste ministério - tanto no Velho como no Novo Testamento.

Quais são as características de um "pastor” infiel?

 Primeira característica: Não busca ao Senhor para saber a sua vontade: "Porque os pastores se tornaram estúpidos e não buscam ao Senhor; por isso não prosperam, e todos os seus rebanhos se acham dispersos. Jeremias 10:21. O "pastor” que não se orienta pela Palavra de Deus pode manter o domínio sobre o rebanho por algum tempo mas aos poucos o rebanho vai se dispersando.

Segunda característica do "pastor" infiel: Ele apascenta a si mesmo: "Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza, e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? Comeis a gordura, vestis-vos de lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. "Ezequiel 34:2-3. O "pastor" infiel sempre está interessado em defender os seus direitos - seu salário, seu dia de descanso, sua privacidade, sua família. Gasta a maior parte do tempo cuidando de seus próprios interesses.

Terceira característica do "pastor" infiel: Ele não apascenta as ovelhas: " A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não li gastes, a desgarrada não tomastes a trazer e a perdida não buscastes... Ezequiel 34:4. O "pastor" infiel faz poucas visitas aos membros, deixa os fracos na sua fraqueza, deixa os “feridos espirituais" sem cuidar da sua recuperação e não vai atrás dos que estão se afastando. Mesmo quando procurado, sempre acha alguma desculpa para não atender aos que necessitam de cuidado espiritual. Ele não quer ser perturbado em seu descanso. Mas faz questão de um bom salário. Quando faz visitas. costuma visitar não os que necessitam, mas os que o apoiam na sua posição.

Quarta característica do "pastor" infiel: Ele exerce domínio sobre o rebanho: "Mas dominais sobre elas com rigor e dureza" Ezequiel 34:4b. O "pastor” infiel age como se fosse dono da igreja e considera a obrigação de todos os demais como sendo a mera obediência às suas ordens. Ele desobedece frontalmente a ordem de Deus: "Não como dominadores sobre o rebanho...". I.Pedro 5:3.

Quinta característica do "pastor" infiel: Ele quer ter a primazia: "Escrevi alguma cousa à Igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida." III.João 9. O "pastor" infiel, não quer ser um servo da Igreja (II Coríntios 4:5), mas quer ser um chefe na igreja. Não aceita ser um co--presbítero com os outros (I Pedro 5:1) mas quer ser um chefe-presbítero. Ele é obstinado pelo poder. E por isso não costuma ler cartas quando outros escrevem para ajudar (III. João 9) para não perder o seu domínio sobre a igreja.

Sexta característica do "pastor" infiel: Ele não dá acolhida na igreja a pessoas que não apoiam a sua ditadura: "Não nos dá acolhida" III. João 9b. Ele faz de tudo para evitar qualquer contato de membros com pessoas de fora que poderiam ajudar a igreja a retornar aos princípios bíblicos.

Sétima caraterística do "pastor" infiel: Ele difama e faz calúnias contra pessoas que tentam ajudar a igreja: ". . . proferindo contra nós palavras maliciosas" III João 10b 
Ele não pode provar com a Bíblia que está certo, então procura desacreditar outros obreiros que poderiam ajudar, levantando calúnias contra eles.

Oitava característica do "pastor" infiel: Proíbe a igreja de manter contato com pessoas que não apoiam a sua posição anti-bíblica. "E não satisfeito com estas causas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los... "III. João 10b Ele faz de tudo para isolar qualquer pessoa que poderia ameaçar o seu domínio.

Nona característica: Expulsa os insubmissos à sua ditadura da igreja: "E os expulsa da igreja". III. João 10c. O "pastor" infiel não tem a mínima preocupação com a manutenção de membros da igreja que poderiam ameaçar a sua autoridade. Não faz nenhum trabalho espiritual de recuperação, não segue os princípios de Mateus 18,15-17 -simplesmente se quer ver livre dos que não apoiam a sua posição autoritária - e os expulsa sumariamente.


4. Consequências para a igreja que tolera um pastor infiel: 
Os membros se espalham: "Assim se espalham, por não haver pastor, e se tomaram pasto para todas as feras do campo. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes, e por todo o elevado outeiro; as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure, ou quem as busque". Ezequiel 34:5-6
Numa igreja onde Cristo, o cabeça, é suibstituido por um “pastor” ditador, fatalmente o rebanho se espalhará.


5. Conseqüências para os “pastores” infiéis. 
Deus vai dar termo ao seu pastoreio: "Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estou contra os pastores, e deles demandarei as minhas ovelhas; porei termo ao seu pastoreio, e não se apascentarão mais a si mesmos; livrarei as minhas ovelhas da sua boca, para que já não lhes sirvam de pasto. Ezequiel 34:10. Um pastor ditador pode se manter por algum tempo no trono, porém o dia vem quando Deus mesmo o afastara do seu ministério.
Convém lembrar mais uma vez que toda a liderança da igreja é responsável perante Deus quando permite que se crie uma situação destas. A toda a liderança é atribuída o cuidado pelo rebanho (Atos 20:17 a 28)  e cada um dará contas a Deus pelas pessoas que foram espalhadas.





Aos membros e igrejas cujos guias realmente velam pelas vossas almas queremos deixar o texto de Hebreus 13:17 "Obedecei aos vossos guias (plural) e sede submissos para com eles: pois velam por vossas almas como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não vos aproveita a vós outros”.

Aos obreiros recomendamos que examinem o seu ministério e se tem procedido de tal forma que. por sua causa, os membros se espalharam, que tenham a humildade de confessar o seu pecado e procurar reintegrar os que foram dispersos. Pois, conforme lemos em Hebreus 13.17 “nós obreiros, daremos contas a Deus pelas almas dos que nos foram confiados”.

Peter Unruh
Centro de Estudos Bíblicos. Fone Fax (041) 376 71 32
Este artigo se encontra no site: http://www.apologetic.cjb.net/ Igreja




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